Valfrido Silva

debate de idéias, política, economia e cultura regional

Valfrido Silva

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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008

29.04.08

Propaganda enganosa

Políticos sérios e bem intencionados, como é o caso do prefeito Laerte Tetila, correm o risco de cair no descrédito popular quando mal assessorados. Sei que pode parecer falta de ética criticar colegas publicitários, mas não dá para ficar calado diante dos absurdos propagandísticos patrocinados pela prefeitura nestes últimos tempos, com o sagrado dinheirinho da população. Depois de submeterem o professor Wilson Biasotto ao mico de ir para a televisão desejar feliz Páscoa e boa festa do peixe, no caríssimo horário nobre da TV Morena, como se não tivéssemos outras prioridades, vêm agora as sumidades do marketing do PT propagandear quinhentas obras da administração municipal, mas sem o cuidado e a responsabilidade de informar corretamente o que é realmente OBRA de Tetila.

É o caso dos hospitais Universitário e de Traumas, que aparecem como se tivessem sido construídos na atual administração. O professor Tetila não merece isso, passar por mentiroso no final de uma bela administração. Ele tem muito mais o que mostrar e não precisa ficar aparecendo com o chapéu alheio. O HU foi, a bem da verdade, ativado em sua administração, mas o prédio, ou a obra, propriamente dita, estava lá, com mobiliário e muitos equipamentos instalados, já havia algum tempo e só não entrava em funcionamento por causa da tal máfia do sapato branco. O Hospital de Traumas só trocou de nome. O prédio é antigo e ali funcionava o Hospital da Mulher. Não são, portanto, “obras” de Tetila. Ações para a melhoria da saúde o prefeito fez aos montes, só precisam ser corretamente informadas ao povo, não apenas jogadas aleatoriamente para encher páginas jornais, espaços da TV e, principalmente, os bolsos das mentes iluminadas que criam tais peças publicitárias.

E o que dizer dos lindos canteiros centrais do tempo da administração Humberto Teixeira, mostrados na mesma propaganda como obra de Tetila? Que essa gente desinformada paga – e muito bem – para informar tenha lá seus mais de dois mil motivos para fazer tanta lambança com o dinheiro público, vá lá, mas daí a expor a figura de Tetila a esse vexame, aí, sim, são outros quinhentos.

 Como a prefeitura está fazendo umas obrinhas ali na praça Antonio João, não se assustem se daqui a pouco aparecer na mídia que a catedral Imaculada Conceição também é obra de Tetila. Por essas e outras é que Ari Artuzi continua firme e forte como o maior fenômeno eleitoral de todos os tempos em Dourados.

26.04.08

Cartas na mesa

Depois de rodar toda a sexta-feira pela cidade acompanhando o deputado Ary Rigo e o todo poderoso cacique do PDT, João Leite Schimidt e, à noite, assistindo ao pré-lançamento da candidatura do deputado Ari Artuzi, durante a inauguração da nova sede do diretório municipal pedetista, com a presença do vice-governador Murilo Zauith, veio-me à cabeça uma antiga melodia de Moacir Franco, cujo refrão diz o seguinte: cartas na mesa, verdade, franqueza/pago dobrado e perco calado.

Murilo, que acabara de chegar de Campo Grande, onde o caldeirão da sucessão municipal douradense ferveu a tarde toda, no gabinete do governador André Puccinelli, veio prestigiar Artuzi porque, acima de tudo, é um gentleman. Mas bem que poderia ter evitado tanto constrangimento, embora ali estivesse consciente de que ouviria tudo o que ouviu.
Política é assim mesmo, mas se Zauith já vem perdendo o sono há tempos por causa da encrenca em que se meteu, logo ele que está neste mundo a passeio, segundo uma marqueteira estreante, deve ter ido dormir naquela sexta-feira com uma frase de Schimidt, que, fugindo ao tom sempre diplomático, disse que Dourados não merece ficar elegendo vice-governador para depois trazê-los de volta como alma penada para azucrinar na disputa da prefeitura. Braz Melo, que deixou a vice-governança de Wilson Martins para voltar à prefeitura ouvia calado, ao lado de Zauith.
Artuzi, parecendo guri quando ganha um picolé, de tão faceiro que estava, não economizou nas palavras como candidato, esboçando, inclusive, as primeiras linhas de seu programa de governo. Pediu votos e foi veemente nos desmentidos quanto à dinheirama que estariam lhe oferecendo para desistir da disputa, no que foi corroborado pelo próprio Schimidt, por Dagoberto Nogueira, Sergio Castilho e Ary Rigo.

Atento aos movimentos de Zauith, que estava agoniado por não poder confrontar os cinco dedos da mão direita nos cinco da mão esquerda, em movimentos repetitivos, como faz quando encurralado, por estar comprimido entre tantos pedetistas, mas sem deixar de apreciar a lua cheia, fiquei o tempo todo com a musiquinha de Moacir Franco martelando em minha cabeça: “Pensei em tudo, mudo ou não mudo, hora de terminar/Nem acredito que eu tenha dito o que vim pra falar/Mas já é hora de ir embora, hora de terminar/A vida é tua, joga na rua, gasta com quem vier/A dor é minha e ela eu não tinha, leva quem me quiser/ Eu vou sabendo que te perdendo perco bem mais que sou/Guerra perdida, alma vencida, leva quem mais te amou/Cartas na mesa, verdade, franqueza/Pago dobrado e perco calado...”

18.04.08

A pré-campanha eleitoral

Engessados pela legislação eleitoral que proíbe qualquer tipo de manifestação pública antes do período eleitoral, propriamente dito, os pré-candidatos à prefeitura e à Câmara de Vereadores entram de cabeça, agora, na chamada pré-campanha, aquela fase dos últimos acertos e alianças que antecede as convenções, em junho, quando os nomes serão sacramentados pelos respectivos partidos.

Como ensina o deputado Londres Machado, o mais longevos dos políticos com mandatos (dez consecutivos até agora) em Mato Grosso do Sul, quem faz uma boa pré-campanha tem tudo para se dar bem na fase posterior – a do corpo-a-corpo, em busca do voto junto ao eleitorado, através de reuniões, passeatas e carreatas, comícios e, finalmente, os programas de rádio e televisão, onde, na verdade, a coisa se decide.


Com três pré-candidatos praticamente definidos – Ari Artuzi (PDT), Wilson Biasotto (PT) e um que deverá ter o apoio do governo do Estado, mais José Boniatti e José Ubirajara aparecendo como azarões – toda a atenção dos partidos agora está na formação das coligações, pois só a partir daí se conhecerão os candidatos a vice-prefeito e as chapas em condições de elegerem o maior número de veredores. E é aqui que está o “x” da questão, pois o candidato a prefeito que conseguir se cercar de candidatos fortes à Câmara, não só tem as melhores chances de puxar esses votos para si, como de assegurar a tal governabilidade, ou seja, o apoio no legislativo de uma bancada majoritária.


Mas o “x” de outra questão começa a tirar o sono de alguns candidatos majoritários, já que aonde chegam para alinhavar acordos com pré-candidatos a vereador a pergunta mais ouvida é: e a estrutura? Entenda-se por estrutura, dinheiro para campanha, principalmente para gasolina, material de propaganda, para galinhadas, pucheros (afinal a campanha é no inverno!) e “otras cositas” mais.


É por isso, com base nesta questão logística, que muitos arriscam prognósticos ignorando a tendência popular medida através de pesquisas eleitorais. E como não é nenhum absurdo dizer que o Brasil ainda é um país em que as leis não são levadas muito a sério, tudo pode acontecer, até mesmo a máxima de que máquina é máquina e o resto é conversa fiada, invertendo-se a lógica do “Vox populi Vox Dei”.

15.04.08

A cobiçada poli position de Artuzi

Analisando-se o quadro político local pela lógica futebolística, poder-se-ia dizer que o time mais bem treinado até agora é o do Canaã I, com vistas a um possível confronto com a aguerrida equipe do Estrela Vermelha, independentemente da entrada ou não no torneio do time de inspiração tucana que por enquanto limita-se a um tímido recreativo nas quadras de esportes da Unigran à espera de reforços de agremiações que tiveram seus plantéis desmontados antes mesmo da confecção da tabela.
Aos aficcionados do automobilismo que preferem ver a coisa pelo ângulo da Fórmula 1, o que se vê até aqui é o pé-de-bode emprestado por Jorginho Dauzacker a Ari Artuzi deixando o vermelhinho de Tetila pilotado por Biasotto na poeira das curvas da periferia, enquanto Waltinho Carneiro não termina de polir a limusine de Murilo Zauith estacionada à sombra de um pé de Chico Magro, na vice-governadoria. O problema todo é que Zauith insiste em disputar a prova com o velho kart com o qual André Puccinelli fez sucesso nas pistas de Campo Grande. Outras escuderias tentam, ainda, às vésperas da largada do grande prêmio Dourados, acertar carros e pilotos, mas estão com dificuldades para encontrar patrocinadores, como é o caso de Marçal Filho e Geraldo Resende. Este, aliás, com sua sutileza paquidérmica, fez tanta trapalhada, que, se largar, vai ter que ser do box, punido pelo regulamento da prova. José Boniatti e José Ubirajara Fontoura, recém-chegados, tentam se aproveitar da experiência no setor do agronegócio para conseguir, senão patrocínio, algumas cotas de biocombustível, que seja, para, ao menos, levar suas máquinas ao grid de largada.
Como em corrida de Fórmula 1 o poli position leva sempre uma grande vantagem, desde que não haja areia na pista nem retardatários se trombando em seu caminho, está todo mundo de olho no desempenho do pé-de-bode de Artuzi, que corre no velho e bom estilo do argentino Juan Manoel Fangio, grande mito das pistas na era pré-Schumacker. A torcida adversária é grande para que seu motor comece a soltar fumaça e jogar óleo na pista, mas Artuzi, com o braço forte do bom caminhoneiro puxador de toras não dá bola, acelerando cada vez mais fundo rumo ao pódio.
Antonio Neres, locutor esportivo e conselheiro de auto-ajuda nas horas vagas, que substituirá Galvão Bueno nesta memorável corrida, com a sabedoria herdada pela convivência com o chinês Londres Machado, não se esquece de advertir: “meus irmãozinhos... jogo é jogo, treino é treino”. Mas acha que vai terminar mesmo sua narração bem ao estilo do locutor global: “E vem chegando Ari Artuzi para a bandeirada, trazendo o velho Mazaropi (o fordeco de Dauzacker) na ponta dos dedos...”. E eufórico, para encerar: “Ari! Ari! Ari! Ari Artuzi de Dourados! Vitória de ponta a ponta”. Sobe o som da musiquinha da vitória, do Airton Sena.

PS.: Por um erro no manuseio do blog os dois últimos postos foram apagados, daí o porquê da reedição, na íntegra, desses textos.. Os leitores que fizeram seus comentários podem repeti-los, inclusive aqueles que aqui entram com pseudônimos, apenas para caluniar e difamar, cabendo ao editor excluir os comentários que achar fora de contexto. Obrigado.




André e Murilo acham Artuzi muito bonzinho

Nada de animal de pêlo curto, de despreparado, de louco. Tudo o que André Puccinelli falou até aqui, na tentativa de denegrir ou desqualificar o deputado Ari Artuzi, deve ser esquecido. Para o governador e seu vice, Murilo Zauith, Ari Artuzi é, isto sim, um sujeito muito bonzinho. Pelo menos é o que ficou claro no recado por eles mandado via Correio do Estado, cujo correspondente em Dourados é ninguém menos que o assessor de imprensa de Zauith, jornalista Fábio Dorta.
Na entrevista a Fabinho, durante a feijoada de O Progresso, neste sábado, ao lado de Murilo, André deu a fórmula mágica para resolver o imbróglio da sucessão municipal: tira Artuzi da Assembléia, para dar a vaga ao suplente peemedebista Diogo Tita, que é de Paranaíba, coloca-o como candidato a vice-prefeito de Murilo Zauith, fazendo questão de observar, na reportagem, que como vice-prefeito Artuzi “não vai apitar nada” e ainda se livra de Murilo na vice-governadoria, ficando com duas vagas para barganhar com o pessoal de Campo Grande em 2010, a de vice-governador e a de senador, pois neste caso Murilo seria um a menos em seu caminho, principalmente no caso de derrota na disputa pela prefeitura.
Muito bonzinho mesmo o deputado Ari Artuzi. Dá até dó. Deve ser por isso que ele aparece como o maior fenômeno eleitoral já visto na região nos últimos tempos. E muito correta e justa, também, a matemática de Puccinelli: tira um candidato com setenta por cento da preferência do eleitorado, como apontam todas as pesquisas, para colocar um que não passa dos quinze. Deve ser por isso que o prefeito Laerte Tetila tem agüentado, calado, tantos desaforos. É que, por essa lógica, Biasotto sai da condição de camicase para um vôo com alguma chance de pouso, mesmo que forçado, lá pelas bandas do Estádio Douradão.