Valfrido Silva

debate de idéias, política, economia e cultura regional

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Terra Blog

Arquivo de: Julho 2008

31.07.08

TEXTÍCULOS IV

Contagem regressiva

A partir de hoje os candidatos a prefeito entram na contagem regressiva daquela que é a fase mais delicada e decisiva da campanha eleitoral – os programas de rádio e TV, que começam dia 19 de agosto. Sempre digo que é aí que começa pra valer a disputa, embora tenha candidato que, em pleno século XXI, entenda que comunicação de massa seja bobagem, que o que vale é tapinha nas costas e cafezinho nas casas dos compadres e das comadres. Ledo engano. Vai bater na porta de 133 mil eleitores e espere o resultado. Talvez por isso os números das pesquisas virem sempre de cabeça para baixo quando chega agosto. E, não se esquecendo, é no rádio e na TV que se sabe realmente quem é que tem garrafa vazia pra vender, pois é ali que o eleitor vai conhecer em detalhes os programas de governo, a história de cada candidato ou, em algumas situações, a vida pregressa, como parece ser o caso desses que tem tanta aversão a esse contato mais direto e esclarecedor com o eleitor.

BAIXARIAS – Mesmo sendo Murilo Zauith e Wilson Biasotto homens de alto nível cultural e intelectual, não se descarta a possibilidade de lançarem mão de certos artifícios para que venham às claras algumas histórias cabulosas do principal adversário deles, Ari Artuzi, histórias que correm o “rádio pião” há bastante tempo, histórias que já deram “B.O” e que, com certeza, serão requentadas e servidas fresquinhas ao eleitorado, principalmente no rádio. Sem falar, nas histórias mais recentes e de maior IBOPE.

TURBULÊNCIA – Deu na coluna “de olho”, do jornalista Alfredo Barbara, no Diário MS de hoje, que há turbulência à vista em campanha de candidato a prefeito de uma grande cidade da Grande Dourados. E que, por coincidência, com a chegada de um controvertido personagem, aumentaram os rumores de possível rasteira em companheiro de chapa, que perderia a condição de candidato a vice.

TURBULÊNCIA II – Traduzindo a notinha da “de olho”: a turbulência, não é novidade pra ninguém, é na campanha de Ari Artuzi, e, obviamente nem precisa dizer qual é a grande cidade da Grande Dourados. Quanto ao personagem que chegou à cidade adivinhem? Serginho Castilho, ele mesmo, para dar, talvez, a última sangrada em “seu” candidato. A rasteira? É de Carlinhos Cantor que estão falando, pois o moço, como gostam de dizer os colunistas da “de olho”, não disse a que veio até agora. Nem gasolina consegue arrumar; alguns litrinhos, até agora, e assim mesmo só para os candidatos a vereador do PR.

TURBULÊNCIA III – Informações diretas do “mausoléu” do PDT dão conta que Serginho Castilho retornou com toda pompa, com ares de quem quer retomar o comando das coisas. Primeiro, antes de tentar emplacar, enfim, seu nome, como candidato a vice, vai ter que abafar alguns incêndios internos, trazendo de volta à casa jabutizinho que cabeça coroada tentou fazer descer da árvore à força.

MANEQUIM – A foto legenda da coluna do cururu Cícero Faria, hoje, em O Progresso, com Ari Artuzi dizendo “ajuda eu” a um manequim de loja de roupas faz lembrar a campanha de governador de Zé Elias Moreira, em 1982, quando Zé do Norte, folclórico candidato a vereador, fez o mesmo, estendo a mão a um desses “eleitores” na antiga Pernambuca. Pelo menos, o dito cujo que enganou Zé do Norte tinha cabeça, o que não é o caso do que aparece na foto com Artuzi. Vai ver o deputado acredita também na lenda da mula-sem cabeça.

EURECA! – Falando em Cícero Faria, ainda na coluna dele, hoje, a constatação de um médico da prefeitura: “a saúde de Dourados precisará levar um enorme choque de qualidade com o próximo prefeito”. Esse, pelo jeito, já assimilou o discurso de Murilo Zauith.

PROGRAMA DE ÍNDIO – E os candidatos a prefeito, quando é que vão se posicionar sobre a controvertida portaria da FUNAI que quer devolver aos índios um naco do Mato Grosso do Sul? Sim, porque Dourados está nesta relação!





30.07.08

TEXTÍCULOS III

Frustração geral

O vice-governador Murilo Zauith protelou o quanto pôde o lançamento de sua candidatura à prefeitura por uma única razão: queria arrancar do governador André Puccinelli o compromisso de que dele teria apoio total e irrestrito. Leia-se: estrutura de campanha. Até porque ninguém é besta de imaginar que esse apoio é apenas político, no aspecto formal, o que André vinha fezendo repetidas vezes, voluntariamente, começando lá na inauguração do prédio do Ministério Público, quando disse que Zauith era o candidato que tinha o melhor galope para ganhar esta corrida. Agora, ontem, depois de uma reunião com o PMDB, em Campo Grande, Puccinelli, reafirmou este apoio e até o quantificou: coisa aí de “cenhão”, “duzentão”, para cada candidato, dinheiro do bolso dele. Envolvimento da máquina? Nem pensar, disse o governador. Será que é pra acreditar... 

ESTRUTURA – Esta é a palavra. Candidato que é candidato, numa cidade do porte de Dourados, quer saber é de estrutura. Isso faz lembrar a eleição de 1996, quando José Elias Moreira, depois de ter perdido para Braz Melo (em 88) resolveu enfrentá-lo novamente, sendo Braz, vice-governador de Wilson Martins, depois da brilhante primeira administração de prefeito. Zé Elias foi até seu líder Pedro Pedrossian, em Campo Grande, quando ouviu a desanimadora pergunta: “e você tem estrutura para a eleição? Pelo menos um caminhão palanque?” Zé Elias voltou pra Dourados, disputou, assim mesmo, e perdeu de novo. 

ESTRUTURA II – Aliás, naquela eleição de Braz e Zé Elias, em 1988, é que foi dado o maior exemplo de uma boa estrutura de campanha. O então governador Marcelo Miranda (hoje DNIT), não deixou faltar nada, mas nada mesmo, a seu pupilo Braz Melo. E assim ele venceu ao todo poderoso Zé Elias, que veio de Brasília com a nova constituição debaixo do braço, com quase setenta por cento de preferência nas pesquisas, mas sem um tostão furado no bolso. 

ESTRUTURA III – Tirante os recursos públicos, que de uma forma ou de outra, direta ou indiretamente, acabam influindo no curso de qualquer campanha eleitoral, o “dim dim” do setor privado é sempre bem vindo e, às vezes, esse é que decide a parada. Mas que empresário que é empresário só libera recursos com pesquisa na mão. Vai dando um pouquinho pra cada um dos que têm alguma chance, até abrir as torneiras quando os números começam a clarear e apontar o favorito. Assim foi, assim é, assim será, como diz o glorioso Alcodan.

ESTRUTURA IV – Cansados de esperar pela tal estrutura prometida pelas respectivas coordenações, candidatos a vereador andam de porta em porta, de pires na mão, choramingando por alguns caraminguás que garantam pelo menos a gasolina nossa de cada dia. Empresário acostumado dar uma ajudinha pra cada um, este ano já trocou até o número do celular e arrumou uma saída de emergência em sua mansão, pois sempre que acorda se depara com um grupo desses pedintes em seu portão.

ESTRUTURA V – Candidato a vereador que costuma ficar em coordenação esperando por recursos, pode ir tirando o cavalinho da chuva. A melhor receita é reunir algumas requisições de gasolina e transformar em dinheiro, passar numa sapataria, comprar um bom par de botinas e cair na quiçaça. É o jeito mais fácil de garantir uma vaguinha no Jaguaribe.

ESTRUTURA VI – Não é o caso, evidentemente, de alguns ponteiros, tipo Marcelo Barros, Sidlei Alves, Zézinho da Farmácia, Délia Razuk, Ishi, Cimatti e Jorginho Dauzacker (lugar tenente e Artuzi) além de meu amigo Ferrinho, que já deve ter gasto uns três pares de botinas.

29.07.08

TEXTÍCULOS II

Matemática eleitoral

O ex-deputado João Grandão, coordenador da campanha do professor Biasotto, tem motivos de sobra para acreditar que a terra de Dourados vai continuar vermelha por pelo menos mais quatro anos. Pelas suas contas o 13 do PT entra agosto multiplicado por dois. Ele acha também que Artuzi, depois de burlar as leis do trânsito pela periferia, a mais de 60, tem que se preocupar agora é com o poder de fogo de seu Shimidt 38 se não quiser acabar esta guerra com um Rossi 22, tudo por causa do fiasco dos tiros de 12. Quanto a Murilo Grandão não acredita que Puccinelli vá apostar seus 15 palitos só em Dourados; no máximo uns 3 ou 5, que, mesmo somados aos 25 da Unigran, não representam grande perigo.

Programa legal – Grandão, aliás, tranqüiliza a militância petista, garantindo que a produção do programa de TVde Biasotto vai ser feita por quem entende do riscado, gente vinda de São Paulo. Ufa! Quem sabe assim eles conseguem vender melhor o peixe da administração petista e alavancar a candidatura do outro professor.

Coringão – Como acontece em qualquer loja de material esportivo, onde sempre faltam peças publicitárias com a logomarca do Corinthians, porque se esgotam com mais facilidade, também a campanha de Murilo Zauith está afetada pelo fenômeno corinthiano. Nos estoques de santinhos distribuídos no sábado pela “marcelha”, sobravam os que no verso tinham o escudo do Santos, do Palmeiras e até do local 7 de Setembro, mas, do timão, nada!, para frustração da molecada que gosta de jogar “bafo” com os tais santinhos.

Pintados unidos – Em alto estilo, o professor Idenor Machado lançou ontem sua candidatura a vereador na sede social do Clube Nipônico. A grande esperança do ex-secretário de Educação de Braz Melo é que desta vez, com a paz reinando na “República do Panambi” ele consiga entrar como titular no Palácio Jaguaribe. Na eleição passada, brigado com o irmão Valdenir, ele só conseguiu chegar como primeiro suplente.


Pintadinho rebelde – Se, por um lado o professor Idenor Machado está feliz da vida depois de ter feito as pazes com o irmão ex-deputado, sob as bênçãos de titio Murilo, continua frustrado por não conseguir tirar o caçula Zé Machado da campanha de Ari Artuzi. Pior, lá, o churrasqueiro Zézinho ainda trabalha pro “Ramim”, fiel escudeiro de Totó Câmara que quer representar o povo da Cabeceira Alegre, também no Jaguaribe.

Mudando o discurso – Saiu em “O Progresso” hoje: “Murilo vai levar asfalto ao Grande Itália e Erondina”. Uai, não era para a cidade toda? Será que foi por terra o discurso do choque total com 100% de tudo para todos?

Maus presságios – Saiu no Diário MS de hoje que Artuzi é o candidato que lidera as ações na justiça contra a imprensa. Isso porque ele é só candidato, já imaginaram se virasse prefeito? 

Mausoléu – O diretório do PDT, à rua João Rosa Góes, se transformou num depositário dos ideais de Leonel Brizola e Harrison de Figueiredo. Nada mais, pois só as paredes cheias de inscrições com pensamentos de Figueiredo e alguns poucos materiais de propaganda da cartilha brizolista lembram que ali um dia foi sede de partido, depois que os caciques pedetistas largaram Ari Artuzi ladeira abaixo.



28.07.08

TEXTÍCULOS

Águas passadas não movem moinho. Assim é que, a partir de hoje, para dar mais agilidade ao blog, vou procurar informar com mais rapidez sobre os bastidores da política – e nem poderia ser diferente, em plena campanha eleitoral - e também sobre os demais temas, como o desenvolvimento e a cultura regionais. Daí o porquê do título da nova seção, com mil perdões pelo neologismo. De antemão, ninguém é obrigado a ficar agarrado aos meus textículos! Uma vez por semana, prometo me aprofundar mais em um determinado tema, até para não perder o costume.

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Por trás de um grande candidato, uma grande candidata à primeira dama! Foi isso que tentou passar à militância no sábado de manhã, em plena Marcelino Pires, dona Cecília Zauith. Santinhos e adesivos à mão, a sobrinha de meu saudoso amigo Boris Grinberg dava a voz de comando, não deixando em paz os cabos eleitorais que perdessem muito tempo pedindo votos.

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Entre os muitos carros de som que circulavam pela velha “marcelha” no sábado, um, particularmente, chamava a atenção: o do candidato Marcelo Barros, dirigido por uma ex-secretária de Ari Artuzi, mais especificamente, a moça que cuidava da agenda do pedetista.

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Não sei se por causa da mesa farta de petiscos e de cerveja à vontade, nenhum candidato deu as caras no lançamento do livro “Ribeiro”, lançado no bufe Luzly. A história do arquiteto Luiz Carlos Ribeiro, a respeito do exercício de cidadania, é escrita pelo colega Luiz Carlos Luciano, o mesmo que deu uma canja na orelha do meu “Sonhos e Pesadelos”.

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O título “Ribeiro”, segundo os dois Luiz Carlos, não tem nada a ver com a história do arquiteto que é ligado às causas ambientais, a maioria delas ribeirinhas, com é o caso do nosso Laranja Doce.

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A primeira parte de “Ribeiro” é uma viagem a Cuba, bem no estilo “A ilha”, best-seller que marcou a carreira do jornalista Fernando Moraes, que depois escreveu Chatô.

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Já que falei de “Sonhos e pesadelos” tive um sonho outro dia, mais parecido com um pesadelo e, acredite, eu perdi um vôo que decolou do antigo aeroporto da Cabeceira Alegre, cuja pista começava ali onde está a sede penhorada do Ubiratan. E o que aconteceu com o Boeing em que eu embarcaria? Caiu logo depois de decolar, espatifando-se todo na “braquiária”. Antes dele havia decolado o Ari Bus presidencial, que aqui veio para trazer o presidente Lula para a largada da campanha de Wilson Biasotto.

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A questão da demarcação das terras indígenas promete incendiar os movimentos populares nos próximos dias. Os proprietários rurais já se preparam com pareceres jurídicos e prometem fazer lobby junto à grande imprensa para esclarecer tim tim por tim tim as questões antropológicas que podem fazer muita gente boa virar sem terra também no MS.

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Para o começo está bom, né? Amigos, participem, mas por favor, com seus nomes verdadeiros, sem pseudônimos, para que o debate seja mais ético e salutar. Como diria o Russo, fuuuuuuuuuuuuuiiiiiii! Mas não vou pro Mato Groso não, vou ficar aqui mesmo!

24.07.08

A guerra das pesquisas

Começada, efetivamente, a campanha eleitoral, vem agora o vai-e-vem ou o sobe-e-desce das pesquisas eleitorais. Mais claro que como dois e dois são quatro (e não cinco como canta Roberto Carlos) que quem larga na frente, por mais competente que seja, tem dificuldade para lá se manter, valendo a lógica inversa para os retardatários. E, pelo que se vê nas notinhas cifradas das colunas políticas, já tem muita gente com diarréia por aí, tamanha é a velocidade da queda livre.

Normalmente os grandes prejudicados neste processo são aqueles que, por suas condições de “candidatos naturais” estiveram mais tempo no páreo. Temos um exemplo não muito distante, em Dourados, da candidatura favoritíssima de José Elias Moreira à prefeitura, abatida na reta final pelo novato Braz Melo, na controvertida eleição dos quarenta votos de vantagem, apenas, da urna 182, da escola Tancredo Neves. Zé Elias, para quem não se lembra, largou com uma vantagem de cerca de setenta por cento dos votos; Braz, com insignificantes cinco por cento. Para quem não se lembra também, Zé Elias já havia sido um grande prefeito e candidato a governador, estando, à época da eleição, terminando de escrever a nova Constituição Brasileira, era forte mas não tinha apoio do governo do Estado, que apoiou Braz Melo. E a história se repetiu em outras situações adiante.

Tirante os grandes institutos de pesquisas, que publicam seus números nos grandes veículos de comunicação, como o IBOPE, pela TV Globo e o DataFolha, na própria Folha de S. Paulo, Vox Populi e mais dois ou três, os demais institutos ficam a serviço de candidatos, alguns, não tão sérios, maquiando números para agradar o cliente ou até mesmo para tentar mudar a tendência do eleitorado. E isso acontece principalmente nesta fase inicial da campanha, já que quando o jogo vai para a fase derradeira os números, obrigatoriamente, têm de se ajustar à realidade eleitoral, sob pena de desmoralização de quem os apresenta.

O pior de tudo isso é que ainda existem políticos que gostam de ser enganados, que acreditam em pesquisas feitas por companheiros ou companheiras, em fundos de quintal, ou, pior, aqueles que não têm a sensibilidade para ouvir o murmúrio das ruas e insistem em cantar vitória antes do tempo. É aí que a vaca começa a ir pro brejo.