Valfrido Silva

debate de idéias, política, economia e cultura regional

31

de
outubro

Cheiro de conspiração no ar

Em circunstâncias normais, não escolher bem o candidato a vice-prefeito já é uma encrenca danada. Imagine quando o vice, no caso de Carlinhos Cantor, além de não ter a simpatia do prefeito eleito, transita bem entre os vereadores, cuja Casa, atualmente por ele presidida, vai abrigar uma maioria hostil a Ari Artuzi a partir de janeiro de 2009. Além do mais, Carlinhos é um dos xodós de titio Zeca do PT, de quem foi secretário e com quem jantou escondidinho num restaurante esta semana em Dourados. Será que entre uma birita de Zeca e um “refri” de Cantor, que é evangélico e não bebe álcool, eles só mataram saudades dos tempos de governo? Ou será que aproveitaram para falar de futuro, incluindo a prefeitura de Dourados, trampolim importantíssimo para os projetos petistas para 2010?

Agora as coisas começam a aclarar. O alardeado apoio de Zeca do PT a Ari Artuzi, nas últimas eleições, vai fazendo mais sentido, no instante em que aumenta a temperatura entre Artuzi e seu vice, com o ex-governador começando a por as asinhas de fora. Na campanha ele não apareceu, só mandou o time do sobrinho Vander Loubet para carregar o piano de Artuzi e Raufi Marques para dar uma supervisionada na coisa.

Sentindo que Artuzi, prefeito eleito, começa a roer a corda na questão do secretariado e, com as imagens ainda vivas em sua cabeça de Artuzi, candidato, todo atabalhoado, em plena Marcelino Pires, pedindo a assessores que o afastassem de perto dele durante uma caminhada, com medo de perder votos pela companhia que já à época não lhe agradava, certamente que Carlinhos Cantor não deve estar muito preocupado com as migalhas do secretariado que agora lhe oferecem, assim mesmo saídas de lista tríplice a ele imposta. Certamente que a conversa com o patrão Zeca do PT gira em torno de possibilidades maiores, coisas mais concretas por eles vislumbradas, lá pra meados de 2010. Afinal, a prefeitura de Dourados – e não o cargo de vice – desde que bem gerenciada, é uma máquina de fazer votos.

Carlinhos Cantor, pelo pouco que demonstrou no exercício do poder, como secretário de Estado e presidente da Câmara, parece que aprendeu muito bem as lições do Dr. Hélio Maciel, aquele personagem do humorístico de Jô Soares na TV Globo que vivia incomodado porque “tirante, Aureliano, vice não fala!”. Aureliano Chaves foi o vice-presidente da República que, na ausência do presidente, general João Figueiredo, fez e aconteceu, usando a caneta como se titular fosse. O personagem “Dr. Maciel”, de Jô Soares, reagia sempre com vigor quando questionado se queria ser vice: "vocês conhecem algum navio, barco ou canoa com nome de vice? Já viram alguma rua ou beco com nome de vice?". Pelo jeito Carlinhos Cantor também não deseja passar à história em brancas nuvens, ou só aparecendo na foto, como o atual vice, Albino Mendes.

28

de
outubro

Kassab e o fim da reeleição

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Brito, reconheceu ontem, em entrevista coletiva, que os candidatos à reeleição possuem mais possibilidades de vencer as eleições, dizendo que é preciso aumentar o cuidado para que os prefeitos não usem a máquina do Estado para terem sucesso nos pleitos. Caiu tarde a ficha, excelência! Será que foi preciso um Kassab da vida se eleger prefeito da maior cidade do país para que se pensasse nisso?

A reeleição do até então ilustre desconhecido Gilberto Kassab para a prefeitura paulista é o maior exemplo da excrescência que é o processo de reeleição, num país onde, como bem lembrou o ministro, na mesma entrevista, “o caixa dois é a porta de entrada para a corrupção”. E quem pode manipular caixa dois? Quem tem a chave do cofre. E olha que Kassab disputou a prefeitura paulistana com ninguém menos que Geraldo Alckimin, ex-governador e ex-candidato a presidente da República e com a ex-prefeita e ex-ministra de Lula, Marta Suplicy.

Segundo dados citados pelo presidente do TSE, 66% dos candidatos a reeleição obtiveram sucesso já no primeiro turno destas eleições, sendo que das 20 capitais onde os prefeitos foram para a reeleição, apenas um não conseguiu se reeleger.

Para ficarmos no exemplo doméstico, quando Laerte Tetila foi para a reeleição, em 2004, os bambambãs do voto, como Marçal Filho, Murilo Zauith e Geraldo Resende pularam fora, jogando Bela Barros na fogueira, apenas para cumprir tabela. Agora mesmo, em Campo Grande, Nelsinho Trad, o pupilo de Puccinelli, deu um show já no primeiro turno, sem falar no próprio Puccinelli, beneficiário maior da reeleição, como prefeito, lá atrás, e, com certeza, daqui a dois anos, para garantir mais quatro anos de governo, dando-se ao luxo, desde já, de escolher quem será o candidato a fazer figuração contra ele.

Seria muito bom que o prefeito reeleito Gilberto Kassab, que prometeu solenemente domingo que vai até o fim de seu mandato (alguém acredita?), se quisesse passar à história, que liderasse um movimento pelo fim da reeleição. Aí sim. A democracia agradeceria.

27

de
outubro

Xô, satanás!

Com o passar do tempo algumas lembranças vagueiam em nossas mentes, às vezes ficando a dúvida se vivemos determinada situação ou se se trata de algum sonho. Desde os primórdios da infância trago comigo a impressão de ter tido a visão da presença “física” de Deus no local onde tempos mais tarde seria erguido, coincidentemente, o prédio de uma igreja, ali no Jardim Santo André. Ele tinha o mesmo sorriso simples e enigmático da Esfinge guardiã das pirâmides de Gizé, que há mais de cinco mil anos contempla pacientemente o Nilo, no velho Egito. Da mesma forma, sempre em minhas idas e vindas a Campo Grande, desde os tempos da jardineira mista de Loureiro Queiróz, ouvia comentários sobre uma casa mal assombrada na entrada de Rio Brilhante. E sempre ficava a vontade de parar para me inteirar dessa história, muito mais depois de iniciado na lida jornalística. Um belo dia estava muito perto de matar esta curiosidade quando um capetinha de minisaia desviou minha rota com um beijo na boca, arrastando-me para uns amassos atrás do caminhão palanque onde Zé Elias Moreira vendia seu peixe como candidato a deputado federal. Refeito dos agarrões da guria, diante do olhar estupefato de seu velho pai, imóvel numa cadeira de rodas, fui respirar ar fresco próximo ao velho sobrado abandonado na esperança de encontrar alguma assombração “de verdade” que rendesse uma boa reportagem. Lá chegando, com as imagens ainda vivas na memória do seqüestro de uma tia por um tal de Saci-Pererê e dos estragos por ele provocados nos cafezais de meu avô Aparício Machado, no Jaguapiru, fui acometido por uma dúvida cruel: entro ou não entro?

Aproximei-me de uma porta sem fechadura que cedeu ao tato, deslizando para o interior com um gemido enferrujado. No centro descansava uma velha cama de baldaquino, desfeita. Os lençóis estavam amarelados como sudários. Um crucifixo estava suspenso sobre o leito. Via-se um pequeno espelho sobre uma cômoda, uma bacia, uma jarra e uma cadeira. Um armário entreaberto descansava contra a parede. Contornei a cama até uma mesinha-de-cabeceira com vidro que aprisionava retratos de antepassados, lembranças de funerais e bilhetes de loteria. Noutro quarto, que seria do filho único da família, empurrei a porta para dentro. Um poço de escuridão abriu-se à frente, impenetrável. A janela que dava para o pátio estava coberta com as páginas amareladas de um jornal. Arranquei as folhas de jornal e uma agulha de luz vaporosa furou as trevas. O quarto estava infestado de crucifixos. Eles pendiam do teto, ondulando na porta de cordões, e cobriam as paredes, presos em pregos. Contavam-se às dezenas. Era possível adivinhá-los no canto das paredes, gravados a faca nos móveis de madeira, riscado nas lajotas, pintados em vermelho nos espelhos…
Não, não entrei no velho casarão de Rio Brilhante. Esta descrição é de uma casa também mal-assombrada, mas no belo romance “A Sombra do Vento”, do espanhol Carlos Ruiz Zafón, cujo personagem, Julián Carax, transformado em um de seus monstros da ficção, sai das páginas de um livro demoníaco para atazanar a vida de quem insiste em ler ou ter guardadas suas obras.

 
Nem bem tenho tempo de refletir sobre a obra de Zafón e começo a acompanhar pela TV a história do maníaco da cruz, o adolescente da mesma Rio Brilhante cujo intento era se transformar no maior serial killer do Brasil, deixando suas vítimas expostas ao relento, sempre em forma de cruz, depois de se deleitar com o sangue delas. Na seqüência, o seqüestro em Santo André-SP, onde um jovem, depois de cem horas em dúvida se ouvia um anjinho um capetinha, matou a namorada, adolescente, “por amor”. E nem bem o corpo de Eloá havia esfriado, outro crime, pelos mesmos motivos e envolvendo outra menor, também no interior de São Paulo.

 
Como em “A Sombra do Vento”, cujo personagem vive seu inferno em conseqüência da desagregação familiar, a história do maníaco da cruz é também inspirada no mesmo capeta, que provavelmente tenha se passado por assombração, habitado o velho sobrado onde não tive coragem de entrar um dia, ali deixando sua marca sinistra para sempre. Pior, se antes viajava de trem, como na Barcelona cheia de bruxarias do século passado, onde se desenrola a história de Zafón ou atravessando o Rio Brilhante de balsa, agora, com as facilidades da net, o bicho feio entra em nossas casas sem pedir licença, bastando digitar a senha demo666. Melhor continuar com a imagem do Altíssimo na cabeça, mesmo que em forma de esfinge, ou acreditando em Saci-Pererê.

20

de
outubro

O secretariado de Artuzi

Embora muita gente ande se arvorando de porta-voz para elucubrar sobre o futuro secretariado municipal, por enquanto tudo não passa de fuxico mesmo. O prefeito eleito Ari Artuzi não compareceu a uma reunião marcada para as 16h hoje, de onde, se esperava, sairiam alguns nomes para a composição do secretariado. O presidente da OAB, Sérgio Henrique Araújo, um dos três nomes já confirmados, informou que tudo não passa de especulação e que não tem nada a declarar sobre o assunto. “Sobre isso só o prefeito fala, ninguém mais está autorizado”, disse o advogado, cujo nome aparece como provável futuro secretário de governo.

Quanto ao futuro secretário de Desenvolvimento Econômico e Empreendedorismo, a insinuação de hoje do Diário MS aponta para o nome do empresário Sérgio Braga, ex-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Dourados. Já o nome do futuro secretário de Fazenda que só o mesmo Diário MS garante saber, parece mais um segredo de polichinelo, na medida em que o mesmo jornal especulou semana passada sobre o nome do contabilista Paulo Campione para o cargo, havendo também especulações sobre o também contabilista Eduardo Custódio. Campione, presidente do Clube Desportivo 7 de Setembro, diz que o único compromisso do prefeito eleito com ele é de prestigiar o esporte. “E o meu compromisso com ele é de entregar dentro dos prazos sua prestação de contas de campanha, afinal, sem uma boa prestação de contas não tem diplomação nem posse de prefeito”, disse o contabilista, para quem a indicação dos nomes do futuro secretariado deveria ser deixada só para o dia da posse. “Esse tipo de coisa agora só atrapalha”, declarou Campione.

Além de Sérgio Henrique Araújo, o prefeito eleito anunciou os nomes do gerente da Coagri, Maurício Peralta e do jornalista Eleandro Passaia, este, para a Agência de Comunicação, órgão de segundo escalão, vinculado à secretaria de governo. O nome da pedagoga Itaciana Santiago não está confirmado, mas é tido como uma unanimidade para a Assistência Social e Economia Solidária. 

Outros nomes, como o da professora Maria Luna, dos ex-vereadores Jorginho Dauzacker, Francisco Saraiva e Neri (Pinda) Azambuja, da cota pessoal do prefeito, aparecem em todas as bolsas de apostas. Os demais surgirão em função das composições partidárias, como os dos médicos Luiz Antônio Macksoud Bussuan e Jorge Luiz Baldasso, para a Saúde e os indicados pelo PDT, cuja responsabilidade caberia ao deputado Ari Rigo, para a Secretaria de Infraestrutura. O nó górdio da questão estaria por conta das desavenças que vêm desde a campanha entre Artuzi e seu vice, Carlinhos Cantor, cuja sede ao pote estaria dificultando as negociações. É que Cantor, segundo noticias de bastidores, além de indicar os nomes combinados, de sua coligação, estaria também tentando emplacar os companheiros do PT, como Raufi Marques e Cia.

19

de
outubro

Os caminhos para o Senado

Em seu jeito simplório de ver e fazer as coisas o deputado Ari Artuzi acabou fazendo história ao quebrar paradigmas e vencer a mais difícil de todas as eleições já disputadas para a prefeitura de Dourados com a simples argumentação de que o governador André Puccinelli queria apenas se livrar de seu vice, Murilo Zauith, abrindo caminho para as composições com vistas às eleições de 2010, para governador e senador. Com isso, colocou Zauith numa baita saia justa, só restando ao vice, agora, tirar satisfações com Puccineli para saber se era este mesmo o objetivo do governador, impondo-lhe uma condição para continuar ao seu lado: se quer mesmo se ver livre dele, que o mande para bem longe (para Brasília, por exemplo), declarando, já, apoio à sua pretensão de disputar o Senado. Em caso negativo, não resta a Murilo outra saída a não ser arrumar as trouxas e deixar a sombra do tal Chico Magro. E nada desse negócio de vice-governadoria em Dourados, que é fria.

Ari Artuzi só chegou aonde chegou por culpa de Braz Melo e de Laerte Tetila, que não se impuseram como lideranças regionais depois de sentados – cada um – oito anos na cadeira de prefeito, deixando passar o bonde da históra. Depois de João Câmara e de José Elias Moreira, Dourados ficou totalmente acéfala no cenário político e à mercê dos interesses de Campo Grande. Totó foi o último grande líder regional, nos tempos em que, como prefeito, mandava o governador Pedrossian cuidar do Mato Grosso “de Rio Brilhante pra cima” pois pra cá cuidava ele, elegendo-se, assim, deputado federal e encarando depois uma candidatura ao Senado, em 1986. É como no futebol, pra fazer gol tem que chutar. Zé Elias saiu da prefeitura, em 1982, para disputar o governo do Estado. Bateu na trave, só não ganhando porque acreditou na conversa de Pedrossian de que em Campo Grande ele resolveria a parada, sendo a única cidade em que o ex-prefeito douradense perdeu.

 
Olhando a história dos senadores de Mato Grosso do Sul nestes trinta e um anos se verá que muito foi construído desafiando as regras, a lógica e até as convenções, neste caso, literalmente, como na eleição “biônica” de 1978 quando Rachid Saldanha Dérzi se elegeu contra tudo e contra todos, até mesmo o regime militar do qual ele era vice líder no Senado. Naquele mesmo ano Pedro Pedrossian se elegia como primeiro senador pelo voto direto do novo estado com uma campanha calcada no sentimentalismo, para “limpar a honra”, depois das acusações que o impediram de passar à história como o primeiro governador. Ramez Tebet, foi o caso mais emblemático, pois virou senador depois de longo período de ostracismo, precisando vencer primeiro um câncer para depois se credenciar como senador do Bolsão e, muito mais, como ministro de Estado e presidente do Congresso Nacional. Levy Dias só foi senador, em 1990, por que se livrou de Pedrossian ao abrir dissidência depois de preterido na disputa pelo governo do Estado, em 1982. Da mesma forma, Marcelo Miranda, indicado por Pedrossian como segundo governador de Mato Grosso do Sul e, depois de por ele derrubado, cacifando-se, como candidato imbatível ao Senado, em 1982 para, de lá, retornar ao governo “nos braços do povo”, em 1986.

 
Que Murilo Zauith, não querendo ir pra braquiária, como demonstram seus primeiros movimentos depois da segunda derrota para a prefeitura, atente-se para esses detalhes da história e faça de um limão uma limonada. Que peite, se tiver que peitar, logo, André Puccinelli, e trate de garantir uma das vagas que se abrirão a partir de 2010. Sim, porque a única vaga de 2014 Ari Artuzi já disse que quer pra ele. E quando e ele cisma…

16

de
outubro

Hora de pulso firme, de autoridade

Eleito prefeito em 1982, na esteira do prestígio de seu líder José Elias Moreira, candidato a governador do Grosso do Sul naquele mesmo pleito, Luiz Antonio Álvares Gonçalves improvisou um gabinete de transição no consultório de seu vice-prefeito, George Takimoto. Ali, com aquela paciência que Deus lhe deu, escolhia, um a um, depois de muita conversa, os nomes de seus secretários. Ao final da composição, chamou-me para anunciar a lista à imprensa. Eu lia, somava, conferia por secretaria e questionava: “está faltando um nome”. E ele: olhando-me ironicamente: “está completo”. Diante de minha insistência (acho que era mais ansiedade mesmo) ele se encheu e disparou: “uai, você não vai aceitar eu arrumo outro!”. O nome que faltava era o meu e esse foi o jeito de me convidar para ser seu secretário. Meu nome não era de seu agrado, mas era indicação de grupo político que o elegeu.

Eleito prefeito em 1988, Braz Melo pôs-me para trabalhar no dia seguinte, encomendando-me projetos de marketing e me levando num domingo à noite até o centro da cidade onde queria erguer um monumento para fazer com que as pessoas que por aqui passassem, principalmente com destino a Ponta Porã, se dessem conta da existência de Dourados. Dias depois formalizou o convite para a assessoria de imprensa. Ponderei que o PMDB não me via com bons olhos, por ter sido assessor de seu arqui-rival político Zé Elias por muito tempo. E ele: “dane-se (na verdade usou uma palavra mais forte) o PMDB, agora o prefeito sou eu e você vai comigo”.

Cito esses dois exemplos, não por coincidência no momento em que o prefeito eleito Ari Artuzi deve estar arrancando as pestanas para compor seu secretariado, para mostrar dois estilos de exercer o poder e as conseqüências para o futuro de qualquer derrapagem que possa ocorrer agora.

Só para se ter uma idéia das dificuldades em compor um secretariado quase todo imposto por aliados, Luiz Antonio, para ter no primeiro escalão pelo menos um nome de sua total confiança, além do chefe de gabinete, Alcides Claus, foi obrigado a criar a Secretaria de Serviços Urbanos para abrigar Hélio Congro Filho, o nome por ele sonhado para a poderosa Secretaria de Obras, para a qual o mesmo grupo político havia indicado o engenheiro Valdemir Barbosa de Vasconcelos.

No caso de Braz Melo, todo mundo se recorda até hoje o sucesso de sua primeira administração, quando os critérios para a composição do secretariado levaram em conta a competência e a história de cada um dos indicados, nem se comparando com o desastre de sua segunda gestão, quando a escolha da equipe foi contaminada pelos critérios de compadrio político e do nepotismo.

Antes da eleição Artuzi alardeou nomear uma equipe técnica. Agora, dá sinais de inquietação com a gula da companheirada. É hora de mostrar que veio pra fazer história, para fazer jus à condição de fenômeno eleitoral e isso se faz com pulso firme e com autoridade.

PS.:

 

"O homem, como bom símio, é um animal social e nele prevalecem as patotas, o nepotismo, as trapaças e os rumores como pauta intrínseca de conduta ética. É biologia pura". ( Carlos Ruiz Zafón, no livro A Sombra do Vento, presente de minha amiga Cristina Bertotto).

15

de
outubro

Artuzi foge da pressão por cargos

O prefeito eleito Ari Artuzi não foi à Brasília apenas para contatos políticos com os novos companheiros do PT ou tentar achar a torneira de onde saem os recursos federais destinados aos municípios. Como é homem avesso a alguns prazeres da vida – férias na praia, por exemplo – o futuro prefeito aproveita os ares do planalto central para fugir das pressões pela definição de nomes do secretariado e pensar com mais calma sobre o assunto.

Ontem um assessor de Artuzi disse ao blog que a pressão de vários setores já começa a preocupar e que ele está muito receoso diante da ganância demonstrada por determinados setores em abocanhar cargos. “Pior que isso vem de gente que nem estava na campanha, muitos até dos que alimentavam preconceitos pela forma de ser do futuro prefeito”, disse, para informar que a única decisão tomada até agora é quanto aos nomes já anunciados “que não têm mais volta”, garantiu. Esses nomes são o do presidente da 4ª. Subseção da OAB, Sérgio Henrique Araújo, do agrônomo Maurício Peralta e do jornalista Eleandro Passaia.

Mas, corre já a informação de que pelo menos dois destes nomes já começam a “balançar”, na avaliação de gente ligada a Artuzi, diante das denúncias envolvendo Peralta, na Coagri e do “olho gordo” de um aliado do novo prefeito ligado à comunicação. O moço estaria resistindo à indicação de Passaia, de olho não só no bom salário da Agcom, mas, principalmente, na fatia do gordo orçamento do órgão destinado aos veículos de comunicação.

Além dessas pressões, entidades como Associação Comercial, Sindicom e CDL movimentam-se nos bastidores para indicar o futuro secretário de Desenvolvimento Econômico e Empreendedorismo. Mas o pior, na avaliação do mesmo assessor, é a gula dos partidos aliados, muitos, inclusive, que fizeram corpo mole durante a campanha e agora cobiçam os melhores cargos, sem falar nos companheiros de primeira hora de Artuzi, alguns, segundo esse assessor, até com pouca qualificação mas que sonham com os cargos mais importantes.

 

PS.:

 

Da capital capital federal chegando infome dando conta que assim que desembarcou ontem em Brasília, Artuzi pediu para o motorista passar primeiro em frente ao Palácio do Planalto. Ermímio Guedes e Dirceu Longhi, que o acompanhavam, não entenderam, mas também não perguntaram nada. Lá chegando o prefeito eleito pediu para o táxi parar, desceu e parou ao pé da rampa. Fez sinal a Guedes e Dirceu para que se aproximassem e, enfim, acabou com o enigma:

_ Sabem porque o André me chama de pêlo curto e fez de tudo pra eu não me eleger? Antes que os dois dissessem alguma coisa Artuzi complementou, do alto de sua modéstia:

_ É que o André sabe que um dia eu posso subir esta rampa aqui enfaixado, ele não.

Pra quem nao sabe, por ser italiano de nascimento, o governador André Puccinelli, pode, no máximo ser senador. Presidente da República, só Artuzi pode.

14

de
outubro

O fratricídio petista

O episódio de petistas históricos de Aquidauana repetindo o ritual da malhação de Judas, pondo no lugar do traidor de Cristo ninguém menos que o ex-governador Zeca do PT, é só uma pequena amostra do que vem por aí na guerra interna do partido pela disputa de cargos em 2010. Que ninguém se iluda que por trás da “malhação” de Zeca em praça pública na cidade portal do Pantanal está o senador Delcídio do Amaral, o principal desafeto do ex-governador. Zeca não traiu o partido cujo nome adotou apenas em Aquidauana, mas também em Dourados, não se duvidando que os petistas daqui repitam nas próximas horas o mesmo tipo de protesto, ou quem sabe até algo pior, já que aqui está a ala mais xiita do partido no Estado.

Na verdade a relação entre Zeca e o PT começou a se deteriorar a partir do momento em que o homem de Murtinho conheceu as maravilhas do poder, uma vez instalado no Parque dos Poderes. Os primeiros choques começaram a partir da relação estabelecida com os deputados estaduais em nome da tal governabilidade. É que no estágio que fez como deputado Zeca aprendeu rapidinho a navegar por essa via de mão dupla que é o compadrio entre o legislativo e executivo. Tanto que terminou o governo tendo como seu homem forte o mais empedernido dos “colloridos” do Estado, o douradense Raufi Marques. Na saída do governo, o rastro de corrupção deixado pelo secretário que era também o homem que cuidava da Segurança Pública foi a gota d’água para arruinar de vez as relações entre Zeca e a companheirada histórica, incluindo aí Tetila e Cia.

Às vésperas das eleições municipais deste ano chegou-se a ventilar a possibilidade de Zeca deixar o PT para se filiar ao PDT. Para o ex-governador, a esta altura do campeonato, muito mais difícil do que mudar de nome será tocar qualquer projeto político com uma pilha de processos para responder e, mais, sem o apoio do presidente Lula. Todos sabem que Zeca é o candidato favorito de Lula ao Senado e talvez por isso, o desespero maior de Delcídio. Pior, para o PT, se unido, já seria quase impossível destronar André Puccinelli, imagine com um brigueiro desses.

13

de
outubro

O pêlo curto

Aos que andam perdendo noites de sono com o futuro de Dourados, depois que a expressão “pêlo curto” foi popularizada no período eleitoral, e, passando, a partir de 5 de outubro, a ser sinônimo de poder e de liderança, a revista Super Interessante traz, em sua última edição, uma providencial reportagem de capa sobre o tamanho da inteligência das pessoas, mostrando o que faz uma mais inteligente que outra e por que a escola não define nossa capacidade intelectual. Uma leitura recomendada ao governador André Puccinelli, que se diz tristonho com o resultado das eleições em Dourados e que, certamente, vai precisar de uns dias para esfriar a cabeça e rever conceitos à beira de um rio qualquer do Pantanal.

 
A reportagem começa por contestar a famosa tabula rasa – a idéia do filósofo John Locke de que a mente humana é uma folha em branco que vai sendo preenchida durante a vida. No começo do século 20, escreve a revista, o psicólogo Alfred Binet recebe uma tarefa do ministro da educação da França para encontrar um meio de prever quais crianças vindas do interior do país teriam mais possibilidade de enfrentar dificuldades na escola, e ele publica, em 1905, um teste de raciocínio verbal e matemático, com questões que testam a memória e o potencial de resolver problemas de lógica. O objetivo era medir a capacidade de compreensão pura e simples, não o conhecimento prévio, colocando em pé de igualdade crianças que só sabiam capinar mato com as que recitavam Shakespeare. Pouco depois, continua o texto, é que o alemão Wilhelm Stern criaria o mais-bem sucedido método para medir a inteligência – o Intelligenz-Quotient, famoso QI, que, na nossa política, muita gente confunde com “Quem Indica”. Com a adoção dos testes de QI a tabula rasa perdeu terreno, na medida em que uma criança semi-analfabeta podia apresentar um QI maior que uma instruída. Assim como um simples caminhoneiro, para ficarmos num exemplo bem próximo de nossa realidade, pode ter um QI maior que o de um médico!
E nesse ponto a revista, fazendo jus ao próprio nome, é de um didatismo “super interessante”: os genes responsáveis pela inteligência podem ser vistos como uma espécie de balde, e o aprendizado durante a vida como uma água que enche o balde. Ter mais educação vai levar você mais rápido a encher o balde de água. Mas, caso ele seja muito raso, não vai adiantar jogar muita água lá. Ou seja: nem toda a educação do mundo poderá tornar realmente brilhante alguém que nasceu com a inteligência apagada.

 
Além do mais – e agora busco socorro com o mestre Google – não há motivos para maiores preocupações, já que o gato (e não o burro, como muita gente pressupõe aqui por essas bandas) de pêlo curto brasileiro ou Brazilian Shorthair, trata-se da primeira raça de gatos brasileira reconhecida internacionalmente e, devido à sua docilidade, espírito brincalhão (que tal?), confiabilidade (?), esperteza (põe esperteza nisso!), inteligência e agilidade, além de excelente temperamento (será?) e comportamento, tem cada dia encantado mais pessoas. Os douradenses, particularmente.

10

de
outubro

Um bom começo

Para quem estava ansioso com o que vinha correndo à boca pequena acerca do futuro secretariado do prefeito eleito Ari Artuzi, os três primeiros nomes por ele anunciados na tarde desta sexta-feira ao Dourados Informa traz certo alívio. E a grande novidade é o nome do presidente da OAB local, Sérgio Henrique Pereira Martins de Araújo, provavelmente para a poderosa Secretaria Governo, justamente o órgão sobre o qual pairavam as maiores preocupações, dados os nomes que estavam sendo cogitados, alguns deles envolvidos em escândalos recentes por malversação do dinheiro público.

Além de Sérgio Henrique Artuzi anunciou os nomes de Maurício Peralta, que já era tido como certo para o Desenvolvimento Econômico, principalmente depois que recebeu a incumbência de comandar a equipe de transição e do jornalista Eleandro Passaia, para a Comunicação. Menos mal. Apesar das recentes notícias negativas a respeito da Coagri, Cooperativa comandada por Peralta, nada há que desabone a conduta deste técnico. Passaia, jornalista da nova safra, depois de um período fora do País, retorna com todo o gás, e, o que é importante, não está contaminado pela onda jabazeira que se alastra por nossas redações, nem tem envolvimento com nenhum grupo político, sendo esta sua primeira participação numa eleição.

Quanto ao provável futuro secretário de governo, advogado Sérgio Henrique, além de presidir a entidade símbolo da moralidade e vanguardista das causas democráticas no País, é também um técnico, apolítico e vem se destacando pela administração austera, participativa e inovadora na Ordem dos Advogados. Da mesma forma, nunca teve vinculações políticas, embora, como membro do PSDB local, tenha tido seu nome cogitado como candidato a vice-prefeito do próprio Artuzi.

A seguir na mesma toada o futuro prefeito vai colocar a prefeitura em boas mãos, já se tendo como certo, também, o nome da pedagoga Itaciana Pires Santiago para a Secretaria Municipal de Assistência Social e Economia Solidária, de onde foi demitida (por telefone) por divergir com as companheiras petistas sobre a política social do município.

Claro que Ari Artuzi não está livre das amarras dos acordos partidários que permitiram sua eleição e vai ter que ceder espaço aos aliados. Não só o espaço como ter que engolir os nomes por eles indicados. E é aí que o bicho começa a pegar.

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