Valfrido Silva

debate de idéias, política, economia e cultura regional

29

de
abril

Propaganda enganosa

Políticos sérios e bem intencionados, como é o caso do prefeito Laerte Tetila, correm o risco de cair no descrédito popular quando mal assessorados. Sei que pode parecer falta de ética criticar colegas publicitários, mas não dá para ficar calado diante dos absurdos propagandísticos patrocinados pela prefeitura nestes últimos tempos, com o sagrado dinheirinho da população. Depois de submeterem o professor Wilson Biasotto ao mico de ir para a televisão desejar feliz Páscoa e boa festa do peixe, no caríssimo horário nobre da TV Morena, como se não tivéssemos outras prioridades, vêm agora as sumidades do marketing do PT propagandear quinhentas obras da administração municipal, mas sem o cuidado e a responsabilidade de informar corretamente o que é realmente OBRA de Tetila.

É o caso dos hospitais Universitário e de Traumas, que aparecem como se tivessem sido construídos na atual administração. O professor Tetila não merece isso, passar por mentiroso no final de uma bela administração. Ele tem muito mais o que mostrar e não precisa ficar aparecendo com o chapéu alheio. O HU foi, a bem da verdade, ativado em sua administração, mas o prédio, ou a obra, propriamente dita, estava lá, com mobiliário e muitos equipamentos instalados, já havia algum tempo e só não entrava em funcionamento por causa da tal máfia do sapato branco. O Hospital de Traumas só trocou de nome. O prédio é antigo e ali funcionava o Hospital da Mulher. Não são, portanto, “obras” de Tetila. Ações para a melhoria da saúde o prefeito fez aos montes, só precisam ser corretamente informadas ao povo, não apenas jogadas aleatoriamente para encher páginas jornais, espaços da TV e, principalmente, os bolsos das mentes iluminadas que criam tais peças publicitárias.

E o que dizer dos lindos canteiros centrais do tempo da administração Humberto Teixeira, mostrados na mesma propaganda como obra de Tetila? Que essa gente desinformada paga – e muito bem – para informar tenha lá seus mais de dois mil motivos para fazer tanta lambança com o dinheiro público, vá lá, mas daí a expor a figura de Tetila a esse vexame, aí, sim, são outros quinhentos.

 Como a prefeitura está fazendo umas obrinhas ali na praça Antonio João, não se assustem se daqui a pouco aparecer na mídia que a catedral Imaculada Conceição também é obra de Tetila. Por essas e outras é que Ari Artuzi continua firme e forte como o maior fenômeno eleitoral de todos os tempos em Dourados.

26

de
abril

Cartas na mesa

Depois de rodar toda a sexta-feira pela cidade acompanhando o deputado Ary Rigo e o todo poderoso cacique do PDT, João Leite Schimidt e, à noite, assistindo ao pré-lançamento da candidatura do deputado Ari Artuzi, durante a inauguração da nova sede do diretório municipal pedetista, com a presença do vice-governador Murilo Zauith, veio-me à cabeça uma antiga melodia de Moacir Franco, cujo refrão diz o seguinte: cartas na mesa, verdade, franqueza/pago dobrado e perco calado.

Murilo, que acabara de chegar de Campo Grande, onde o caldeirão da sucessão municipal douradense ferveu a tarde toda, no gabinete do governador André Puccinelli, veio prestigiar Artuzi porque, acima de tudo, é um gentleman. Mas bem que poderia ter evitado tanto constrangimento, embora ali estivesse consciente de que ouviria tudo o que ouviu.
Política é assim mesmo, mas se Zauith já vem perdendo o sono há tempos por causa da encrenca em que se meteu, logo ele que está neste mundo a passeio, segundo uma marqueteira estreante, deve ter ido dormir naquela sexta-feira com uma frase de Schimidt, que, fugindo ao tom sempre diplomático, disse que Dourados não merece ficar elegendo vice-governador para depois trazê-los de volta como alma penada para azucrinar na disputa da prefeitura. Braz Melo, que deixou a vice-governança de Wilson Martins para voltar à prefeitura ouvia calado, ao lado de Zauith.
Artuzi, parecendo guri quando ganha um picolé, de tão faceiro que estava, não economizou nas palavras como candidato, esboçando, inclusive, as primeiras linhas de seu programa de governo. Pediu votos e foi veemente nos desmentidos quanto à dinheirama que estariam lhe oferecendo para desistir da disputa, no que foi corroborado pelo próprio Schimidt, por Dagoberto Nogueira, Sergio Castilho e Ary Rigo.

Atento aos movimentos de Zauith, que estava agoniado por não poder confrontar os cinco dedos da mão direita nos cinco da mão esquerda, em movimentos repetitivos, como faz quando encurralado, por estar comprimido entre tantos pedetistas, mas sem deixar de apreciar a lua cheia, fiquei o tempo todo com a musiquinha de Moacir Franco martelando em minha cabeça: “Pensei em tudo, mudo ou não mudo, hora de terminar/Nem acredito que eu tenha dito o que vim pra falar/Mas já é hora de ir embora, hora de terminar/A vida é tua, joga na rua, gasta com quem vier/A dor é minha e ela eu não tinha, leva quem me quiser/ Eu vou sabendo que te perdendo perco bem mais que sou/Guerra perdida, alma vencida, leva quem mais te amou/Cartas na mesa, verdade, franqueza/Pago dobrado e perco calado…”

18

de
abril

A pré-campanha eleitoral

Engessados pela legislação eleitoral que proíbe qualquer tipo de manifestação pública antes do período eleitoral, propriamente dito, os pré-candidatos à prefeitura e à Câmara de Vereadores entram de cabeça, agora, na chamada pré-campanha, aquela fase dos últimos acertos e alianças que antecede as convenções, em junho, quando os nomes serão sacramentados pelos respectivos partidos.

Como ensina o deputado Londres Machado, o mais longevos dos políticos com mandatos (dez consecutivos até agora) em Mato Grosso do Sul, quem faz uma boa pré-campanha tem tudo para se dar bem na fase posterior – a do corpo-a-corpo, em busca do voto junto ao eleitorado, através de reuniões, passeatas e carreatas, comícios e, finalmente, os programas de rádio e televisão, onde, na verdade, a coisa se decide.

Com três pré-candidatos praticamente definidos – Ari Artuzi (PDT), Wilson Biasotto (PT) e um que deverá ter o apoio do governo do Estado, mais José Boniatti e José Ubirajara aparecendo como azarões – toda a atenção dos partidos agora está na formação das coligações, pois só a partir daí se conhecerão os candidatos a vice-prefeito e as chapas em condições de elegerem o maior número de veredores. E é aqui que está o “x” da questão, pois o candidato a prefeito que conseguir se cercar de candidatos fortes à Câmara, não só tem as melhores chances de puxar esses votos para si, como de assegurar a tal governabilidade, ou seja, o apoio no legislativo de uma bancada majoritária.

Mas o “x” de outra questão começa a tirar o sono de alguns candidatos majoritários, já que aonde chegam para alinhavar acordos com pré-candidatos a vereador a pergunta mais ouvida é: e a estrutura? Entenda-se por estrutura, dinheiro para campanha, principalmente para gasolina, material de propaganda, para galinhadas, pucheros (afinal a campanha é no inverno!) e “otras cositas” mais.

É por isso, com base nesta questão logística, que muitos arriscam prognósticos ignorando a tendência popular medida através de pesquisas eleitorais. E como não é nenhum absurdo dizer que o Brasil ainda é um país em que as leis não são levadas muito a sério, tudo pode acontecer, até mesmo a máxima de que máquina é máquina e o resto é conversa fiada, invertendo-se a lógica do “Vox populi Vox Dei”.

15

de
abril

A cobiçada poli position de Artuzi

Analisando-se o quadro político local pela lógica futebolística, poder-se-ia dizer que o time mais bem treinado até agora é o do Canaã I, com vistas a um possível confronto com a aguerrida equipe do Estrela Vermelha, independentemente da entrada ou não no torneio do time de inspiração tucana que por enquanto limita-se a um tímido recreativo nas quadras de esportes da Unigran à espera de reforços de agremiações que tiveram seus plantéis desmontados antes mesmo da confecção da tabela.
Aos aficcionados do automobilismo que preferem ver a coisa pelo ângulo da Fórmula 1, o que se vê até aqui é o pé-de-bode emprestado por Jorginho Dauzacker a Ari Artuzi deixando o vermelhinho de Tetila pilotado por Biasotto na poeira das curvas da periferia, enquanto Waltinho Carneiro não termina de polir a limusine de Murilo Zauith estacionada à sombra de um pé de Chico Magro, na vice-governadoria. O problema todo é que Zauith insiste em disputar a prova com o velho kart com o qual André Puccinelli fez sucesso nas pistas de Campo Grande. Outras escuderias tentam, ainda, às vésperas da largada do grande prêmio Dourados, acertar carros e pilotos, mas estão com dificuldades para encontrar patrocinadores, como é o caso de Marçal Filho e Geraldo Resende. Este, aliás, com sua sutileza paquidérmica, fez tanta trapalhada, que, se largar, vai ter que ser do box, punido pelo regulamento da prova. José Boniatti e José Ubirajara Fontoura, recém-chegados, tentam se aproveitar da experiência no setor do agronegócio para conseguir, senão patrocínio, algumas cotas de biocombustível, que seja, para, ao menos, levar suas máquinas ao grid de largada.
Como em corrida de Fórmula 1 o poli position leva sempre uma grande vantagem, desde que não haja areia na pista nem retardatários se trombando em seu caminho, está todo mundo de olho no desempenho do pé-de-bode de Artuzi, que corre no velho e bom estilo do argentino Juan Manoel Fangio, grande mito das pistas na era pré-Schumacker. A torcida adversária é grande para que seu motor comece a soltar fumaça e jogar óleo na pista, mas Artuzi, com o braço forte do bom caminhoneiro puxador de toras não dá bola, acelerando cada vez mais fundo rumo ao pódio.
Antonio Neres, locutor esportivo e conselheiro de auto-ajuda nas horas vagas, que substituirá Galvão Bueno nesta memorável corrida, com a sabedoria herdada pela convivência com o chinês Londres Machado, não se esquece de advertir: “meus irmãozinhos… jogo é jogo, treino é treino”. Mas acha que vai terminar mesmo sua narração bem ao estilo do locutor global: “E vem chegando Ari Artuzi para a bandeirada, trazendo o velho Mazaropi (o fordeco de Dauzacker) na ponta dos dedos…”. E eufórico, para encerar: “Ari! Ari! Ari! Ari Artuzi de Dourados! Vitória de ponta a ponta”. Sobe o som da musiquinha da vitória, do Airton Sena.

PS.: Por um erro no manuseio do blog os dois últimos postos foram apagados, daí o porquê da reedição, na íntegra, desses textos.. Os leitores que fizeram seus comentários podem repeti-los, inclusive aqueles que aqui entram com pseudônimos, apenas para caluniar e difamar, cabendo ao editor excluir os comentários que achar fora de contexto. Obrigado.

15

de
abril

André e Murilo acham Artuzi muito bonzinho

Nada de animal de pêlo curto, de despreparado, de louco. Tudo o que André Puccinelli falou até aqui, na tentativa de denegrir ou desqualificar o deputado Ari Artuzi, deve ser esquecido. Para o governador e seu vice, Murilo Zauith, Ari Artuzi é, isto sim, um sujeito muito bonzinho. Pelo menos é o que ficou claro no recado por eles mandado via Correio do Estado, cujo correspondente em Dourados é ninguém menos que o assessor de imprensa de Zauith, jornalista Fábio Dorta.
Na entrevista a Fabinho, durante a feijoada de O Progresso, neste sábado, ao lado de Murilo, André deu a fórmula mágica para resolver o imbróglio da sucessão municipal: tira Artuzi da Assembléia, para dar a vaga ao suplente peemedebista Diogo Tita, que é de Paranaíba, coloca-o como candidato a vice-prefeito de Murilo Zauith, fazendo questão de observar, na reportagem, que como vice-prefeito Artuzi “não vai apitar nada” e ainda se livra de Murilo na vice-governadoria, ficando com duas vagas para barganhar com o pessoal de Campo Grande em 2010, a de vice-governador e a de senador, pois neste caso Murilo seria um a menos em seu caminho, principalmente no caso de derrota na disputa pela prefeitura.
Muito bonzinho mesmo o deputado Ari Artuzi. Dá até dó. Deve ser por isso que ele aparece como o maior fenômeno eleitoral já visto na região nos últimos tempos. E muito correta e justa, também, a matemática de Puccinelli: tira um candidato com setenta por cento da preferência do eleitorado, como apontam todas as pesquisas, para colocar um que não passa dos quinze. Deve ser por isso que o prefeito Laerte Tetila tem agüentado, calado, tantos desaforos. É que, por essa lógica, Biasotto sai da condição de camicase para um vôo com alguma chance de pouso, mesmo que forçado, lá pelas bandas do Estádio Douradão.

12

de
abril

Ao Midiamax Murilo confirma aliança com Artuzi

O vice-governador Murilo Zauith (DEM) confirmou na manhã desta sexta-feira ao Midiamax a composição de uma aliança com o deputado estadual Ari Artuzi (PDT) para a disputa das eleições municipais deste ano em Dourados. "Eu e o Artuzi vamos caminhar juntos em Dourados", disse Murilo, assegurando que a aliança já é uma realidade. "Só não definimos ainda a forma desta composição".

No entanto, o vice-governador assegurou que não tem disposição para ser o vice do deputado Artuzi. "Vamos realizar pesquisas para avaliarmos quem é o melhor quadro", disse, acrescentando que seu partido, o Democratas, poderá até mesmo indicar um outro nome para compor a chapa majoritária com o deputado pedetista.

Na última terça-feira, Ari Artuzi sugeriu que se o vice-governador o apoiasse nas eleições municipais deste ano em Dourados, que seria seu principal cabo eleitoral nas eleições de 2010, quando Murilo Zauith poderá disputar uma vaga ao Senado. "Nossa região consta de 38 municípios e o Murilo tem tudo para ser o senador de nossa região", disse Artuzi na ocasião.

Em resposta ao deputado, Zauith admitiu marcar um encontro para discutir a possibilidade da aliança, mas ressaltou que teria que haver pesquisas quantitativas e qualitativas para saber quem detém a maior preferência dos eleiotores. Hoje, o vice-governador confirmou já ter feito o acordo.

Midiamax - 11/04/2008 - 16:31 h

11

de
abril

Murilo NÃO DESCARTA aliança com Artuzi


Aos que me criticaram…. agora já é o Murilo falando!

Com sorriso aberto o vice-governador Murilo Zauith (DEM) disse hoje em solenidade na Câmara dos Vereadores de Campo Grande que a relação com o deputado estadual Ari Artuzi (PDT) é de simpatia, “Foi aberto um canal de comunicação entre a minha assessoria e a do deputado, começamos um namoro, até agora foi dado uma piscadinha”, acrescentou Zauith.

Ao contrário da última declaração, quando o vice-governador disse estar “pronto para o duelo” com o deputado para a disputa pela prefeitura de Dourados, desta vez Zauith disse que deve se reunir com o Artuzi na próxima semana, para conversa amistosa.

O vice-governador que participou da solenidade da assinatura do convênio com o Ministério das Cidades disse ainda que uma possível composição com os dois candidatos não foi descartada.

Fonte: Campo Grande News

10

de
abril

Murilo admite apoiar Artuzi

Ao som, ainda, do “bolachão” de 78 rotações que fez um sucesso danado no convescote da base aliada na casa do vereador Eduardo Marcondes, onde o governador André Puccinelli teria dito que seu candidato a prefeito nas próximas eleições é o deputado Ari Artuzi, o vice-governador Murilo Zauith anuncia, agora, a disposição de “duelar” com o pedetista. Mas duelar, que fique bem claro, considerando-se Artuzi incluído entre os companheiros da base aliada para ver quem está melhor na pesquisa que apontará o candidato de oposição. Sim, porque a partir da saída do PMDB o líder disparado nas pesquisas passou a ser tratado como adversário por Puccinelli.

Das duas uma: Murilo passou a acreditar em milagre, achando ser possível reverter o quadro em 15/20 dias ou jogou a toalha e apenas está protelando o anúncio da decisão (já tomada) de apoiar Ari Artuzi. Neste prazo, diga-se, dá para negociar a indicação de um candidato a vice-prefeito, ou espaços na futura administração, por exemplo, mas daí transformar o disco de 78 rotações em dois ou mais long-play, mesmo que cada um tenha em cada lado cinco ou oito canções, demandaria tempo, e as convenções partidárias começam e terminam em junho.

Dificuldade de explicar tudo isso ao eleitorado? Nada que André Puccinelli não dê jeito, depois da famosa “amarelada” da semana santa de 2002, quando o então prefeito de Campo Grande frustrou a companheirada ao anunciar a desistência de disputar o governo do Estado com Zeca do PT.

8

de
abril

Murilo também deve apoiar Artuzi

Agora que foi absolvido pelo TRE do processo de cassação de seu mandado movido pelo PMDB, o deputado Ari Artuzi deverá receber o apoio à sua candidatura do vice-governador Murilo Zauith. Mesmo com seu nome colocado como pré-candidato Zauith tem relutado em disputar a eleição, pela leitura desapaixonada que faz dos números das pesquisas que dão amplo favoritismo ao pedetista. Segundo conversas de bastidores Murilo é um dos principais interlocutores de Artuzi junto ao governo do Estado e até teria feito uma proposta ao deputado: o que estiver melhor na pesquisa sai candidato a prefeito, o segundo indica o vice. Neste caso, o vice a ser indicado por Murilo seria o vereador Sidlei Alves.

A grande dificuldade de Murilo Zauith em viabilizar sua campanha está na dificuldade em obter o apoio do PMDB. Os dois pré-candidatos do partido, o deputado Geraldo Resende e o radialista Marçal Filho não vêem com bons olhos a candidatura do democrata, embora, diante do governador André Puccinelli, jurem de pés juntos que apóiam o que estiver melhor na pesquisa.

A resistência de Geraldo Resende está no fato de em momento algum o vice-governador ter sinalizado com um possível apoio à sua candidatura. Quanto a Marçal Filho são grandes os resquícios da eleição passada, pois ele atribuiu sua derrota à manobra de Zauith com o lançamento da candidatura de Sidlei Alves, o que inviabilizou seu retorno à Câmara Federal. O vereador de Vila Vargas surpreendeu nas urnas enquanto que Marçal, franco favorito, amargou uma inesperada derrota.

Nem mesmo a declaração do governador André Puccinelli, na última segunda-feira, durante a reunião com líderes da base aliada, de que Dourados é a única cidade em que ele vai “operar” nas próximas eleições teria empolgado o vice.

Como o governador André Puccinelli já tem compromisso de apoiar a candidatura do deputado federal Waldemir Moka (PMDB) ao Senado, além de andar flertando com Delcídio Amaral (PT), candidato à reeleição (são duas as vagas em disputa em 2010) e como o sonho de Murilo é chegar ao salão azul do Congresso Nacional naquele, ele tem duas alternativas nesta eleição municipal: uma inusitada composição, mesmo que “branca”, com o PT ou apoiar Ari Artuzi, com o compromisso deste de ajudá-lo a chegar ao Senado, compromisso que o PT também estaria disposto a fazer para tentar emplacar Biasotto como sucessor de Tetila. O apoio a Artuzi seria o mais razoável e a tese já ganha força entre os democratas.

4

de
abril

O inferno astral de Murilo

Uma das muitas elucubrações acerca do tal inferno astral dão conta que ele começa sempre trinta dias antes de cada aniversário. O meu, por exemplo, coincide com um outro tipo de inferno astral, aquele que afeta os candidatos a cargos eletivos, pois faço anos justamente no dia em que expira o prazo para as convenções partidárias – 30 de junho. E sempre algum desses engraçadinhos resolve estragar minha festa, deixando as coisas para a última hora.
Não sei quando o vice-governador Murilo Zauith aniversaria, parece que em final de julho, e se for isso mesmo o inferno astral dele este ano promete ser prolongado, já que desde agora o homem anda com cara de poucos amigos. Vejamos o que aconteceu recentemente, quando o governador André Puccinelli esteve aqui e o lançou candidato. Mais, dizendo com todas as letras, repetidamente, a um reduzido grupo de jornalistas, durante a inauguração do Fórum do Ministério Público: “O Murilo é o meu candidato; é o futuro prefeito”, até encerrar a série de assertivas com a frase que deu mais ibope: “pra ser candidato tem que ter galope e o Murilo é o que tem o melhor galope”. E o que fez Murilo, que esteve o tempo todo ao lado do governador? Limitou-se a um sorrisinho sem graça e a olhar para o infinito, como costuma fazer diante de uma situação de aperto. “Não basta o governador querer, o povo também tem que querer”, disse, para a frustração de todos aqueles que não vêem a hora dele colocar logo o bloco na rua.
Empresário bem sucedido, secretário municipal de planejamento (administração Humberto Teixeira), deputado estadual, federal e agora vice-governador, o engenheiro Murilo Zauith é o candidato dos sonhos de uma significativa parcela da sociedade, o que se comprova a cada nova rodada de pesquisa. Tem a tal e$trutura que tanta falta faz a candidatos como Ari Artuzi e Geraldo Resende, além do apoio declarado do governo do Estado, que, como muita gente acredita, elege quem quiser prefeito. Então, por que tanta embromação?
Acontece que muito mais que sonhar com a prefeitura, Murilo, sem dúvida alguma um homem de grande visão política, culto, de gosto refinado, e, por isso, mesmo avesso às pentelhações do dia-a-dia da política provinciana, gostaria mesmo é de fazer deslizar seu mocassin democrata sem meia pelos acarpetados salões azuis do Congresso Nacional, para se alojar numa das poltronas protegidas pela cuia (ou taça) emborcada de Oscar Niemeyer – o Senado da República.
Assim, não restam dúvidas que Zauith é o candidato em condições de reunir maior apoio político nesta corrida sucessória. Até alguns radicais do PT o paqueram, mas ele sabe que isso não basta. Deve estar lhe atordoando os ouvidos, também, a tal musiquinha tocada no bolachão (e não long-play como escrevi aqui, tendo sido corrigido pelo leitor Asa B.) de 78 rotações na casa do vereador Eduardo Marcondes na última segunda-feira. Musiquinha chata, mas ao som da qual operários do voto, picaretas em punho, pavimentam de forma cada vez mais consistente o caminho do deputado Ari Artuzi rumo à prefeitura. A mesma prefeitura que Murilo perdeu para o PT em 2000, e esta história de ficar freguês definitivamente não lhe passa pela cabeça.

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