Valfrido Silva

debate de idéias, política, economia e cultura regional

29

de
setembro

Qual deles tem a cara de Dourados?

A cara de bonachão e às vezes tristonha de Ari Artuzi, a austeridade entre vincos na pele e bigodão à la Fernando Sancho de Wilson Biasotto ou a serenidade oceânica sempre estampada no sorriso de Murilo Zauith? Qual deles tem a cara de Dourados? Sim, precisamos saber disso no máximo até domingo, diante da insistência da propaganda institucional da Justiça Eleitoral, segundo a qual “uma cidade é a cara de quem a governa”.

Embalado no fenômeno “lulomania” (será que o Brasil tem mesmo a cara do Lula?) Ari Artuzi – e não Biasotto – continua dando um baile nos adversários. Nem mesmo a poderosíssima máquina do governo do Estado e toda a capacidade de persuasão de André Puccinelli, aliadas aos atributos de Zauith, foram suficientes, até aqui, para reverter o quadro. Da mesma forma a consistente administração do professor Tetila. Além do mais a Justiça Eleitoral parece que resolveu – finalmente – levar ao pé da letra a legislação que impede o uso da máquina, a compra de votos, essas coisas que sempre acabam favorecendo os mais fortes.

O mais interessante, entretanto, e talvez aí se explique o poder de fogo de Artuzi, é que vem justamente dele, em tese o candidato de menos posse, o maior volume de campanha, pelo menos pelo que se tem notícia, de longe. Por tudo que vi na imprensa, o reboliço causado na cidade na última sexta-feira, com a presença do ministro do Trabalho do governo Lula, foi de fazer tremer as bases (e as pernas) dos adversários. E uma carreata bem organizada tem esse efeito mesmo, sempre, em Dourados.

Assim, enquanto Biasotto olha para o céu à espera do aerolula chegando a Dourados e Zauith para o espelho, na esperança de que o povo perceba as mechas cada vez mais avolumadas de seus cabelos brancos, os da experiência, Artuzi continua com sua cara de moleque travesso levantando poeira pela periferia.

O jeito é, pois, esperar a segunda-feira para ver com qual dessas caras Dourados amanhece.

 

fotos: Anita Tetslaff 

26

de
setembro

As comunicações na campanha

Aproveitando a sugestão de pauta de um ilustre blogueiro cansado de tanto ler baixarias escritas por seus colegas, neste espaço (o que dá até para entender, por causa da fervura do momento eleitoral) e, embalado por um momento de devaneio do ex-prefeito Braz Melo, que cobra, em artigo no Diário MS, uma posição da “imprensa investigativa” de Dourados sobre as contas da prefeitura, aproveito para entrar neste tema, bastante escorregadio, mas inevitável.

O leitor pede uma análise das comunicações na campanha, mas como estou acompanhando tudo à distância, baseando-me apenas em fragmentos de informações através dos online, prefiro avaliar em tese, não descendo a detalhes do comportamento deste ou daquele veículo, muito menos do posicionamento ético dos colegas. Até porque não sou ombudsman (profissional pago para criticar o próprio veículo, ou ouvidor).

Por mais que tentem pousar de isentos, todos os veículos de comunicação – do mais simples semanário ao sisudo “O Estado de São Paulo” – têm lá sua preferências políticas, o que não é pecado. Tanto que os espaços de opinião, como o editorial, estão aí para isso, para que o jornal manifeste suas posições. O que não pode, e talvez aí esteja a razão de muitos questionamentos, é o jornal esconder a notícia. “Doela a quem doela”, como diria o jornalista e ex-presidente Fernando Collor. Até porque jornalismo é a coisa mais cômoda de se fazer no mundo. Basta que se dê os dois lados da notícia.

Não sei como estão se comportando os jornais impressos de Dourados nesta campanha. Até cobrei o editor de O Progresso, Vander Verão, outro dia, pela ausência do noticiário político deles na versão online, o que deixa o leitor que está à distância meio perdido. Como O Progresso nunca foi de meter a mão em cumbuca, imagino que esteja se limitando a divulgar release dos candidatos. O Diário sempre fez uma cobertura mais detalhada, mais inteligente, embora todos saibam de seus fortes laços com o grupo político do deputado Londres Machado. Por incrível que pareça, o noticiário mais isento do jornalismo do Mato Grosso do Sul nas últimas décadas tem sido o da TV Morena, afiliada da Rede Globo, o veículo mais estigmatizado da imprensa brasileira por seus vínculos históricos com o regime militar.

Mereceriam um capítulo especial os colegas do rádio se não continuassem insistindo em ler o que sai nos jornais impressos, muitas vezes sem se darem ao trabalho de citar a fonte, ou em abrirem seus microfones aos políticos, simplesmente, sem uma maior preocupação com a produção de noticia. E a crítica não vai aos bravos profissionais do microfone, mas, sim, às estruturas às quais pertencem, muitas delas os obrigando a vender espaços publicitários para completarem seus salários.

Sobram as colunas políticas, tanto dos impressos como do online Douradosinforma. Sempre de olho e antenadíssimas, elas são a salvação da lavoura.

Fora isso, “comunicação de campanha”, só mesmo no horário eleitoral. E aí é propaganda, não é jornalismo

22

de
setembro

O fuso horário e a lei da gravidade

As declarações do senador Delcídio Amaral ao Douradosnews sobre a mudança do fuso horário na região Centro Oeste do Brasil fazem lembrar uma polêmica estabelecida na Câmara Municipal de Dourados nos anos de 1960, quando um vereador, indignado por não poder sugerir a construção de uma ponte “sob” um determinado córrego, porque contrariava a lei da gravidade, propôs a revogação dela, mesmo sendo advertido por um colega bem humorado de que esta era uma lei de autoria do finado Getúlio Vargas.

Na década de 1970 o então senador por Mato Grosso, Italívio Coelho, virou motivo chacota nacional, ao propor a mudança do fuso horário, também por querer contrariar a mesma lei da gravidade, como noticiou à época a “Folha de S. Paulo”. E olha que Italívio, bacharel em direito, só tinha familiaridade com números por sua condição de banqueiro, mas sem obrigação de ser um especialista em ciências exatas, como é o caso do senador e engenheiro “barrageiro” Delcídio Amaral.

Tudo bem que Delcídio e demais colegas de parlamento queiram fazer média com a Rede Globo, por causa da dificuldade de encaixe das novelas com cenas mais “calientes” em regiões onde a programação noturna chega com sol a pino, com é o caso Acre. Mas daí a querer atrasar a chegada da luminosidade do astro rei até nós já é forçar demais a barra. E não é uma questão de não saber de história, como ele disse ao jornal Douradosnews. Pelo jeito, o senador andou matando as aulas de física durante o período em que esteve na faculdade.

18

de
setembro

A dificil opção (partidária) pelo voto útil

A menos de um mês das eleições para a prefeitura de Dourados, em 2000, a candidatura do médico George Takimoto estava empacada. Político matreiro, sempre operando muito bem nos bastidores, depois de ter sido vice-prefeito de Luiz Antonio Gonçalves, vice-governador de Marcelo Miranda e deputado federal, Takimoto, avesso às questões de marketing, errou ao não dimensionar uma nova Dourados, preferindo vê-la pela ótica romântica de todos aqueles que, como este colunista, sempre orbitaram em torno da velha Cabeceira Alegre, onde, entre um e outro curativo, expedia diariamente centenas de receitas, nas quais punha a maior fé.

Com Laerte Tetila e Murilo Zauith ponteando a disputa e o azarão Mardônio Alencar correndo por fora, já nos deixando na poeira, reuni toda a cúpula da campanha em minha sala, na produtora onde produzíamos os programas de TV, para saber que rumo tomar, diante das divergências entre os que se dividiam entre compor com Zauith ou apoiar o PT. Depois de ouvir atentamente José Elias Moreira, Roberto Razuk, os irmãos Humberto e Zé Teixeira, além do coordenador de campanha, Valdenir Machado, Takimoto reagiu serenamente: “não vamos pra lado nenhum, se tiver que perder, vamos perder com dignidade, de cabeça erguida”, autorizando-me a manter o mesmo ritmo nas produções de rádio e TV.

Lembro-me desta história para procurar entender o que se passa na cúpula do PT douradense a esta altura do campeonato, diante das informações de que haveria já um movimento para desviar os votos de Biasotto para Ari Artuzi. Informações estas, repassadas a partir da aferição dos batimentos cardíacos dos petistas no espaço Ouro Branco, sábado passado, onde acompanhavam a transmissão do debate da Grande FM, toda vez que aumentava o tom de voz de Ari Artuzi em direção a Muirilo Zauith.

Seria o caso de se tentar descobrir se este PT que ameaça liberar sua boiada em direção ao Canaã é o mesmo do professor Laerte Tetila, que, não faz muito tempo, disse que estava mais preocupado em fazer história do que com qualquer outra coisa. Será esta a história que ele vai querer escrever a partir de janeiro, cujo epílogo seria o fim melancólico de seu governo, de braços dados com um de seus principais algozes? Será que a aposta do quanto pior melhor, agora, é o melhor caminho para tentar voltar daqui a quatro anos? Eis aí uma difícil e perigosa opção partidária.

16

de
setembro

Folhas (de bananeira) ao vento

Era só o que faltava: a pesquisa do IBOPE, divulgada ontem pela TV Morena, dando empate técnico entre Murilo Zauith e Ari Artuzi, incendiou de vez o caldeirão da sucessão municipal. E a maior prova disso são as manifestações de blogueiros irados que postaram textos ofendo a família de todo mundo, neste espaço, todos eles devidamente deletados.

Até aqui a grande dúvida era quanto ao tamanho do prejuízo do candidato Ari Artuzi, que largou com larga vantagem, mas vinha caindo consideravelmente em todas as amostragens. Elementar, pois quanto maior o pulo, maior o tombo. E se dúvidas existiam era em razão da confiabilidade dos institutos que se antecederam ao IBOPE, cada um deles vinculado a um candidato. Prejuízo maior, até aqui, para o TELEVOX, que encontrou mais eleitores de Biasotto que os concorrentes.

Com este resultado do IBOPE nas mãos, entram em cena agora aqueles personagens que costumam ser decisivos na reta final de todas as campanhas – os grandes investidores, empresários que não costumam jogar dinheiro fora e esperam, sempre, uma pesquisa confiável para abrir o cofre.

Com isso, também, inverte-se a corrente do voto útil, com Murilo Zauith e Ari Artuzi passando a disputar os votos dos petistas. Mais: como, apesar de todo o rigor da justiça eleitoral, existe, ainda, um grande contingente do já popularizado “voto bananeira”, aquele que fica ao sabor do vento, esperando quem dá mais, na véspera da eleição, tudo leva a crer que a disputa poderá ser mesmo no “olho eletrônico”, pra quem não sabe, aquele aparelhinho que decide corrida de cavalos que chegam empatados na reta final.

O TITULAR DO BLOG NÃO SE RESPONSABILIZA PELOS COMENTÁRIOS DE TERCEIROS AQUI POSTADOS.

10

de
setembro

A hora do voto útil

Com a campanha começando a baixar o nível na TV, a ponto da Justiça Eleitoral precisar intervir, suspendendo aquilo que entende fora de propósito, é chegada a hora daquela corrente que costuma decidir uma eleição: a do voto útil. Sim, porque é nessas horas que se avalia melhor as condições morais e de caráter dos postulantes, independente da posição em que eles ocupem na corrida sucessória. Foi-se o tempo do eleitor que se deixava influenciar pela vantagem de determinado candidato apenas para não perder o voto. Hoje, depois desta postura da Justiça Eleitoral com ampla campanha de esclarecimento sobre a importância do voto limpo, em candidatos decentes e realmente competentes e, mais, com o rigor imposto por juízes como José Carlos de Souza, que levam a legislação ao pé da letra, não resta dúvidas de que o voto que vai para urna no próximo dia 5 será um voto mais consciente e de qualidade.

Pelos informes privilegiados que recebo no Mato Grosso a campanha pelo voto útil já começou em Dourados. E tenho, já, um exemplo clássico dessa prática, apenas não vou citar o nome para não comprometer o ilustre eleitor. Quando saí daí, há um mês e meio, esse cidadão fazia campanha aberta para Wilson Biasotto, não por simpatia ao professor que sonha com a cidade educadora, mas por questões partidárias, já que pertence a uma sigla coligada com o PT. Agora, chega-me a informação de que o dito cujo, desacorçoado com o candidato petista,  embarcou na canoa de Murilo Zauith, diante da, ainda, possível eleição de Ari Artuzi.

Da mesma forma como esse eleitor viu a necessidade de eleger Murilo, não resta dúvidas de que outros, simpáticos à candidatura do vice-governador, ao desconfiarem que ele possa não emplacar, farão o caminho inverso, cabalando votos para o candidato petista.

Uma coisa, a esta altura do campeonato, parece certa: eleitor de Murilo não muda o voto nem que a vaca tussa, a menos que se cristalize daqui para cinco de outubro a vitória de Artuzi. Seria um estouro de boiada para os lados do PT. Mas, para que isso aconteça, a marqueteira Maria Antonia precisará ser muito convincente com seus números para atrair o eleitorado democrata.

Quanto a Ari Artuzi, a frase de um pesquisador concorrente de Maria Antonia, dita-me ao telefone, esta semana, sintetiza o quadro atual: o eleitor dele é igual folha de bananeira.

8

de
setembro

O porquê do plim plim em Ponta Porã

Diante da sugestão de um leitor do Diário MS para que se transfira a sede da TV Morena de Ponta Porã para Dourados, sinto-me do dever de informar o porquê dessa anomalia que tanto prejuízo causa aos douradenses, principalmente em períodos eleitorais. O leitor tem razão. Não só a maior parte da produção jornalística da emissora fronteiriça é produzida em Dourados, como também o grosso do faturamento. Mas por que, então, seu Zahran, empresário que enxerga longe, foi montar uma TV em Ponta Porã e não em Dourados, a segunda maior cidade do interior? Aos fatos:

Já ao expirar o regime militar, como prêmio de consolação por ter feito bonito na eleição para o governo do Estado, em 1982, o ex-prefeito José Elias Moreira ganha a concessão da TV Caiuás. A TV Morena já mantinha aqui, havia anos, uma sucursal e uma torre de sua geradora de Campo Grande. Eleito deputado Constituinte em 1986, José Elias se transforma em peça importante do famoso “centrão”, o grupo parlamentar que dá sustentação às propostas conservadoras do governo Sarney para que a nova Carta Magna não penda muito à esquerda.

Como conseqüência dessa atuação parlamentar Zé Elias passa a gozar de prestígio junto ao Palácio do Planalto e, particularmente, no Ministério das Comunicações, cujo titular era ninguém menos que Antonio Carlos Magalhães. Com ACM, o deputado douradense consegue manobrar para “tomar” a até então imbatível programação da rede Globo da TV Morena. Negócio fechado. O pessoal da Globo veio a Dourados para conhecer a TV Caiuás. Tudo aprovado, a TV Caiuás deixaria de transmitir a Bandeirantes e passaria a ser Globo.

Até aí tudo bem, mas ACM precisava dar a notícia a Ueze Zahran, o poderoso empresário do gás que havia caído nas graças de Roberto Marinho. Para surpresa do ministro e também de Zé Elias, seu Zahran não esperneou, aceitou passivamente a decisão. Passados uns dias, chega à mesa do titular das Comunicações uma proposta de provocação (sic) de concorrência para uma emissora em Ponta Porã. E quem pleiteava a emissora? Gandhi Jamil, genro de Ueze e, também, deputado federal Constituinte. ACM estava num beco sem saída.

O tempo que Zé Elias tinha para preparar sua TV Caiuás para passar a transmitir programação Globo foi o que Gandhi Jamil precisou para fazer seu processo de implantação da TV Ponta Porã correr no Ministério das Comunicações. Tudo resolvido, seu Ueze leva o genro deputado para comer um pato com Roberto Marinho no Jardim Botânico. Resultado do almoço? Não interessava à rede Globo ter duas geradoras tão perto uma da outra, uma em Dourados outra em Ponta Porã. Como Roberto Marinho era aqueles que entendiam antigüidade como posto, dançou Zé Elias, com ACM dando uma de Pôncio Pilatos.

Um negócio ruim pra todo mundo, até mesmo para o grupo Zahran, que precisou montar uma emissora à toque de caixa na fronteira, quando poderia até hoje estar retransmitindo para o interior o sinal da sua morena verdadeira, a TV Morena, canal 6, de Campo Grande.

A história da tal RIT conto outra hora.

4

de
setembro

As pesquisas e suas influências

Os números da pesquisa do IBRAPE divulgados hoje pelo Correio do Estado são, até agora, os que mais se aproximam da realidade eleitoral de Dourados, considerando-se aí todos os desdobramentos da campanha, principalmente o efeito devastador do tal atentado contra Ari Artuzi à sua performance e a entrada do governador André Puccinelli na campanha de seu vice, Murilo Zauith.

Artuzi tinha muita gordura para queimar, mas abusou dessa condição, não economizando em trapalhadas, enquanto seus adversários faziam melhor uso da ciência que o marketing eleitoral lhes proporciona para ganhar terreno. Daqui para frente, com a temperatura aumentando nos bastidores e principalmente no rádio e na TV, é natural que as coisas se equilibrem ainda mais.

 
Uma coisa, apenas, precisa ficar bem claro, com relação aos números das duas pesquisas até aqui publicadas: O IPEMS, de Lauredy Sandim, que aponta empate técnico entre Murilo e Artuzi, é o instituto que sempre fez pesquisas para o governador André Puccinelli, apoiador de Murilo. O IBRAPE, de Paulo Catanante, é o instituto que sempre fez pesquisas para o cardeal Londres Machado, apoiador de Artuzi. O TELEVOX, de Maria Antonia Ribeiro Gonçalves, que deverá trazer a público a próxima fornada, é o instituto que não só faz pesquisas para Wilson Biasotto, como também sua diretora é a marketeira do candidato petista.

 
Coincidências à parte, nada a questionar quanto a lisura das metodologias. Que venha o IBOPE que, aliás, sempre fez pesquisa no MS pelas mãos do mesmo Paulo Catanante, do IBRAPE. Ou, melhor ainda, que venha o “Vox Populi”, já que a voz do povo é a voz de Deus e nunca é bom brincar com coisa séria.

3

de
setembro

A política e a prostituição

Tenho acompanhado à distância a política douradense, mas com informes privilegiados, mais os da imprensa online. Disso, dá para deduzir que a coisa está mais para a comicidade do que para a efetiva apresentação de propostas de governo. Assim, da miopia dos que acham a saúde douradense uma maravilha, passando pelo otimismo exacerbado dos que entendem que quatro anos é tanto tempo, como diz a propaganda do TSE, que dá para fazer nesse período tudo o que não fizeram ao longo da história, às maluquices dos que pretendem levar a administração no peito e na raça, a campanha no rádio e na TV em pouco deve estar contribuindo para que o eleitor tenha a noção exata do que realmente é melhor para a cidade.

Num paralelo um pouco exagerado, mas não tão desrespeitoso com suas excelências, os candidatos, levando-se em conta o conceito que os políticos, no geral, têm, entre os eleitores, daria para comparar a propaganda no rádio e na TV com os anúncios dos profissionais que põem seus corpos à venda nos classificados de jornais. “Adonis, cem por cento ativo. Para elas, eles e casais”. Ou “Jennifer - Sou universitária, a mais sexy e meiga de Dourados. Sou toda linda e inteligente, seios maravilhosos, corpo tudo em cima, rosto perfeito”. Quem já não leu um desses anúncios, mesmo que de rabo de olho?

Com tantos políticos imitando os profissionais do sexo, não é de duvidar que daqui uns dias apareçam anúncios nesses mesmos classificados com alguma coisa do tipo “ajudo você, levo o Viagra”.

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