Valfrido Silva

debate de idéias, política, economia e cultura regional

31

de
julho

TEXTÍCULOS IV

Contagem regressiva

A partir de hoje os candidatos a prefeito entram na contagem regressiva daquela que é a fase mais delicada e decisiva da campanha eleitoral – os programas de rádio e TV, que começam dia 19 de agosto. Sempre digo que é aí que começa pra valer a disputa, embora tenha candidato que, em pleno século XXI, entenda que comunicação de massa seja bobagem, que o que vale é tapinha nas costas e cafezinho nas casas dos compadres e das comadres. Ledo engano. Vai bater na porta de 133 mil eleitores e espere o resultado. Talvez por isso os números das pesquisas virem sempre de cabeça para baixo quando chega agosto. E, não se esquecendo, é no rádio e na TV que se sabe realmente quem é que tem garrafa vazia pra vender, pois é ali que o eleitor vai conhecer em detalhes os programas de governo, a história de cada candidato ou, em algumas situações, a vida pregressa, como parece ser o caso desses que tem tanta aversão a esse contato mais direto e esclarecedor com o eleitor.

BAIXARIAS – Mesmo sendo Murilo Zauith e Wilson Biasotto homens de alto nível cultural e intelectual, não se descarta a possibilidade de lançarem mão de certos artifícios para que venham às claras algumas histórias cabulosas do principal adversário deles, Ari Artuzi, histórias que correm o “rádio pião” há bastante tempo, histórias que já deram “B.O” e que, com certeza, serão requentadas e servidas fresquinhas ao eleitorado, principalmente no rádio. Sem falar, nas histórias mais recentes e de maior IBOPE.

TURBULÊNCIA – Deu na coluna “de olho”, do jornalista Alfredo Barbara, no Diário MS de hoje, que há turbulência à vista em campanha de candidato a prefeito de uma grande cidade da Grande Dourados. E que, por coincidência, com a chegada de um controvertido personagem, aumentaram os rumores de possível rasteira em companheiro de chapa, que perderia a condição de candidato a vice.

TURBULÊNCIA II – Traduzindo a notinha da “de olho”: a turbulência, não é novidade pra ninguém, é na campanha de Ari Artuzi, e, obviamente nem precisa dizer qual é a grande cidade da Grande Dourados. Quanto ao personagem que chegou à cidade adivinhem? Serginho Castilho, ele mesmo, para dar, talvez, a última sangrada em “seu” candidato. A rasteira? É de Carlinhos Cantor que estão falando, pois o moço, como gostam de dizer os colunistas da “de olho”, não disse a que veio até agora. Nem gasolina consegue arrumar; alguns litrinhos, até agora, e assim mesmo só para os candidatos a vereador do PR.

TURBULÊNCIA III – Informações diretas do “mausoléu” do PDT dão conta que Serginho Castilho retornou com toda pompa, com ares de quem quer retomar o comando das coisas. Primeiro, antes de tentar emplacar, enfim, seu nome, como candidato a vice, vai ter que abafar alguns incêndios internos, trazendo de volta à casa jabutizinho que cabeça coroada tentou fazer descer da árvore à força.

MANEQUIM – A foto legenda da coluna do cururu Cícero Faria, hoje, em O Progresso, com Ari Artuzi dizendo “ajuda eu” a um manequim de loja de roupas faz lembrar a campanha de governador de Zé Elias Moreira, em 1982, quando Zé do Norte, folclórico candidato a vereador, fez o mesmo, estendo a mão a um desses “eleitores” na antiga Pernambuca. Pelo menos, o dito cujo que enganou Zé do Norte tinha cabeça, o que não é o caso do que aparece na foto com Artuzi. Vai ver o deputado acredita também na lenda da mula-sem cabeça.

EURECA! – Falando em Cícero Faria, ainda na coluna dele, hoje, a constatação de um médico da prefeitura: “a saúde de Dourados precisará levar um enorme choque de qualidade com o próximo prefeito”. Esse, pelo jeito, já assimilou o discurso de Murilo Zauith.

PROGRAMA DE ÍNDIO – E os candidatos a prefeito, quando é que vão se posicionar sobre a controvertida portaria da FUNAI que quer devolver aos índios um naco do Mato Grosso do Sul? Sim, porque Dourados está nesta relação!

30

de
julho

TEXTÍCULOS III

Frustração geral

O vice-governador Murilo Zauith protelou o quanto pôde o lançamento de sua candidatura à prefeitura por uma única razão: queria arrancar do governador André Puccinelli o compromisso de que dele teria apoio total e irrestrito. Leia-se: estrutura de campanha. Até porque ninguém é besta de imaginar que esse apoio é apenas político, no aspecto formal, o que André vinha fezendo repetidas vezes, voluntariamente, começando lá na inauguração do prédio do Ministério Público, quando disse que Zauith era o candidato que tinha o melhor galope para ganhar esta corrida. Agora, ontem, depois de uma reunião com o PMDB, em Campo Grande, Puccinelli, reafirmou este apoio e até o quantificou: coisa aí de “cenhão”, “duzentão”, para cada candidato, dinheiro do bolso dele. Envolvimento da máquina? Nem pensar, disse o governador. Será que é pra acreditar… 

ESTRUTURA – Esta é a palavra. Candidato que é candidato, numa cidade do porte de Dourados, quer saber é de estrutura. Isso faz lembrar a eleição de 1996, quando José Elias Moreira, depois de ter perdido para Braz Melo (em 88) resolveu enfrentá-lo novamente, sendo Braz, vice-governador de Wilson Martins, depois da brilhante primeira administração de prefeito. Zé Elias foi até seu líder Pedro Pedrossian, em Campo Grande, quando ouviu a desanimadora pergunta: “e você tem estrutura para a eleição? Pelo menos um caminhão palanque?” Zé Elias voltou pra Dourados, disputou, assim mesmo, e perdeu de novo. 

ESTRUTURA II – Aliás, naquela eleição de Braz e Zé Elias, em 1988, é que foi dado o maior exemplo de uma boa estrutura de campanha. O então governador Marcelo Miranda (hoje DNIT), não deixou faltar nada, mas nada mesmo, a seu pupilo Braz Melo. E assim ele venceu ao todo poderoso Zé Elias, que veio de Brasília com a nova constituição debaixo do braço, com quase setenta por cento de preferência nas pesquisas, mas sem um tostão furado no bolso. 

ESTRUTURA III – Tirante os recursos públicos, que de uma forma ou de outra, direta ou indiretamente, acabam influindo no curso de qualquer campanha eleitoral, o “dim dim” do setor privado é sempre bem vindo e, às vezes, esse é que decide a parada. Mas que empresário que é empresário só libera recursos com pesquisa na mão. Vai dando um pouquinho pra cada um dos que têm alguma chance, até abrir as torneiras quando os números começam a clarear e apontar o favorito. Assim foi, assim é, assim será, como diz o glorioso Alcodan.

ESTRUTURA IV – Cansados de esperar pela tal estrutura prometida pelas respectivas coordenações, candidatos a vereador andam de porta em porta, de pires na mão, choramingando por alguns caraminguás que garantam pelo menos a gasolina nossa de cada dia. Empresário acostumado dar uma ajudinha pra cada um, este ano já trocou até o número do celular e arrumou uma saída de emergência em sua mansão, pois sempre que acorda se depara com um grupo desses pedintes em seu portão.

ESTRUTURA V – Candidato a vereador que costuma ficar em coordenação esperando por recursos, pode ir tirando o cavalinho da chuva. A melhor receita é reunir algumas requisições de gasolina e transformar em dinheiro, passar numa sapataria, comprar um bom par de botinas e cair na quiçaça. É o jeito mais fácil de garantir uma vaguinha no Jaguaribe.

ESTRUTURA VI – Não é o caso, evidentemente, de alguns ponteiros, tipo Marcelo Barros, Sidlei Alves, Zézinho da Farmácia, Délia Razuk, Ishi, Cimatti e Jorginho Dauzacker (lugar tenente e Artuzi) além de meu amigo Ferrinho, que já deve ter gasto uns três pares de botinas.

29

de
julho

TEXTÍCULOS II

Matemática eleitoral

O ex-deputado João Grandão, coordenador da campanha do professor Biasotto, tem motivos de sobra para acreditar que a terra de Dourados vai continuar vermelha por pelo menos mais quatro anos. Pelas suas contas o 13 do PT entra agosto multiplicado por dois. Ele acha também que Artuzi, depois de burlar as leis do trânsito pela periferia, a mais de 60, tem que se preocupar agora é com o poder de fogo de seu Shimidt 38 se não quiser acabar esta guerra com um Rossi 22, tudo por causa do fiasco dos tiros de 12. Quanto a Murilo Grandão não acredita que Puccinelli vá apostar seus 15 palitos só em Dourados; no máximo uns 3 ou 5, que, mesmo somados aos 25 da Unigran, não representam grande perigo.

Programa legal – Grandão, aliás, tranqüiliza a militância petista, garantindo que a produção do programa de TVde Biasotto vai ser feita por quem entende do riscado, gente vinda de São Paulo. Ufa! Quem sabe assim eles conseguem vender melhor o peixe da administração petista e alavancar a candidatura do outro professor.

Coringão – Como acontece em qualquer loja de material esportivo, onde sempre faltam peças publicitárias com a logomarca do Corinthians, porque se esgotam com mais facilidade, também a campanha de Murilo Zauith está afetada pelo fenômeno corinthiano. Nos estoques de santinhos distribuídos no sábado pela “marcelha”, sobravam os que no verso tinham o escudo do Santos, do Palmeiras e até do local 7 de Setembro, mas, do timão, nada!, para frustração da molecada que gosta de jogar “bafo” com os tais santinhos.

Pintados unidos – Em alto estilo, o professor Idenor Machado lançou ontem sua candidatura a vereador na sede social do Clube Nipônico. A grande esperança do ex-secretário de Educação de Braz Melo é que desta vez, com a paz reinando na “República do Panambi” ele consiga entrar como titular no Palácio Jaguaribe. Na eleição passada, brigado com o irmão Valdenir, ele só conseguiu chegar como primeiro suplente.

Pintadinho rebelde – Se, por um lado o professor Idenor Machado está feliz da vida depois de ter feito as pazes com o irmão ex-deputado, sob as bênçãos de titio Murilo, continua frustrado por não conseguir tirar o caçula Zé Machado da campanha de Ari Artuzi. Pior, lá, o churrasqueiro Zézinho ainda trabalha pro “Ramim”, fiel escudeiro de Totó Câmara que quer representar o povo da Cabeceira Alegre, também no Jaguaribe.

Mudando o discurso – Saiu em “O Progresso” hoje: “Murilo vai levar asfalto ao Grande Itália e Erondina”. Uai, não era para a cidade toda? Será que foi por terra o discurso do choque total com 100% de tudo para todos?

Maus presságios – Saiu no Diário MS de hoje que Artuzi é o candidato que lidera as ações na justiça contra a imprensa. Isso porque ele é só candidato, já imaginaram se virasse prefeito? 

Mausoléu – O diretório do PDT, à rua João Rosa Góes, se transformou num depositário dos ideais de Leonel Brizola e Harrison de Figueiredo. Nada mais, pois só as paredes cheias de inscrições com pensamentos de Figueiredo e alguns poucos materiais de propaganda da cartilha brizolista lembram que ali um dia foi sede de partido, depois que os caciques pedetistas largaram Ari Artuzi ladeira abaixo.

28

de
julho

TEXTÍCULOS

Águas passadas não movem moinho. Assim é que, a partir de hoje, para dar mais agilidade ao blog, vou procurar informar com mais rapidez sobre os bastidores da política – e nem poderia ser diferente, em plena campanha eleitoral - e também sobre os demais temas, como o desenvolvimento e a cultura regionais. Daí o porquê do título da nova seção, com mil perdões pelo neologismo. De antemão, ninguém é obrigado a ficar agarrado aos meus textículos! Uma vez por semana, prometo me aprofundar mais em um determinado tema, até para não perder o costume.

Por trás de um grande candidato, uma grande candidata à primeira dama! Foi isso que tentou passar à militância no sábado de manhã, em plena Marcelino Pires, dona Cecília Zauith. Santinhos e adesivos à mão, a sobrinha de meu saudoso amigo Boris Grinberg dava a voz de comando, não deixando em paz os cabos eleitorais que perdessem muito tempo pedindo votos.

Entre os muitos carros de som que circulavam pela velha “marcelha” no sábado, um, particularmente, chamava a atenção: o do candidato Marcelo Barros, dirigido por uma ex-secretária de Ari Artuzi, mais especificamente, a moça que cuidava da agenda do pedetista.

Não sei se por causa da mesa farta de petiscos e de cerveja à vontade, nenhum candidato deu as caras no lançamento do livro “Ribeiro”, lançado no bufe Luzly. A história do arquiteto Luiz Carlos Ribeiro, a respeito do exercício de cidadania, é escrita pelo colega Luiz Carlos Luciano, o mesmo que deu uma canja na orelha do meu “Sonhos e Pesadelos”.

O título “Ribeiro”, segundo os dois Luiz Carlos, não tem nada a ver com a história do arquiteto que é ligado às causas ambientais, a maioria delas ribeirinhas, com é o caso do nosso Laranja Doce.

A primeira parte de “Ribeiro” é uma viagem a Cuba, bem no estilo “A ilha”, best-seller que marcou a carreira do jornalista Fernando Moraes, que depois escreveu Chatô.

Já que falei de “Sonhos e pesadelos” tive um sonho outro dia, mais parecido com um pesadelo e, acredite, eu perdi um vôo que decolou do antigo aeroporto da Cabeceira Alegre, cuja pista começava ali onde está a sede penhorada do Ubiratan. E o que aconteceu com o Boeing em que eu embarcaria? Caiu logo depois de decolar, espatifando-se todo na “braquiária”. Antes dele havia decolado o Ari Bus presidencial, que aqui veio para trazer o presidente Lula para a largada da campanha de Wilson Biasotto.


A questão da demarcação das terras indígenas promete incendiar os movimentos populares nos próximos dias. Os proprietários rurais já se preparam com pareceres jurídicos e prometem fazer lobby junto à grande imprensa para esclarecer tim tim por tim tim as questões antropológicas que podem fazer muita gente boa virar sem terra também no MS.

Para o começo está bom, né? Amigos, participem, mas por favor, com seus nomes verdadeiros, sem pseudônimos, para que o debate seja mais ético e salutar. Como diria o Russo, fuuuuuuuuuuuuuiiiiiii! Mas não vou pro Mato Groso não, vou ficar aqui mesmo!

24

de
julho

A guerra das pesquisas

Começada, efetivamente, a campanha eleitoral, vem agora o vai-e-vem ou o sobe-e-desce das pesquisas eleitorais. Mais claro que como dois e dois são quatro (e não cinco como canta Roberto Carlos) que quem larga na frente, por mais competente que seja, tem dificuldade para lá se manter, valendo a lógica inversa para os retardatários. E, pelo que se vê nas notinhas cifradas das colunas políticas, já tem muita gente com diarréia por aí, tamanha é a velocidade da queda livre.

Normalmente os grandes prejudicados neste processo são aqueles que, por suas condições de “candidatos naturais” estiveram mais tempo no páreo. Temos um exemplo não muito distante, em Dourados, da candidatura favoritíssima de José Elias Moreira à prefeitura, abatida na reta final pelo novato Braz Melo, na controvertida eleição dos quarenta votos de vantagem, apenas, da urna 182, da escola Tancredo Neves. Zé Elias, para quem não se lembra, largou com uma vantagem de cerca de setenta por cento dos votos; Braz, com insignificantes cinco por cento. Para quem não se lembra também, Zé Elias já havia sido um grande prefeito e candidato a governador, estando, à época da eleição, terminando de escrever a nova Constituição Brasileira, era forte mas não tinha apoio do governo do Estado, que apoiou Braz Melo. E a história se repetiu em outras situações adiante.

Tirante os grandes institutos de pesquisas, que publicam seus números nos grandes veículos de comunicação, como o IBOPE, pela TV Globo e o DataFolha, na própria Folha de S. Paulo, Vox Populi e mais dois ou três, os demais institutos ficam a serviço de candidatos, alguns, não tão sérios, maquiando números para agradar o cliente ou até mesmo para tentar mudar a tendência do eleitorado. E isso acontece principalmente nesta fase inicial da campanha, já que quando o jogo vai para a fase derradeira os números, obrigatoriamente, têm de se ajustar à realidade eleitoral, sob pena de desmoralização de quem os apresenta.

O pior de tudo isso é que ainda existem políticos que gostam de ser enganados, que acreditam em pesquisas feitas por companheiros ou companheiras, em fundos de quintal, ou, pior, aqueles que não têm a sensibilidade para ouvir o murmúrio das ruas e insistem em cantar vitória antes do tempo. É aí que a vaca começa a ir pro brejo.

23

de
julho

Atendendo a pedidos….

Esta é a matéria que O PROGRESSO deu quando de minha saída da campanha de ARtuzi…..

 

arq: valfrido

Rompimento
Marketeiro deixa
campanha de Ari
Valfrido acusa partido de ingerência; presidente do PDT diz que saída é boa para campanha
PDT PREPARA
NOVO NOME
PARA ASSUMIR
O MARTKETING
DA CAMPANHA
DE ARI ARTUZI

Marcos Santos

DOURADOS – Alegando ingerências e desavenças na coordenação geral da campanha do deputado licenciado Ari Artuzi, que disputa a Prefeitura de Dourados, o jornalista Valfrido Silva anunciou ontem que não responde mais pelo marketing do candidato. O rompimento foi confirmado nas primeiras horas da manhã por sites de notícias que acompanham a campanha eleitoral em Dourados. Em todas as entrevistas, Valfrido Silva disse que a mídia estava bem delineada, mas algumas ingerências vinham provocando desavenças. "Tentei dar um rumo pro nosso candidato, organizar a ação dele no sentido de consolidar o projeto eleitoral, mas infelizmente há outros compromissos e tem gente que não quer saber dessa metodologia", explicou.
A rejeição ao trabalho de Valfrido Silva teve início logo na apresentação das peças publicitárias. “Ele entendia que o conceito da campanha era mais importante que o candidato, quando deveria ser justamente o contrário”, explica Sérgio Castilho, presidente da Executiva Municipal do PDT e desafeto declarado de Valfrido Silva. “A saída dele será boa para a campanha do Artuzi porque possibilitará a participação de outros profissionais na elaboração das peças publicitárias”, conclui Castilho. Para o presidente do PDT, Valfrido Silva agia como “dono da verdade, não queria ouvir os demais profissionais envolvidos com a campanha e tentava sempre impor suas vontades”.
Sérgio Castilho, que se afastou da coordenação da campanha justamente por divergir de Valfrido Silva, adiantou ontem que a Executiva Estadual do PDT já estava contratando um novo profissional para comandar o marketing em Dourados. “A mídia de TV já seria feita por outra equipe mesmo”, avisa. “O que muda é que a partir de agora, outro profissional chegará para pensar a campanha como um todo, compartilhando idéias, ouvindo as pessoas que estão na coordenação e colocando o candidato como a peça mais importante nesta caminhada pela Prefeitura de Dourados”, conclui Sérgio Castilho.
CONFRONTO – A saída de Valfrido Silva da campanha de Ari Artuzi teria sido motivada por uma ríspida discussão que teria ocorrido entre ambos no início da noite de anteontem. Inconforma-do com a intervenção do marqueteiro, durante um episódio onde ele (Artuzi) criticava abertamente seus adversários, o candidato a prefeito teria dirigido palavras grosseiras a Valfrido Silva que, por sua vez, teria revidado no mesmo nível. “A coisa foi feia e só não acabou em agressão porque as pessoas que estavam participando da reunião intervieram”, conta um integrante da Executiva Municipal do PDT que testemunhou o episódio, mas pediu para não ter o nome revelado.
Ainda de acordo com ele, a Executiva do partido não estava satisfeita com Valfrido Silva desde o início dos trabalhos, em junho. “Ele não estava tendo um comportamento profissional e não acei-tava as críticas que estavam sendo feitas às peças publicitárias que ele criou para a campanha”, revela. “Ele não deixou a campanha apenas porque brigou com o deputado Ari Artuzi, mas, princi-palmente, porque todo partido estava insatisfeito com o trabalho que vinha realizando na coordenação do marketing”, finaliza.
A campanha de Ari Artuzi está sendo coordenada pelo vereador Carlinhos Cantor, candidato a vice-prefeito, com colaboração do deputado federal Vander Loubet (PT), do ex-secretário de Governo, Raufi Marques (PT) e do ex-governador Zeca do PT, além do deputado federal Dagober-to Nogueira (PDT). No final da tarde de ontem, o presidente da Executiva Municipal do PDT, Sérgio Castilho, negou que o presidente do Diretório Regional, deputado Ary Rigo, viajaria até Dourados para intervir na possível crise aberta com a demissão de Valfrido Silva. “Não existe crise, portanto não tem porque o deputado Rigo seguir até Dourados”, explicou Castilho, que estava em Campo Grande. “Esta questão está superada e todos estão concentrados na campanha”, finalizou.

Foto: Hédio Fazan

Legenda – Sérgio Castilho durante convenção do PDT: “saída de Valfrido será boa para a campanha”

 

E ESTA, A QUE CONTÉM A MINHA RESPOSTA

 

arq: outro

ELEIÇÕES 2008
———————-
Valfrido justifica saída da campanha
Jornalista afirma que o único setor que vinha funcionando na campanha de Artuzi era o de marketing
VALFRIDO
DIZ QUE EXISTE CRISE NA EQUIPE DE ARTUZI POR FALTA DE
COMANDO

DOURADOS – O jornalista Valfrido Silva justificou ontem a saída da coordenação de marketing da campanha do deputado Ari Artuzi (PDT), candidato a prefeito de Dourados na coligação que tem o vereador Carlinhos Cantor (PR) como vice. “Quando o presidente do PDT, Sergio Castilho, diz que minha saída será boa para a campanha, certamente, na ótica dele, isto é bom, pois tudo o que ele fez até aqui foi travar a campanha do deputado Ari Artuzi, dificultando o diálogo para formação de coligações”, afirma Valfrido.
Segundo o marketeiro, o presidente do PDT Municipal alimentava o sonho de ser escolhido como vice na chapa do deputado e “como não conseguiu, decidiu trabalhar contra a candidatura”. “Tanto é como presidente da legenda de Artuzi, nem se deu ao trabalho de registrar a chapa na Justiça Eleitoral dentro do prazo legal e Artuzi que fazê-lo fora do prazo, individualmente”, afirma.
Valfrido também nega rejeição às peças publicitárias. “Não é verdade que meu trabalho foi rejeitado desde o início. Todas as peças publicitárias foram aprovadas, por unanimidade e o Sérgio Castilho estava presente quando da apresentação do material ao deputado Dagoberto Nogueira, que elogiou o trabalho, fazendo pequenas ressalvas quanto ao posicionamento da mão do candidato numa das fotos, detalhes e tonalidades de cores, nada mais”, afirma Valfrido.
Segundo o marqueteiro, as únicas divergências foram com relação à grafia do conceito, tudo em minúsculo, por se tratar de uma linguagem moderna e virtual e com relação ao nome Artuzi, com o deputado insistindo em acres-centar o Ari, mas “sendo demovido desta idéia depois de nossas argumentações técnicas e conceituais”.
Ainda segundo Valfrido, não é verdade que Sérgio Castilho se afastou da campanha por divergir das idéias de marketing. “Ele foi afastado a pedido do deputado Artuzi, depois do tanto que desagregou, em todos os níveis e com todos os partidos”, afirma. “Quando Sergio Castilho informa que o PDT já estava providenciando um novo marqueteiro, ele deixa claro que está esquivando-se do compromisso que assumiu comigo e com toda a equipe de marketing, na presença de João Leite Schimidt e do próprio Artuzi”, afirma Valfrido.
O marketeiro também minimizou a discussão com Ari Artuzi na tarde de domingo. “Não é verdade também que o deputado teria me dito palavras grosseiras quando de nosso desentendimento, nem havia ninguém do PDT por perto, já que o partido se afastou da campanha desde antes da convenção”, garante.
“Finalmente, quanto ao fato de Carlinhos Cantor afirmar que não existe crise, não é verdade. Existe e é grande, estrutural, por falta de comando. E o único setor que vinha funcionando, apesar de todos os problemas, era o de marketing”, enfatiza. “Saí da campanha, sim, no domingo, porque flagrei Artuzi e Carlinhos cantor em atitude anti-ética, numa tentativa de cooptar um membro de minha equipe, não sei com que objetivos, o que também não é muito difícil de imaginar, diante do exposto”, finaliza.

Valfrido Silva deixou a equipe do candidato Ari Artuzi
Foto/Divulgação

20

de
julho

Biasotto, o azarão?

Pela minha experiência de campanhas eleitorais em Dourados digo sempre que quando começam os programas de rádio e TV é que a coisa começa a se definir. A partir daí, uma outra eleição. Não será diferente este ano, embora o deputado Ari Artuzi apareça desde o início como grande favorito, mas um favoritismo que certamente não resistirá a tantas trapalhadas de um candidato que, pra começar, é vítima do próprio partido que o soltou ladeira abaixo nem se dando ao trabalho de registrar sua candidatura.

Artuzi consolidou uma grande vantagem a partir do momento em que peitou o poderio do governador André Puccinelli, colocando-se de forma intransigente como candidato e quebrando paradigmas ao desafiar a lógica de que o candidato do governo do estado, seja quem for seu titular, é sempre o eleito. Pode ser que aconteça, de novo, já que Murilo Zauith é um nome bem avaliado nas classes A e B, bem estruturado, embora, ainda, muito mal assessorado e cometendo os mesmos equívocos de pleitos anteriores, com uma campanha fantasiosa e prometendo o que, seguramente, não poderá cumprir. Nem o visual surrado de campanha se deu ao luxo de trocar, passando a imagem de desleixo e desinteresse pela coisa.

A grande novidade até agora, depois dos dois primeiros debates, é a performance do professor, doutor, Wilson Biasotto. Com dificuldades até para encontrar um candidato a vice, vítima do processo normal de desgaste de uma administração muito boa, mas mal vendida ao público, Biasotto largou com chance zero segundo as pesquisas, mas coloca-se diante do eleitorado, nesses debates, com bastante veemência, mostrando preparo, sinceridade e competência.

 
Registre-se que a militância petista é um exército parecido à torcida do Corinthians e certamente terá muito mais motivos para ir às ruas a partir da anunciada vinda do presidente Lula a Dourados, para alavancar a candidatura petista. E mais, com a candidatura Artuzi começando a fazer água, ele, Biasotto, certamente será o maior beneficiado, pelo perfil dos eleitores descamisados que torcem o nariz, definitivamente, para Zauith. Tudo o que Biasotto precisa agora é que venham mais debates (só na Grande FM serão mais três, mais o da TV Morena), e os programas de rádio e TV. Só não pode ficar nesse juguinho de compadre com o demo.

17

de
julho

O Titanic e o ajuda eu como S.O.S

Tempos atrás só visitava o bairro Cachoeirinha em vésperas de eleições para, como jornalista, acompanhar o espetáculo degradante da compra de votos. Mais recentemente vou até lá de vez em quando para compartilhar a boa prosa do bar do Paulo, em companhia dos amigos Cesar Lutti, Afeif Hajj, João Botega e do Itamar, neto do nosso lendário Laquicho. Neste último domingo fui mandado pra lá às pressas, no meio da tarde, numa esquisita missão política. Lá chegando, não encontrando quem deveria encontrar, comecei a zanzar pra lá e pra cá, na tentativa de entender o porquê de tanta indiferença do poder público para com aquela gente tão sofrida.

De repente, uma melodia, saída de uma caixa de som desses carrinhos populares, invade as ruas poeirentas e vai se misturando aos vários sons de radinhos de pilhas de trabalhadores que se enfileiram sentados em suas cadeiras de fios no único dia que lhes resta de descanso. O som daquela melodia mais parecendo um lamento ou pedido de socorro, com o refrão “ajuda eu, ajuda eu, ajuda eu”, parece encomendado por aquela gente que insiste em desafiar a insensibilidade do poder público que sequer consegue encontrar alguma química para tornar menos fedorento o que sobra da fartura da cidade, que para lá corre exala pelo suspiro da estação de tratamento de esgoto ali ao lado.

Depois de mais de duas horas de inútil espera, já meio grogue com aquele mau cheiro, mas ainda extasiado com os efeitos da tal musiquinha, principalmente entre as crianças e adolescentes do bairro, depois da também inútil tentativa de entender o que queria me transmitir um grupo de sete surdos mudos e de um papo pra lá de animado com um bêbado todo esfolado no rosto e com forte cheiro de urina, eis que um telefonema me traz de volta à realidade. Chispo para o centro da cidade, com o coração acelerado, com o pressentimento de que a orientação para ali permanecer não passara de um despiste. Quanto mais me aproximava do centro, outro cheiro invadia minhas narinas, um cheiro forte de conspiração. Ao subir a rua do hospital Santa Rita, na dúvida entre uma paradinha para aferir a pressão e seguir para casa, onde minha Anita me aguardava uma aguinha com açúcar, vejo uma movimentação esquisita no local onde até alguns dias tremulava fulgurante e fagueira a bandeira do glorioso partido de inspiração varguista. Resolvo entrar. Não acredito no que vejo. Sou acometido por um mal súbito. Sinto uma terrível dor nas costas, como se um punhal perfurasse meus pulmões. Escurecem-se as vistas. Perco a razão.

Ao acordar do pesadelo, já na segunda-feira, a música que toca na minha cabeça é a de um violino, tão suave como aquela que serviu de bálsamo para os náufragos do Titanic que relutavam em se jogar ao mar, depois do choque com o iceberg. A imagem que permanece em minha mente é esta, a do Titanic rachado, afundando, com muita gente tentando se segurar, mas sabendo que o inevitável está ali, no fundo do mar gelado.

5

de
julho

Por uma questão de ética

Tarde de sexta-feira, 4 de julho, data memorável para os americanos do Norte, depois de um breve período de inatividade, aqui, por força das circunstâncias políticas, de muitos solavancos, de punhaladas pelas costas e de algumas decepções; depois de uma noite infernal, pelo susto com o acidente de moto que tirou momentaneamente de combate meu bravo caçulinha, o soldado Torquato, cá estou, a refletir sobre os últimos acontecimentos, às vésperas do início desta que promete ser uma das mais renhidas disputas eleitorais dos últimos tempos em Dourados.

Daqui do alto da torre Adelina Rigotti contemplo a imensidão do verde que some no horizonte em direção ao Sul, de onde, exatos cem anos atrás, meu bisavô José Luiz da Silva (seu Urbano) enfileirou doze piás, fazendo-os subir num carro de boi, catou a véia e partiu em direção à terra prometida, a mesma terra que mais tarde chamaria a atenção do presidente Getúlio Vargas para nela instalar uma Colônia Agrícola Nacional, o que proporcionaria a descida dos primeiros pau-de-arara lotados de nordestinos igualmente esperançosos de aqui encontrarem terra boa e fartura para uma vida melhor.

Nestes tempos de eleições, de novas promessas e de compromissos políticos, nada melhor do que reverenciar um Getúlio, o maior presidente da história do Brasil, embora alguns novatos, desinformados e maledicentes entendam que falar daquele que foi verdadeiramente o pai dos pobres é pieguice, daí não entenderem a relação entre Vargas e os que hoje tentam manter vivos seus ideais.

Nestes mesmos tempos em que se afloram as discussões sobre conceitos éticos nada melhor do que reverenciar um José Luiz da Silva. Não conheci meu bisavô, mas a julgar pela índole e pelo caráter de um de seus doze filhos, João Evangelista Luiz da Silva, meu avô, o velho Gelista, fazendeirão do Guaçu, e, depois, no fim da vida, um humilde carroceiro da Cabeceira Alegre, sinto que, se nesta eleição, o povo votar por valores morais mais arraigados, já terá valido a pena, tudo.

Aos que usam a política apenas para se locupletarem, pensando em ganhar dinheiro fácil, atropelando a tudo e a todos, estes, sim, traidores de causas maiores, que percam um minuto só e parem ali na esquina da presidente Vargas com Joaquim Teixeira Alves, que leiam e meditem sobre as sábias palavras do próprio Vargas em sua carta testamento à Nação. Nunca é tarde para rever conceitos.

Por uma questão de ética, por estar envolvido na disputa, como coordenador de comunicação e marketing de um dos candidatos, nestes próximos noventa dias vou me abster de entrar no mérito da disputa política local, mas continuarei aqui, firme e forte para falar de Dourados, de sua gente, do Brasil e do mundo.

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