30
de
agosto
Hora de pensar grande
Com duas semanas, já, de propaganda eleitoral no rádio e na TV o eleitor começa a fazer melhor juízo de seus candidatos a prefeito e certamente que irá contar até dez, até mil, que seja, mas que conte e que ponha na balança as propostas de cada um para não se arrepender lá na frente. Para ajudá-los nessa reflexão, faço aqui um breve retrospecto dos prefeitos que tivemos depois da criação do Mato Grosso do Sul, com o fim da era Totó Câmara (o último dos grandes líderes políticos da grande Dourados com base na terra de Marcelino Pires).
Nesse período Dourados teve sete prefeitos, sendo que dois deles governaram por seis anos, José Elias Moreira Elias (com o mandato prorrogado) e Luiz Antonio Álvares Gonçalves; Braz Melo governou por oito anos, em mandatos alternados e Laerte Tetíla, o único reeleito, também por oito anos, completando-se o quadro com Humberto Teixeira, espremido entre os dois mandatos de Braz e José Cerveira, vice que assumiu quando Zé Elias deixou o cargo em maio de 1982 para disputar o governo do Estado.
Zé Elias foi o prefeito das grandes obras de infra-estrutura, que enterrou quilômetros e mais quilômetros de tubos, com a forte argumentação de que era preferível enterrar tubos a enterrar vidas, numa referência aos efeitos do saneamento básico à saúde da população. Foi também uma liderança política forte, tanto que saiu da prefeitura direto para disputar o governo do Estado, perdendo a eleição apenas em Campo Grande.
Luiz Antônio, com aquela paciência que Deus lhe deu, um gentleman, teve passagem discreta pelo poder, com atuação centrada na educação e limitando-se a cumprir os compromissos assumidos por Zé Elias.
Braz Melo, o que parecia ter mais cacoete para líder, no primeiro mandato, fez mais marketing do que, propriamente, obras. Pintou meio-fios e construiu sete escolas nas quais colocou o nome de CEU, além de asfaltar as linhas de ônibus. No segundo mandato, não disse a que veio e naufragou no ostracismo.
Humberto Teixeira, que jamais havia imaginado um dia na vida ser prefeito, aproveitou-se da lambança entre Braz e Valdenir Machado, em 1992, interrompendo o mandato de deputado para ficar quatro anos na prefeitura construindo casas e as entregando de graças à população (foi aí que Artuzi ganhou a sua). Com isso, conseguiu apenas eleger o filho vereador, na eleição seguinte, e mais tarde uma suplência de deputado, graças ao que, na legislatura passada, ficou mais dois anos na Assembléia Legislativa.
O professor Laerte Tetila está concluindo seu segundo mandato devendo passar à história como um dos prefeitos que mais fizeram por Dourados, em todos os setores. O que mais fez asfalto, casas e o que melhor deu atenção ao social. Isso é fato.
Agora, cabe ao eleitor escolher que modelo de administração Dourados está a merecer: um prefeito visionário, como Zé Elias; trabalhador e marqueteiro, como Braz, humanista e clientelista, como Humberto; centrado e idealista como Tetila ou discreto como Luiz Antonio. Tudo bem que tem gente aí que não se encaixa em nenhum desses perfis, mas é pegar ou largar, entre o sonho da cidade educadora de Biasotto, a cidade dos sonhos de Murilo, cem por cento asfaltada e tudo mais ou a Dourados das picadas e das casas de pau-a-pique como sugere a atual propaganda de Artuzi.

