16
de
outubro
Hora de pulso firme, de autoridade
Eleito prefeito em 1982, na esteira do prestígio de seu líder José Elias Moreira, candidato a governador do Grosso do Sul naquele mesmo pleito, Luiz Antonio Álvares Gonçalves improvisou um gabinete de transição no consultório de seu vice-prefeito, George Takimoto. Ali, com aquela paciência que Deus lhe deu, escolhia, um a um, depois de muita conversa, os nomes de seus secretários. Ao final da composição, chamou-me para anunciar a lista à imprensa. Eu lia, somava, conferia por secretaria e questionava: “está faltando um nome”. E ele: olhando-me ironicamente: “está completo”. Diante de minha insistência (acho que era mais ansiedade mesmo) ele se encheu e disparou: “uai, você não vai aceitar eu arrumo outro!”. O nome que faltava era o meu e esse foi o jeito de me convidar para ser seu secretário. Meu nome não era de seu agrado, mas era indicação de grupo político que o elegeu.
Eleito prefeito em 1988, Braz Melo pôs-me para trabalhar no dia seguinte, encomendando-me projetos de marketing e me levando num domingo à noite até o centro da cidade onde queria erguer um monumento para fazer com que as pessoas que por aqui passassem, principalmente com destino a Ponta Porã, se dessem conta da existência de Dourados. Dias depois formalizou o convite para a assessoria de imprensa. Ponderei que o PMDB não me via com bons olhos, por ter sido assessor de seu arqui-rival político Zé Elias por muito tempo. E ele: “dane-se (na verdade usou uma palavra mais forte) o PMDB, agora o prefeito sou eu e você vai comigo”.
Cito esses dois exemplos, não por coincidência no momento em que o prefeito eleito Ari Artuzi deve estar arrancando as pestanas para compor seu secretariado, para mostrar dois estilos de exercer o poder e as conseqüências para o futuro de qualquer derrapagem que possa ocorrer agora.
Só para se ter uma idéia das dificuldades em compor um secretariado quase todo imposto por aliados, Luiz Antonio, para ter no primeiro escalão pelo menos um nome de sua total confiança, além do chefe de gabinete, Alcides Claus, foi obrigado a criar a Secretaria de Serviços Urbanos para abrigar Hélio Congro Filho, o nome por ele sonhado para a poderosa Secretaria de Obras, para a qual o mesmo grupo político havia indicado o engenheiro Valdemir Barbosa de Vasconcelos.
No caso de Braz Melo, todo mundo se recorda até hoje o sucesso de sua primeira administração, quando os critérios para a composição do secretariado levaram em conta a competência e a história de cada um dos indicados, nem se comparando com o desastre de sua segunda gestão, quando a escolha da equipe foi contaminada pelos critérios de compadrio político e do nepotismo.
Antes da eleição Artuzi alardeou nomear uma equipe técnica. Agora, dá sinais de inquietação com a gula da companheirada. É hora de mostrar que veio pra fazer história, para fazer jus à condição de fenômeno eleitoral e isso se faz com pulso firme e com autoridade.
PS.:
"O homem, como bom símio, é um animal social e nele prevalecem as patotas, o nepotismo, as trapaças e os rumores como pauta intrínseca de conduta ética. É biologia pura". ( Carlos Ruiz Zafón, no livro A Sombra do Vento, presente de minha amiga Cristina Bertotto).

