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criado por valfridosilva
10:20:44
criado por valfridosilva
10:15:30Na próxima quinta-feira, dia 15, vence o prazo de vinte dias pactuado para que o vice-governador Murilo Zauith anuncie se é ou não candidato a prefeito de Dourados, com apoio dos partidos da base aliada do governador André Puccinelli, excetuando-se, obviamente, o PDT, do deputado Ari Artuzi, cuja candidatura é dada como irreversível, pelos brizolistas. Como Zauith está anunciando que vai entrar de licença médica a partir de amanhã, coincidentemente no dia em que teria que assumir o governo para a viagem do titular do cargo à Europa e Ásia, tudo indica que Zauith, doente, não poderá se envolver com política e aí estaria aberto o caminho para que o deputado peemedebista Geraldo Resende finalmente possa anunciar sua pré-candidatura, uma vez levado a sério o que foi exaustivamente discutido no gabinete do governador dia 25 último.
Com a doença de Zauith, que já teve um piripaque em fevereiro de 2000, quando se preparava para disputar a prefeitura pela primeira vez, interrompe-se a série de lautos jantares no restaurante Casarão, aonde ele vinha fazendo seu proselitismo em cima das ações do governo do Estado, numa última tentativa de fazer decolar sua candidatura. Com esse vácuo o deputado Geraldo Resende deve assumir o leme do barco governista, pois certamente não terá mais paciência para esperar pelo diagnóstico da doença do vice-governador. Geraldo anda animado com os resultados da pesquisa qualitativa mostrada aos aliados pelo governador Puccinelli, onde seu nome aparece como segunda opção de voto entre o eleitorado de Artuzi.
Resta saber a gravidade do mal que levou o vice-governador a pedir licença médica, não se descartando a hipótese de, antes mesmo do prazo de vinte dias que ele pediu, seus médicos recomendarem repouso absoluto e ele se decidir por abandonar de vez a idéia, que não lhe é nem ou pouco simpática, de sair, mais uma vez, candidato a prefeito.
Murilo sabe que a disputa é indigesta e que isso pode comprometer todo seu projeto político de chegar ao Senado já em 2010 e talvez isso esteja aumentando seus batimentos cardíacos. A menos que a doença tenha sido provocada por uma indigestão por tanto bobó de galinha comido nos últimos dias com o povo da periferia, no Casarão, aí então ele poderá se reabilitar em tempo de convencer Geraldo Resende a adiar pelo tão esperado anúncio da candidatura aliada.

criado por valfridosilva
09:42:40A situação do vice-governador Murilo Zauiht diante do quadro sucessório em Dourados faz lembrar o enredo da peça do francês Samuel Beckett, que deu origem à expressão “esperando Godot”, sempre utilizada para indicar algo impossível, ou uma espera infrutífera. Murilo esperou o tempo todo a sinalização de apoio do governador André Puccinelli à sua candidatura. Depois que isso aconteceu veio o inesperado (para ele) racha na base aliada, sem contar a enorme pedra em seu caminho, mais parecida com uma rocha, chamada Ari Artuzi.
O penúltimo ato desta peça, que, à exemplo da obra de Beckett, também está mais para o teatro do absurdo, foi a tensa reunião de dez dias atrás no gabinete de Puccinelli, em Campo Grande, quando foi esmiuçado o resultado de uma pesquisa que teria custado cem mil reais (quem será que pagou?), cujos resultados apontaram para três nomes com chances reais de ser o futuro prefeito de Dourados, pela ordem: Ari Artuzi, estourado na frente, Murilo Zauith e Geraldo Resende, este, beneficiando-se do fato de que a segunda opção de voto do eleitor de Artuzi é sempre para ele, já que esses mesmos eleitores jamais votariam em Zauith ou em Biasotto.
Pois bem. Terminada a reunião, deciciu-se não decidir nada, depois de Puccinelli ter alardeado que não passava daquele fatídico 25 de abril o anúncio do nome de seu candidato a prefeito em Dourados. Saindo de lá, Geraldo Resende correu para se encontrar com Tetila e Biasotto, em busca de uma aliança, esquecendo-se de tudo o que falou deles desde que os abandonou, depois de se eleger deputado estadual no palanque petista de 1998. Murilo, saiu de Campo Grande direto para a festa de inauguração do novo diretório do PDT, em Dourados, onde a cúpula dos trabalhistas históricos lançava a candidatura de Ari Artuzi a prefeito. Marçal Filho, que ao lado de Biasotto, apareceu na tal pesquisa com chance zero de se eleger prefeito, baixou ao hospital com uma moléstia não diagnosticada pelos médicos.
Esta semana, o último ato deste teatro do absurdo: o vice-governador Zauith não viaja com Puccinelli aos Estados Unidos, não assume o governo do Estado, como reza a Constituição, e desaparece. E, uma das muitas versões para o caso, já que estamos tratando de teatro dos absurdos, é que Murilo, fazendo-se de desentendido, ao deixar-se flagrar na Assemblélia Legislativa conversando com Londres Machado e Ari Rigo, teria encontrado uma saída honrosa: perdendo o cargo de vice-governador, livra-se de Puccinelli sem com ele precisar brigar, não disputa a eleição para prefeito, pois sabe do risco que corre de perder, e fica livre para começar, já, sua campanha para o senado em 2008.
O por quê dessa decisão? Homem culto, Zauith, que já está escaldado, analisando bem o atual quadro sucessório, teria se inspirado exatamente na primeira frase da peça de Beckett, quando, enquanto esperava Godot, numa estrada escura, debaixo de uma árvore Estragon disse a Vladimir: “nada a fazer”.

criado por valfridosilva
08:47:19