4
de
fevereiro
Dourados vs Campo Grande
A retomada das escaramuças entre Campo Grande e Cuiabá por conta da disputa de uma das subsedes da Copa do Mundo de 2014 acontece num momento crucial para Dourados, devendo servir de exemplo para que não se recrudesça o movimento bairrista (ou seria “burrista”?) na insistente tentativa de se jogar uma cidade contra a outra. Com essa história de querer competir em tudo com Campo Grande, uma grande bobagem!, Dourados vai sempre levar a pior. Não há parâmetros para nenhum tipo de comparação. Campo Grande é a capital e como tal deve ser respeitada, sem contar que é grande o número de douradenses lá estabelecidos e não se esquecendo, no tocante à política, que os votos de lá também são válidos para os políticos daqui.
Na primeira disputa com Cuiabá Campo Grande levou a melhor porque se tratava de uma questão – a divisão do Estado – decidida, mesmo assim uma briga desnecessária, já que naturalmente era a cidade preparada para ser a capital do novo Estado. Com isso, naquele momento, Dourados acabou tirando proveito daquela guerrinha, por conta da antipatia que o último governador do Mato Grosso uno, Garcia Neto, passou a nutrir pelos campo-grandenses. Foi quando aqui se instalou a faculdade de Agronomia e a guarnição do Corpo de Bombeiros, entre outros benefícios. E à época isso era muita coisa.
Um exemplo desta imbecil tentativa de colocar Dourados contra Campo Grande foi dado ontem, durante a visita da comitiva da Fifa para o reconhecimento do gramado do Morenão e de outras questões acessórias para que a capital se habilite como subsede do maior torneio mundial de futebol. Veio gente até do Paraguai para engrossar o coro da cidade morena. Nada, nenhuma faixa que lembrasse que Dourados também apóia o evento na capital, ou, pelo menos, ao lado de Ricardo Teixeira, o “irmãozinho” Antonio Neres, o homem de tantas Copas do Mundo, agora, oficialmente, nossa maior autoridade no esporte. E que Deus não permita que daqui a pouco apareça algum áulico defendendo que a Copa deve ser no Douradão.
Disputar, na política, espaço com os campo-grandenses, tudo bem. Até porque, por sua condição de capital de Estado, Campo Grande “é terra de ninguém” quando se trata de garimpagem de votos. E André Puccinelli é o maior exemplo disso: perdeu eleição para a prefeitura de Fátima do Sul, virou deputado estadual, depois federal, com os votos dos campo-grandenses, para, na sequência, transformar-se no maior prefeito que a cidade já conheceu.
O que é preciso aos políticos douradenses – e aí é de mamando a caducando – é enxergar um pouco além dos limites do Cachoeirinha, dos Canaãs e do Parque das Nações. Quem sabe assim a cidade possa um dia ter seu tão sonhado senador e, por que não, o seu governador?

