Valfrido Silva

debate de idéias, política, economia e cultura regional

13

de
janeiro

Geraldo Resende e seus milhões

Talvez a psicanálise explique: ele foi um menino pobre, sonhador, idealista e muito trabalhador – engraxate, jornaleiro, enfim, aquela história que todo mundo conhece. Formado médico, virou político – vereador, deputado estadual, secretário de saúde do Estado, deputado federal. Sonha ser prefeito de Dourados, mas faltam-lhe votos na cidade que o acolheu há mais de quarenta anos. Talvez por isso, insista tanto em manchetar os jornais, todo santo dia!, com milhões e milhões de reais que arranca em Brasília (mesmo com o Congresso em recesso) para obras e mais obras em Dourados e em todo o Mato Grosso do Sul. Seu nome: Geraldo Resende Pereira.

 

Interessante é que os textos ditados aos seus assessores jornalistas são sempre na mesma direção: milhões e mais milhões, no título, não importando a abrangência ou a importância da obra. Aos mais desatentos, dá a impressão, até, de notícia requentada, pois desde antes das eleições é a mesma coisa: “Geraldo Resende consegue tantos milhões…”, e lá vem aquela infinidade de números e rubricas.

 

Até pouco tempo achava que essa obsessão de Geraldo Resende pela mídia impressa se devesse ao fato de, na adolescência, ter trabalhado na Folha de Dourados, nos bons tempos de Theodorico Luiz Viegas. Mas, não! De uns tempos para cá desembestou a ocupar todos os espaços de outdoors, no rádio (pagando até cachê de artistas!) e, agora, na TV para divulgar seus feitos, alguns questionáveis quanto ao mérito, já que muitas das obras por ele citadas são conquistas coletivas, fruto de muito esforço das duas bancadas no Congresso, de lobby de governadores e de prefeitos, como, por exemplo, a implantação da UFGD.

 

Em sua última investiga o deputado deve ter pentelhado tanto o governador André Puccinelli que até a Constituição Federal foi desrespeitada, pois que seu nome é citado num vídeo para a TV como o autor das emendas que resultaram na liberação de alguns dos milhões de reais que estão sendo investidos em Dourados.  E a lei maior, que ele, como deputado, deveria ser o primeiro a respeitar, é muito clara quando trata da administração pública, nas disposições gerais, capítulo VII, seção I, Artigo 37, item XXII, parágrafo primeiro (atenção Eleandro Passaia!): “a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”.

 

O interessante nisso tudo é que nem a surra dada por Ari Artuzi nas urnas faz essa gente mudar o comportamento. A menos que a insistência nestas manchetes, com tantas cifras, seja para refrescar a memória de outros que não os eleitores.

Arquivado em: política I Comentários (8)

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