Valfrido Silva

debate de idéias, política, economia e cultura regional

29

de
novembro

Praça de guerra

Quando assumiu a prefeitura, quase oito anos atrás, o prefeito Laerte Tetila anunciou que Dourados parecia uma praça de guerra, comparando o estado da cidade que recebia de Braz Melo aos campos de batalha no Iraque, tamanha era a buraqueira. Oito anos depois, remendo daqui e dali, no asfalto, e os buracos continuam, com um agravante: o professor e major petista poderá morder a língua, pois além dos buracos nas ruas, corre o risco de deixar a cidade com seu principal cartão postal – a praça Antonio João – totalmente desfigurado, por causa das reformas só agora iniciadas, quando a cidade deveria estar engalanada, não só para as festas de fim de ano, mas também para a transmissão de poder do PT para o PDT.

Semana passada, recebi a visita do ex-prefeito Braz Melo e ele manifestava sua preocupação com a segurança do tenente Antonio João Ribeiro. “Será que nosso herói que tombou durante a guerra do Paraguai resiste ao atual bombardeio à praça que leva seu nome?”, ironizou. No dia seguinte à visita de Braz, cruzei com o também ex-prefeito José Elias Moreira, por coincidência, bem em frente à praça, e ele engrossava o coro dos descontentes com a reforma numa hora em que a população e o comércio só tem olhos para as festas natalinas. Udenista de quatro costados, Zé Elias deixou o partidarismo de lado para manifestar preocupação não apenas com a estátua de Antonio João, mas também com a do líder trabalhista Getúlio Dorneles Vargas, colocada por Braz Melo no cruzamento da rua que leva o nome do ex-presidente com a Joaquim Teixeira Alves. “Do jeito que estão derrubando tudo aí o finado Getúlio que se cuide ali na frente”, disse Elias, também em tom de ironia.

Braz Melo, aliás, sabe muito bem como é esse negócio de deixar obras pra última hora. Basta que se dê uma olhada no amontoado de estátuas colocadas às pressas, ao final de sua administração, ali na praça Mário Corrêa, quando deveriam ter sido espalhadas por vários pontos da cidade, inclusive na mesma praça Antônio João. Também não deu tempo.

26

de
novembro

Com a Saúde não se brinca

O deputado Ari Artuzi foi eleito prefeito de Dourados na esteira de um grande trabalho assistencialista, focado, principalmente, na saúde, carregando doentes pra lá e pra cá com suas ambulâncias e até mantendo uma Casa de Apoio em Campo Grande. Agora, às vésperas de assumir o cargo, ele bate cabeça para encontrar um nome para descascar este grande abacaxi. Seria o caso de parar com as especulações, algumas beirando à irresponsabilidade, deixar as brincadeiras de lado, mandar os lobistas e aqueles que fazem da saúde apenas um meio para fazer fortunas às favas e começar a pensar num nome que transcenda as questões político-partidárias.

Seria muito bom que Ari Artuzi se espelhasse no grande estadista Fernando Henrique Cardoso, o Ministro da Fazenda que, mesmo não sendo economista, elegeu-se presidente da República depois de exorcizar o fantasma da inflação, o mesmo FHC que marcou época colocando um economista para resolver os problemas da saúde no Brasil, o hoje governador de São Paulo, José Serra.

Ari Artuzi precisa buscar um nome de peso para esta que é a mais complicada de todas as secretarias municipais. Talvez essa enxurrada de nomes (cada dia um está de plantão, na imprensa, como futuro secretário) se dê muito mais pelo polpudo orçamento da pasta do que pelas intenções de qualquer um deles para resolver o problema. Até porque, até aqui, nenhum dos nomes lembrados reúne condições técnicas, de idoneidade e de autoridade política para pôr fim ao trauma da saúde local.

Já imaginaram, por exemplo, Artuzi ousando e convidando o deputado federal Geraldo Resende para ocupar a pasta? Resende é médico, competente, reúne todos os requisitos, até porque já foi secretário estadual de saúde. Ou um George Takimoto, lenda viva da medicina no Mato Grosso do Sul, ex-deputado federal, ex-vice-prefeito e ex-vice-governador do Estado, respeitado como político, ser humano e profissional cada vez mais ativo, apesar dos tropeços empresariais? Como isso é quase uma utopia, devido aos interesses da política provinciana, que se busque uma solução externa ou que se pesquise entre os novos profissionais da medicina o nome de alguém empreendedor, e currículos bons é o que não falta, basta que se dê uma olhada na rede hospitalar – pública e privada – ou nos consultórios.

FHC provou que não precisa ser médico para ser um grande gestor da saúde. Em último caso, porque não ousar mais ainda, sendo o próprio Artuzi o titular da pasta, ele que conhece tão de perto os problemas da saúde, ele que gosta de virar noites em filas de postos de saúde?

O que não pode é relegar a questão da saúde aos meros interesses político- partidários. Que nesta pasta, pelo menos, haja firmeza de propósitos, idealismo e que prevaleça o interesse público, do povo sofrido que não agüentando mais ouvir não em filas de postos e hospitais e que decidiu apostar as últimas fichas – e esperanças – naquele que sempre demonstrou real interesse em resolver o problema. Agora é sua hora, doutor Artuzi.

25

de
novembro

Desantenado

No dia em que o jornalista Luiz Carlos Luciano nos priva de sua já indispensável coluna “antenado” (vai ter que nos contar direitinho esta história), vasculhando aqui meus alfarrábios, na busca de detalhes para tirar dúvidas acerca de meu próximo trabalho literário, deparo-me com uma carinhosa correspondência do deputado Nelson Trad, enviada no início deste ano dentro de um livro de poesias de Manoel de Barros, em agradecimento ao livro autografado que lhe mandei pelas mãos do amigo-comum, Celso Dal Lago. Só então me dei conta do quanto sou desantenado, por nunca tê-lo publicado aqui. Talvez porque quando o chefe do clã dos Trades me honrou com tanta deferência, este espaço ainda não existisse. Mas nunca é tarde, excelência.

Por isso, no instante de afirmação do blog como válvula de escape para os que buscam alternativas debatendo de idéias, trago o grande jurista e notável parlamentar para fazer parte deste agradável convívio, lamentando apenas que, ao menor descuido deste blogueiro possa ele também ser vítima da insanidade de alguns poucos anônimos e frustrados que insistem nas baixarias.

Eis o que escreveu Nelson Trad (Tradão como diz o governador André Puccinelli), deputado federal dos mais honrados, pai do prefeito de Campo Grande, Nelsinho, do deputado estadual Marquinhos, e do grande jurista e presidente da OAB-MS, Fábio Trad, que também já engatinha pelos caminhos da política.

23

de
novembro

Deixa o homi trabaiá

De minha parte, faço aqui um compromisso solene: não vou mais encher o saco do deputado e prefeito eleito Ari Artuzi, pelo menos até que ele tenha tempo suficiente de mostrar a que veio. Tomei esta decisão sábado passado, no corredor de um hospital, quando, na companhia dos ex-deputados Anis Faker e Sebastião Nogueira, fazia conjecturas sobre a futura administração. Dona Janete, esposa de Faker, cabisbaixa, ao nosso lado, mais preocupada com o estado de saúde do pai, que passava por um procedimento cirúrgico numa sala ao lado, foi certeira: “ele vai ser um bom prefeito, é só olhar o que já fez pelos pobres, na saúde”.

Claro que o ambiente hospitalar, apesar da calmaria de uma manhã de sábado, foi determinante para dona Janete recorrer ao histórico de trabalho assistencialista que marcou a carreira do prefeito eleito. Esta é a verdade mais latente quando se fala em Ari Artuzi e do porquê de sua condição de fenômeno eleitoral jamais visto por estas bandas. Mas, plagiando um título da revista Veja sobre a eleição de Barack Obama, agora vem “o mais duro dos testes: a realidade”. E, adaptando o texto da revista sobre o presidente eleito dos EUA à realidade do prefeito eleito de Dourados, agora que a eleição passou, Artuzi precisa explicar aos douradenses que a saúde necessita de um choque de qualidade e que a solução não virá num passe de mágica, pois todos sabem das infinitas demandas do setor, mas, pelo menos as filas, estas, estarão com os dias contatos e aquele comprimidinho para controlar a pressão arterial não vai mais faltar na rede púbica de saúde.

Aliás, o prefeito Laerte Tetila tem uma explicação que define muito bem a questão da demanda no setor de saúde pública, coisa que seu sucessor precisa ter bem em mente para não sair por aí prometendo o céu aqui na terra: quanto mais melhoram os serviços de atendimento, mais gente doente aparece.

Alguém que acompanhava a conversa naquele corredor hospitalar foi mais além: se Artuzi cuidar bem da saúde e tampar os buracos no asfalto, já está bom. Não quis polemizar, mas é claro que não é só isso. As demandas são infinitamente maiores, não apenas na saúde e na deteriorada malha viária. Dourados precisa definir seu futuro, sua vocação, enfim, voltar para os primeiros lugares da fila, para que uns e outros não venham aqui dizer que a cidade cresce igual a rabo de cavalo.

Tenho escrito aqui que o prefeito Ari Artuzi vai se deparar com situações inusitadas e se frustrar muito quando se sentar na cadeira do professor Tetila. Na semana passada veio a primeira comprovação disso, com a notícia de que a Perimetral Norte vai continuar sendo um sonho, pelo menos no que depender do DNIT, o órgão do governo federal que libera recursos e constrói rodovias. E, embora o deputado Geraldo Resende tenha se apressado em dizer que havia arrancado de André Puccinelli o compromisso de fazer a obra, é bom lembrar que o próprio governador já havia anunciado, aqui mesmo, que esta não é prioridade sua e que só iria pensar nisso num eventual segundo mandato.

Como Ari Artuzi já anda falando em disputar o governo para dar uma surra em Puccinelli, é bem possível que ele tenha uma solução também para a perimetral norte independente das verbas do DNIT e da boa vontade daquele que até poucos dias o chamava de animal de pêlo curto, mas para quem ele agora é o doutor Ari.

Se até André Puccinelli se curvou à realidade, por que um simples escrevinhador aqui da beira do Laranja Doce vai ser contra? Deixa o homi trabaiá!

20

de
novembro

Devagar com o andor…

A forma precipitada e atabalhoada como o prefeito eleito Ari Artuzi conduz as coisas pode lhe causar uma série de aborrecimentos a partir da investidura no cargo. Seria bom que alguém com juízo cochichasse ao seu ouvido que administrar Dourados não é guiar um caminhão de toras, carregar, simplesmente, doentes, pra lá e pra cá ou dançar bailões com sol a pino para mostrar intimidade com o povão. Ser prefeito requer, além de tirocínio, muita paciência. Que o diga o professor Tetila.

O recente périplo de Artuzi aos grandes centros dá uma dimensão de como será seu governo, lembrando os áureos tempos em que Zé Elias e suas grandes caravanas não saiam de São Paulo, Rio e Brasília. Mas a vinda extemporânea de técnicos da Petrobrás até aqui, para inspecionar o asfalto, além de questionável (quem será que está pagando as despesas?) é de uma descortesia sem precedentes com o atual prefeito, Laerte Tetila. Descortesia, aliás, que Artuzi já havia demonstrado ao atropelar o processo de transição, desobedecendo os prazos legais, sem ao menos ter a certeza se será diplomado prefeito. Descortesia também, como se vê, com a Justiça Eleitoral.

Tudo bem que Ari Artuzi tenha essa ânsia de sentar-se logo na cadeira de Tetila e começar a fazer as coisas ao seu jeito. Mas tudo tem seu tempo e chega a causar preocupação tamanha desenvoltura de algumas figurinhas carimbadas que o acompanham, gente que nem bem conhece os problemas de Dourados e que de uma hora para outra passou a se preocupar tanto com a cidade, com a vinda de investimentos e coisa e tal.

Seria bom que Artuzi começasse a tomar uns suquinhos de maracujina, para não colocar a carreta adiante dos bois, como está fazendo com a escolha do secretariado. Uma lambança. É um tal de convida e desconvida (pior é que não desconvida, simplesmente se esquece que convidou) que ninguém mais sabe quem é quem. E tudo por conta do desassossego que persegue Ari, que nem parece sobrinho do infinitamente tranqüilo Dioclécio Artuzi, de quem herdou o legado político.

A notícia de ontem, dos técnicos do Dnit, informando que a perimetral norte não vai sair, é só um exemplo das desilusões que aguardam Artuzi na prefeitura. Outras virão, excelência, escreve aí. Não basta querer fazer. Na prefeitura o buraco é bem mais embaixo. E que buraco! Faniquitos não resolvem, portanto, devagar com o andor, que o santo é barro.

19

de
novembro

E agora, prefeito?

Sempre que faço umas comprinhas no supermercado Chama (não é merchandising, vocês já já vão ver por que) estaciono no espaço coberto destinado a clientes, ao lado da loja, na avenida Presidente Vargas. Hoje, como era jogo rápido, estacionei na avenida mesmo. Na hora de sair, um sufoco! Uma fila de carretas, algumas dessas bi-trem, ônibus, e até um trator. Dos dois lados da avenida-rodovia. Como estava em frente ao restaurante de uma das irmãs do deputado Geraldo Resende, lembrei-me do farto material jornalístico por ele mandado publicar hoje na imprensa local, sobre o parecer do Dnit que jogou por terra o sonho da Perimetral norte – o anel viário que desafogaria o trânsito pesado do centro da cidade.

Tudo bem que no mesmo material, o deputado, com menor destaque, manda avisar que o governador André Puccinelli chamou para si a responsabilidade da obra e que a colocará como prioridade até o final de seu governo. Como ele não fala qual governo, fico com medo que ele esteja contando com o ovo na galinha, já que não faz muito tempo ele disse, em entrevista, em Dourados, que esta também não era uma prioridade de seu governo, mas que se o governo federal não o fizesse a incluiria na plataforma de seu segundo mandato. Aí, já entramos no campo das probabilidades, principalmente agora que o prefeito Ari Artuzi, parece que gostando do texto que publiquei aqui e também e O Progresso, alardeia com mais ênfase sua disposição de disputar o governo do Estado para derrotar Puccinelli.

Dessa conclusão do Dnit, sepultando as esperanças de fazer uma rodovia para valorizar a área ali no entorno do meu Jaguapiru, duas certezas: esses técnicos só conhecem Dourados pelo Google Earth e o prefeito eleito Ari Artuzi quebra a cara naquela que seria uma das grandes prioridades de sua administração. Ou será que ele vai pegar uma picareta e convocar o ex-vereador Walter Hora, como fez quando arrancou as ciclo-faixas no centro da cidade? É hora de começar a agir, excelência!

Ah, com relação à promessa do governador ao deputado Geraldo Resende, será que é pra acreditar, amando Artuzi como Puccinelli ama?

18

de
novembro

Te cuida, Latorraca!

Qual o maior nome da história política do Mato Grosso do Sul: Pedro Pedrossian ou André Puccinelli? E precisa responder? Tudo bem que Puccinelli está, ainda, no começou de seu governo, que os tempos são outros, mas será que conseguirá sobrepujar Pedrossian? Faço esse questionamento depois de folhear o jornal Correio do Estado da última segunda-feira, com três títulos quentes sobre a política estadual, nessa ordem: “PDT pode ser ameaça para governador em 2010”, “Derrota deixa Murilo sem espaço na aliança” e “PMDB fecha portas a aliados e abre ao PT”.

Nem mesmo com toda a soberba, por ele mesmo admitida, Pedro Pedrossian não conseguiria pisar tanto nos tomates, assim, como o atual chefe do executivo estadual. O resultado das últimas eleições em Dourados, onde o governador apostou – e perdeu! – todas as suas fichas em Murilo Zauith, é só uma amostra do que vem pela frente. Basta que se leia com atenção o encaixe perfeito dos três textos assinados pelo competente Adilson Trindade, no jornal mais importante do Estado.

Adilson só se esqueceu de escrever que foi o mesmo João Leite Schimidt, que agora ameaça melar os planos de Puccinelli com vistas à reeleição, quem articulou a candidatura do deputado Zeca do PT ao governo do Estado, em 1998. E contra quem? Contra o todo poderoso de então, Pedro Pedrossian, que, sequer, foi para o segundo turno. E lá vem Schimidt de novo, com o nome de Zeca do PT no bolso do colete. Mas pode ser Zeca para o Senado e Artuzi, do PDT de Schimidt, para o Governo, afinal, quem é a bola da vez?

16

de
novembro

Artuzi governador

Talvez por ter estado com José Elias Moreira quando Dourados por muito pouco não elegeu seu governador, em 1982, vira e mexe tenho essas recaídas. Foi assim com Braz Melo, quando abandonei sua assessoria de imprensa mal havia terminado o primeiro ano de sua primeira administração, aceitando o convite para dirigir o jornalismo da TV Morena, em Campo Grande. Colocava-me, assim, em posição estratégica, para quando ele terminasse aquela administração que certamente o credenciaria como candidato a governador. Depois, tive o mesmo sonho com Murilo Zauith, já deputado estadual. Com Roberto Razuk compartilhando este sonho, Zauith foi convidado para um cafezinho na famosa casa rosada, da rua Ponta Porã, e a idéia lhe colocada, ali, de chofre. Diante do inusitado da situação, teve tempo apenas para ponderar: “preciso consultar o chefe”. O chefe de Murilo, à época, era Braz Melo, já no segundo mandato de prefeito, depois de sua passagem pelo Parque dos Poderes como vice de Wilson Martins. Mais uma vez o sonho virava pesadelo.

Esta semana, depois de consultar meus oráculos, pensei em ligar para Raufi Marques e sugerir a ele uma agenda com titio Zeca do PT, para retomar o assunto. É que em minha curta passagem pelo time de Artuzi discuti com ele essa possibilidade, desde que ele não se mudasse do Canaã I, onde mora numa casa ganhada de Humberto Teixeira. Já imaginou um governador morando no Canaã I? Chique, não? Fico imaginando o orgulho de minha secretária, Ana Líria, ela que já não se agüenta de tanta faceirice por ter como vizinho o deputado que virou prefeito.

 
Numa cervejinha de começo de noite, sexta-feira, havia acabado de antecipar a idéia a Paulo Campione, um dos gurus de Artuzi, e também amigo de Raufi Marques, eis que encosta em nossa mesa Archimedes Lemes Soares. Sempre cheio de novidades quando retorna de seus périplos Brasil afora, vendendo seus caminhões, Ferrinho, desta vez, estava espantado com a desenvoltura de Ari Artuzi entre aeromoças e comissários de bordo no trecho que com ele compartilhou um vôo vindo de Brasília. E qual a novidades desta vez? Artuzi, já falava como candidato a governador: “derrotei o André como candidato a prefeito, agora vou derrotá-lo como candidato a governador”, teria dito o homem do Canaã I, sem pedir segredo. Aliás, ele nunca pede segredo, e os amigos e aliados é que se virem para apagar os incêndios. Bravo Artuzi!

 
Não converso com Artuzi desde aquele fatídico domingo em que me mandaram para o Cachoeirinha enquanto preparavam minha cama, lá no PDT. Mas, se ele estiver mesmo pensando em ser candidato a governador, vamos nessa! Todos os douradenses devem ir. Não podem repetir aquela mancada histórica que deram com Zé Elias. O que tiver que ser será? Nada disso! Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Artuzi acaba de comprovar que Geraldo Vandré sempre cantou certo. 2014 está muito longe! Que aconteça, pois, já, em 2010. Assim como José Serra fez em São Paulo, vapt vupt! Braz Melo dançou na tonga da mironga do cabuletê porque esperou muito, dando tempo para que o feitiço virasse contra o feiticeiro. Murilo nunca quis fazer acontecer.
A receita para isso acontecer agora, já? Bem, aí é que entra o pulo do gato. Antes de tudo, Artuzi precisa fazer – e bem – a lição de casa, resolvendo, de imediato, problemas como os da saúde, implantando a Perimetral Norte, etc. e tal.

 
Os campo-grandenses não querem esculhambar com Dourados? Pois esculhambemos com eles primeiro! Eu já escrevi aqui e repito: quando o Artuzi cisma, sai de baixo!

14

de
novembro

Arriba! Para cima! Para o alto!

A pior coisa que pode existir para um jornalista que é jornalista é ter um texto cortado ou censurado pela direção do veículo em que trabalha. Mas, os jornais, as emissoras de rádios ou de TV’s, e agora os sites, como qualquer outra empresa que mantém uma estrutura, por mínima que seja, precisam de receitas para fazer face às suas despesas, e receita se faz com verbas, muitas delas públicas ou de grandes conglomerados empresariais. E o jornalista que é jornalista, tem, também, a obrigação de entender isso. Óbvio ululante, diria o mestre Antonio Tonanni!

Entro nessa questão, em respeito aos milhares de leitores do blog, diante da insistência de uma minoria no baixo nível e do ódio destilado em seus comentários.

A idéia deste blog surgiu exatamente da necessidade de alguns questionamentos que seriam impossíveis nos espaços da mídia convencional e, também, pelas facilidades do mundo moderno, das maravilhas da tecnologia que facilitam o acesso democrático à informação sem a interferência do poder econômico. A jornalista Adiles do Amaral, proprietária de O Progresso, sempre que aparece um jornalista metido a besta, como eu, querendo “impor” suas idéias, é muito pragmática nesta questão, dizendo mais ou menos o seguinte: “quem quer escrever (e publicar) o que pensa, que monte o seu próprio jornal”.

Como já passou o meu tempo de montar jornal, não por falta de oportunidade, mas por puro comodismo mesmo, à época (e tiro o chapéu para quem insiste nisso), aproveito agora as facilidades da internet, para, sem maiores pretensões, colocar meus textos para discussão à uma legião de leitores que me honram com a audiência (29.022 acessos, desde que iniciei, até o momento em que escrevo este texto).

Mas blog, é bom que se diga, existe aos milhares. Na última vez em que pesquisei no Google já eram mais de 70 milhões, surgindo em torno de 120 mil por dia. Agora, como existe jornal e jornal, assim também, existe blog e blog. Aqui, o que vale é a matéria prima, ou seja, a escrita. É como diz aquele velho ditado: quem pode, pode, quem não pode se sacode. E talvez por isso a indignação de alguns, pela forma clara como coloco algumas questões, sem rodeios e sem omitir informações.

A propósito, lamento informar aos anônimos de plantão, que a mamata está acabando. Nos próximos dias não haverá mais “censura”, como muitos andam reclamando. Haverá sim, mediação do debate. Quem entrar aqui para falar mal, ofender e extravasar suas frustrações vai perder tempo, pois não vai mais ao ar, nem perderei mais meu precioso tempo deletando essas bobagens. Como escreveu o professor José Pereira Lins, ao honrar-me com sua cátedra, no prefácio de meu livro, “Sonhos e Pesadelos”: Arriba! Para cima! Para o Alto!

12

de
novembro

Artuzi já pensa se livrar dos Uemuras

Acostumado com a boléia de caminhões de tora e agora deslumbrado com tantas mesuras de belas aeromoças pelos céus do Brasil, entre uma e outra escala aérea o prefeito viajante Ari Artuzi já estaria consultando seus oráculos para tentar encontrar um jeito de se livrar da família Uemura. Desde que pôs na cabeça que iria comandar a segunda maior cidade do Estado Artuzi passou a acender uma vela para cada santo, fazendo acordos a torto e a direito. E o grupo Uemura, não é segredo (nem proibido falar), sempre foi um dos pilares de sua política clientelista, dando-lhe suporte no setor de saúde, onde atua com uma empresa de seguro de serviços médicos, um hospital, cujo prédio está alugado à prefeitura e detendo o monopólio dos serviços funerários.

Com a eleição de Artuzi, Eduardo Uemura, o jovem empresário que se prepara para assumir o comando dos negócios da família e que teria pretensões de ocupar o lugar do próprio Artuzi na Assembléia Legislativa, lá na frente, passou a comandar a agenda do futuro prefeito e influenciar de forma decisiva na escolha do futuro secretariado. Esta situação estaria incomodando Artuzi, que teria dito a mais de um interlocutor que não agüenta mais o “japonezinho” batendo toda hora à porta de sua casa e de seu escritório político, sempre com um nome novo no bolso do colete.

O problema é que Artuzi é desses que não encaram as situações embaraçosas, preferindo mandar recados. Foi assim que defenestrou o jornalista Alfredo Barbara na composição do futuro secretariado, e, agora, manda avisar que a gerente de banco Inês Boschetti, ungida da matriarca Helena Uemura para a Secretaria de Finanças “não vai apitar nada” e que a chave do cofre vai ficar mesmo é com João Azambuja, funcionário de carreira da prefeitura, muito respeitado, mas colocado na geladeira durante os oito anos do governo petista. Na saúde, não tendo como explicar ao eleitorado a permanência de João Paulo Esteves, atual secretário de Tetila, que teria preferência dos Uemura, Artuzi buscou uma solução salomônica, escalando o enfermeiro Edvaldo Moreira, de sua confiança, apenas para assinar embaixo das determinações de Esteves.

Esses episódios dão a dimensão do tamanho da encrenca em que está se metendo o espevitado Ari Artuzi, quando começam a surgir comentários nos bastidores políticos de que Sizuo Uemura, o chefão do grupo, já estaria perdendo a paciência com a situação e preferindo ter de volta todo o investimento feito, inclusive no pós-eleição, “em espécie”, ficando longe das picuinhas político eleitorais.

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