31
de
outubro
Cheiro de conspiração no ar
Em circunstâncias normais, não escolher bem o candidato a vice-prefeito já é uma encrenca danada. Imagine quando o vice, no caso de Carlinhos Cantor, além de não ter a simpatia do prefeito eleito, transita bem entre os vereadores, cuja Casa, atualmente por ele presidida, vai abrigar uma maioria hostil a Ari Artuzi a partir de janeiro de 2009. Além do mais, Carlinhos é um dos xodós de titio Zeca do PT, de quem foi secretário e com quem jantou escondidinho num restaurante esta semana em Dourados. Será que entre uma birita de Zeca e um “refri” de Cantor, que é evangélico e não bebe álcool, eles só mataram saudades dos tempos de governo? Ou será que aproveitaram para falar de futuro, incluindo a prefeitura de Dourados, trampolim importantíssimo para os projetos petistas para 2010?
Agora as coisas começam a aclarar. O alardeado apoio de Zeca do PT a Ari Artuzi, nas últimas eleições, vai fazendo mais sentido, no instante em que aumenta a temperatura entre Artuzi e seu vice, com o ex-governador começando a por as asinhas de fora. Na campanha ele não apareceu, só mandou o time do sobrinho Vander Loubet para carregar o piano de Artuzi e Raufi Marques para dar uma supervisionada na coisa.
Sentindo que Artuzi, prefeito eleito, começa a roer a corda na questão do secretariado e, com as imagens ainda vivas em sua cabeça de Artuzi, candidato, todo atabalhoado, em plena Marcelino Pires, pedindo a assessores que o afastassem de perto dele durante uma caminhada, com medo de perder votos pela companhia que já à época não lhe agradava, certamente que Carlinhos Cantor não deve estar muito preocupado com as migalhas do secretariado que agora lhe oferecem, assim mesmo saídas de lista tríplice a ele imposta. Certamente que a conversa com o patrão Zeca do PT gira em torno de possibilidades maiores, coisas mais concretas por eles vislumbradas, lá pra meados de 2010. Afinal, a prefeitura de Dourados – e não o cargo de vice – desde que bem gerenciada, é uma máquina de fazer votos.
Carlinhos Cantor, pelo pouco que demonstrou no exercício do poder, como secretário de Estado e presidente da Câmara, parece que aprendeu muito bem as lições do Dr. Hélio Maciel, aquele personagem do humorístico de Jô Soares na TV Globo que vivia incomodado porque “tirante, Aureliano, vice não fala!”. Aureliano Chaves foi o vice-presidente da República que, na ausência do presidente, general João Figueiredo, fez e aconteceu, usando a caneta como se titular fosse. O personagem “Dr. Maciel”, de Jô Soares, reagia sempre com vigor quando questionado se queria ser vice: "vocês conhecem algum navio, barco ou canoa com nome de vice? Já viram alguma rua ou beco com nome de vice?". Pelo jeito Carlinhos Cantor também não deseja passar à história em brancas nuvens, ou só aparecendo na foto, como o atual vice, Albino Mendes.

