Valfrido Silva

debate de idéias, política, economia e cultura regional

Valfrido Silva

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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2008

25.06.08

O leilão da reta final

 

Suspenso por Ordem Judicial, de acordo com o art. 36 da Lei n. 9504/97

08.06.08

O nó gordio da sucessão municipal

O ex-vereador Archimedes (Ferrinho) Lemes Soares, além de guru, é uma espécie de arauto da pré-candidatura do vice-governador Murilo Zauith à prefeitura de Dourados. Nos pontos de café por onde passa sempre bem cedinho deixa um rastro de incertezas quanto à candidatura do líder das pesquisas, Ari Artuzi, que chega a embaralhar as idéias até do mais fanático seguidor do deputado pedetista, tanta a convicção com que espalha o que garante serem as mais quentes informações sempre vindas do Parque dos Poderes ou da cozinha de Zauith, onde, vangloria-se, toma café em companhia do todo poderoso da Unigran e de sua esposa, dona Cecília, a quem chama de madrinha.

 
Vereador e por duas vezes e presidente da Câmara Municipal, Ferrinho sempre operou com muita competência nos bastidores da política douradense. Em 1976, nas eleições entre Lauro Machado de Souza e José Elias Moreira, teria chegado ao cúmulo de sair fardado de policial pela colônia espalhando a falsa notícia de que Lauro havia sido preso e de que corria o mesmo risco quem votasse nele, por causa de uma denúncia, também forjada, de que o candidato apoiado pelo então prefeito João da Câmara havia mandado clonar títulos eleitorais.

 
Agora, quando a determinação de Ari Artuzi vai se cristalizando, com a aproximação do prazo para a realização das convenções partidárias, Ferrinho aumenta o tom de voz, talvez por acreditar na famosa premissa do ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goelbbes, para quem “uma mentira muitas vezes repetida, torna-se verdade”.

 
A verdade é que nem Ferrinho, nem Murilo, nem os poderosos de plantão, poderiam esperar que Ari Artuzi, o caminhoneiro que virou vereador e depois deputado com a maior votação já vista na história de Dourados poderia peitar o todo poderoso André Puccinelli, com toda sua truculência verbal. Ao correr o risco de perder o mandato, trocando PMDB, onde sabia que não teria legenda, pelo PDT de João Leite Schimidt, cujo discurso sempre foi o de que partido que não disputa eleição não é partido, Artuzi mostrou destemor, mesmo assim, não foi levado a sério, tornando-se o nó górdio da atual corrida sucessória e colocando Murilo cada vez mais perto do canto do ringue.

04.06.08

Murilo vai para o sacrifício contra Artuzi

Ninguém ouviu, ainda, da boca dele, que é candidato, mas tudo indica que o vice-governador Murilo Zauith vai, mesmo, para a disputa eleitoral, em sua segunda tentativa de disputar a cadeira de prefeito de Dourados. Na primeira vez, em 2000, foi derrotado pelo atual prefeito, Laerte Tetila, depois da desastrada estratégia de recusar apoio de lideranças consideradas “do passado” por seus marketeiros, como os ex-vice-governadores Braz Melo e George Takimoto e os ex-deputados Valdenir Machado, Humberto Teixeira e José Elias Moreira, alguns destes, hoje, na linha de frente de sua pré-campanha.

Muito mais que disputar uma eleição, Murilo sabe que esta é a cartada decisiva de sua trajetória política. Sabe também – e confessou isso a mais de um amigo – que se perder mais uma vez vai para casa, sepultando o sonho dourado de ser o primeiro senador da cidade, para encerrar a carreira como coadjuvante de luxo de Puccinelli.

O governador, por sua vez, cirurgião médico que se destacou como o grande administrador público, consolida-se, assim, como o grande arquiteto da política, pois com Murilo candidato a prefeito, fica livre dele para as amarrações visando 2010, quando pretende concorrer à reeleição tendo como companheiro de chapa o deputado Waldemir Moka concorrendo ao Senado e ainda tendo a vaga de vice-governador para barganhar com os partidos da base aliada. Murilo prefeito, bom para André, que teria o apoio do prefeito da segunda maior cidade do Estado. Com Murilo derrotado, não seria tão ruim assim, pois o atual vice estaria sem forças para tentar levar a frente o projeto do Senado e sem condições até mesmo para continuar vice, levando-se em conta a “disposição” que ele vem demonstrando para disputas eleitorais.

A relutância de Murilo em anunciar a candidatura revela a angústia que vem vivendo desde a posse de André no governo. Sempre tido como candidato natural, colocou-se o tempo todo à disposição do projeto político do governador, mas sem a devida inserção na mídia, como vice. Sumido e sem essa alavanca que lhe daria maior visibilidade junto ao eleitorado, limitando-se a contemplar a paisagem debaixo de um pé de “Chico Magro” que faz sombra ao prédio onde fica a vice-governadoria, no Parque dos Poderes, Zauith viu o deputado Ari Artuzi disparar nas pesquisas, com a providencial ajuda verbal do próprio Puccinelli.

A mais de um amigo também Murilo tem confidenciado que é consciente dos riscos que corre, mas que prefere isso a comprar uma briga agora com Puccinelli, de quem se diz, ainda, um grande admirador. Assim, depois das rodadas de bobó de galinha interrompidas pela justiça eleitoral, o negócio é aguardar pela próxima grande tacada de marketing dos democratas, restando saber se as obras do PAC podem trazer de volta o fôlego que ele tanto necessita, recuperando o tempo perdido até agora.