Valfrido Silva

debate de idéias, política, economia e cultura regional

15

de
janeiro

O coaxar do velho cururu

Eis o que se pode chamar de uma “bela recaída” jornalística, a do colega Cícero Faria, voltando ao seu velho e bom estilo de matar a cobra e mostrar o pau, num tempo em que o eufemismo trouxe para as colunas políticas uns tais passarinhos, alguns até depenados, que insistem em esconder a notícia debaixo de suas asas. Agora, está explicado o porquê do tom policialesco adotado pelo neoempresário de comunicação Alfredo Barbara em sua coluna “De Olho”, no Diário MS, quando o assunto é a gorda conta publicitária da prefeitura de Dourados.

 

Descartado para a Secretaria de Governo, que ele queria comandar juntamente com a de Comunicação de seu amigo e correligionário Ari Artuzi, Barbara deve ter pensado melhor, preferindo agir como empresário, talvez imaginando faturar mais apenas na condição de amigo do rei. E assim, o jornalista passou a palpitar sobre questões da publicidade, mandando recadinhos enciumados em sua coluna sobre o assédio que o secretário Maurício Peralta estaria sofrendo do dono de “uma pequena agência” de publicidade.

 

Tudo bem que Barbara é (ou foi), apenas professor de uma cadeira no curso de jornalismo, mas, por estar na área, deveria ter conhecimentos mínimos da questão burocrática oficial e entender que esse negócio de contratação de agência para serviços de criação e divulgação em órgãos públicos passa por um rigoroso processo de licitação, onde deve prevalecer o princípio da isonomia. Não se esquecendo também que Dourados hoje conta com várias agências de publicidade e até um sindicato que fiscaliza as questões éticas às quais são submetidos os profissionais da área.

 

Cícero Faria adiantou em sua coluna que Barbara estaria metendo o bedelho na criação do novo logotipo e também no conceito (slogan) da nova administração. Barbara desmentiu por vias tortas, mandando, como sempre, seus já manjados recadinhos. Hoje, em O Progresso, Faria estampa não só a tal logomarca e o conceito, como a comprovação de quem é o responsável pelo feito. Batom na cueca!

 

Agora, deixando de lado o furo jornalístico de Cícero Faria e as questões burocráticas que o secretário de Comunicação Eleandro Passaia terá que explicar ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público, na hora certa, vamos ao mérito da obra prima: “Dourados, trabalho que gera crescimento”, o slogan, seguido de uns rabiscos dos mais primários. Quanta falta de criatividade! Quantos neurônios queimados para o óbvio ululante! E, pior e mais grave: quanto será que a prefeitura vai jogar de dinheiro na lata de lixo pelo descomunal esforço criativo de Barbara?

 

Sem dúvida que a chuva fez bem ao velho cururu, que voltou a coaxar bonito.

Arquivado em: política I Comentários (10)

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