7
de
fevereiro
Barbárie em Alagoas, genocídio em Dourados
Leiam no novo site/blog do Valfrido Silva:
Grande abraço a todos.
Espero vocês lá.
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Espero vocês lá.
Barack Obama é o homem mais poderoso do mundo, nem por isso se acha o “rei da cocada”, como se diz aqui do lado de baixo da linha do equador. Depois de, como ele mesmo disse, ter “pisado na bola” por ter indicado o sonegador de impostos Tom Daschle como chefe de Departamento de Saúde, o presidente dos Estados Unidos veio a público para fazer uma “meã culpa”, dizendo que “é importante deixar claro a mensagem de que não há dois tipos de regras, um para as pessoas comuns e outro para as personalidades”.
Prestem bem atenção nas palavras de Obama: “Sinto-me frustrado comigo mesmo e com minha equipe”, disse, na TV, após admitir seu erro no que, lá, é considerado um escândalo.
Enquanto isso, nos arrabaldes, ainda do lado de baixo da linha do Equador, corre solta a arrogância, a ignorância, total, e a tirania. Pior, como bem lembrava aquela propaganda exaustivamente veiculada no rádio e na TV, durante as eleições passadas, é que quatro anos é muito tempo, principalmente quando as coisas não vão bem.
Ah, Obama é aquele mesmo camarada, presidente da maior potência mundial que, ao tomar posse, em meio a uma das maiores crises da história, a primeira coisa que fez foi congelar os salários dos assessores.
A retomada das escaramuças entre Campo Grande e Cuiabá por conta da disputa de uma das subsedes da Copa do Mundo de 2014 acontece num momento crucial para Dourados, devendo servir de exemplo para que não se recrudesça o movimento bairrista (ou seria “burrista”?) na insistente tentativa de se jogar uma cidade contra a outra. Com essa história de querer competir em tudo com Campo Grande, uma grande bobagem!, Dourados vai sempre levar a pior. Não há parâmetros para nenhum tipo de comparação. Campo Grande é a capital e como tal deve ser respeitada, sem contar que é grande o número de douradenses lá estabelecidos e não se esquecendo, no tocante à política, que os votos de lá também são válidos para os políticos daqui.
Na primeira disputa com Cuiabá Campo Grande levou a melhor porque se tratava de uma questão – a divisão do Estado – decidida, mesmo assim uma briga desnecessária, já que naturalmente era a cidade preparada para ser a capital do novo Estado. Com isso, naquele momento, Dourados acabou tirando proveito daquela guerrinha, por conta da antipatia que o último governador do Mato Grosso uno, Garcia Neto, passou a nutrir pelos campo-grandenses. Foi quando aqui se instalou a faculdade de Agronomia e a guarnição do Corpo de Bombeiros, entre outros benefícios. E à época isso era muita coisa.
Um exemplo desta imbecil tentativa de colocar Dourados contra Campo Grande foi dado ontem, durante a visita da comitiva da Fifa para o reconhecimento do gramado do Morenão e de outras questões acessórias para que a capital se habilite como subsede do maior torneio mundial de futebol. Veio gente até do Paraguai para engrossar o coro da cidade morena. Nada, nenhuma faixa que lembrasse que Dourados também apóia o evento na capital, ou, pelo menos, ao lado de Ricardo Teixeira, o “irmãozinho” Antonio Neres, o homem de tantas Copas do Mundo, agora, oficialmente, nossa maior autoridade no esporte. E que Deus não permita que daqui a pouco apareça algum áulico defendendo que a Copa deve ser no Douradão.
Disputar, na política, espaço com os campo-grandenses, tudo bem. Até porque, por sua condição de capital de Estado, Campo Grande “é terra de ninguém” quando se trata de garimpagem de votos. E André Puccinelli é o maior exemplo disso: perdeu eleição para a prefeitura de Fátima do Sul, virou deputado estadual, depois federal, com os votos dos campo-grandenses, para, na sequência, transformar-se no maior prefeito que a cidade já conheceu.
O que é preciso aos políticos douradenses – e aí é de mamando a caducando – é enxergar um pouco além dos limites do Cachoeirinha, dos Canaãs e do Parque das Nações. Quem sabe assim a cidade possa um dia ter seu tão sonhado senador e, por que não, o seu governador?
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A ação firme e forte de censores travestidos de porta-vozes, coisa típica de governos despóticos que vira e mexe reencarnam aqui e acolá, volta a amedrontar as redações, como se já não bastasse o espantoso nível de subserviência de alguns órgãos de imprensa que praticam a autocensura. Daí, onda matafórica que assola algumas colunas políticas, cujo objetivo é a informação vapt-vupt, destinada a quem tem pouco tempo para uma leitura um pouco mais acurada dos chamados artigos de fundo ou das grandes reportagens.
Neste tipo de jornalismo em tópicos, popularizado por colunas como o “Painel”, da Folha de S. Paulo, é que o leitor mais apressado (nem por isso menos exigente) busca se informar dos bastidores do poder, por isso a importância da clareza e de concisão de seus redatores, já que se trata de filigranas de informação.
Ainda bem que não falta criatividade a esses artistas do texto. É o caso do velho Maca (J. C Torraca), sempre socorrido por uma revoada de passarinhos de todas as cores que vira e mexe deixam cair informações preciosas, mesmo que pela metade, para abastecer a coluna “De olho”, que assina com o patrão Alfredo Barbara, no Diário MS, ou o decano Cícero Faria, em seu “Informe C”, em O Progresso, que tem como guru o simpático sapo cururu. Até os online entram na onda, principalmente nestes dias chuvosos, quando correntes energéticas fazem aumentar as faíscas com fortes interferências no conteúdo do sempre antenado Luiz Carlos Luciano, no douradosinforma.
A coisa está tão feia que beira à neurose, com gente abusando das metáforas, como a pimenta do reino servida desnecessariamente ontem pelo Midiamax, com o objetivo claro de intrigar com a Fifa as cidades que postulam a sede da Copa do Mundo de 2014. Segundo o site campo-grandense “interlocutor bem informado |
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sobre o estado homônimo disse que do lado de lá paira a tranquilidade. Motivo: já há algum tempo teria rolado “acerto” sobre importante evento esportivo. Será?”. Será também que precisa dizer que o Estado homônimo é o Mato Grosso e que o evento esportivo é a Copa do Mundo? |
Ao assumir a presidência do Senado pela terceira vez, ontem à tarde, exatamente cinqüenta anos depois de ter pisado pela primeira vez o Congresso Nacional, como deputado, o senador José Sarney invocou Ruy Barbosa para responder aos que o criticaram pelo avançado da idade. Sarney lembrou que Ruy, com a idade dele hoje (78 anos) fazia campanha para voltar ao Senado, pela Bahia, quando, chegando à fronteira com Minas Gerais, subiu ao palanque e disse que iria se pronunciar em voz baixa para que os mineiros não ficassem sabendo que ele ali estava para pedir votos.
Depois de assistir a eleição e a posse de Sarney, ao vivo, pela TV, fui à Câmara Municipal de Dourados, para assistir o início dos trabalhos da atual legislatura. Não consegui esperar pelo pronunciamento do prefeito Ari Artuzi, com José Sarney e Ruy Barbosa na cabeça, martelando-me a célebre declaração do grande jurista e senador baiano, providencialmente ignorada agora colega maranhense que há anos representa o Amapá. A primeira vez que a li foi no início desta lida, na velha Folha de Dourados, e, talvez, pela tentativa sempre constante de adotá-la como lema de vida, não tenha conseguido assistir a sessão de ontem até o seu final.
Ei-la:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”
Desencarnado ano passado, o advogado Ayrthon Ferreira Barbosa, um dos pioneiros do Direito em Dourados e fundador da OAB local, agora dá nome ao Teatro Municipal, reabrindo a polêmica em torno dos critérios de concessão de honrarias pelos órgãos públicos. O ex-prefeito Braz Melo, um dos responsáveis pela construção daquele monumento à nossa cultura, foi o primeiro a espernear. Não que Dr. Ayrthon não merecesse, mas, segundo Genelhu, o correto seria que seu nome fosse eternizado numa placa em algum estabelecimento jurídico, e ele citou o novo prédio do Fórum cujas obras devem estar começando por estes dias.
Braz tem lá suas razões, mas talvez suas críticas tenham sido conseqüência do festival em que se transformou esse tipo de homenagem, principalmente as que partem lá do Palácio Jaguaribe. Já faz muito tempo que a Câmara Municipal vem concedendo essas honrarias a torto e a direito, principalmente títulos – a granel – de cidadania, a maioria apenas para massagear o ego de amigos, para pagar pequenos favores. Uma boa garibada no carro do vereador, por exemplo, já é motivo para que o chefe da oficina vire cidadão douradense, da mesma forma o dono da pizzaria que não economiza parmesão nem serve cerveja quente quando das esticadas de suas excelências para os rega-bofes nos quais as diferenças em plenário são mais facilmente amainadas. São situações tão esdrúxulas que chegam até causar constrangimento aos homenageados, uns por não se sentir merecedores, outros, exatamente pelo entendimento de que elas foram por demais vulgarizadas.
O próprio Braz Melo foi vítima de um desses escorregões protocolares do legislativo municipal, alegando um motivo qualquer, mas, se bem o conheço, não indo lá pegar o seu registro de cidadão douradense para não ter que dividir o palco com um monte de desconhecidos, entre os quais, com certeza, alguns desses que nem sabiam por que estavam sendo homenageados. Outra vítima do mesmo tipo de saia justa foi o ex-governador Pedro Pedrossian, merecedor de pelo menos uma semana de homenagens, só pra ele, por tudo que fez não só por Dourados, como para os dois Mato Grossos, mas, num raro momento de humildade não quis frustrar seu pupilo Raufi Marques, dividindo os holofotes com uma turma grande, talvez, até, pela plena consciência de que o brilho de sua estrela política não se ofusca assim por pouca coisa.
Por toda essa falta de critério e de discernimento os vereadores douradenses chegaram a pagar micos históricos, como o de conceder e depois ter que cassar o título de cidadão douradense ao rei Pelé, o cidadão do mundo que nunca encontrou espaço em sua agenda para um pulinho até a terra de Marcelino Pires. Mais recentemente, uma velada recusa à outorga de um título de cidadania causou muito constrangimento àquela Casa de Leis, mais até pela irreverência do ilustre homenageado e pelo ibope negativo que isso causou. Antonio Tonanni – e só podia ser ele! – empurrou com a barriga o quanto pode os nobres edis, alegando ser douradense por opção, não por imposição de lei, só adentrando ao plenário depois de morto, para, aí, sim, receber todas as honras que tanto fez por merecer.
Teatro Ayrthon Ferreira Barbosa? Pena que a lei não permita homenagear pessoas vivas, pois ninguém mais que nossa genial Blanche Torres para merecer ter o nome eternizado neste que é o seu espaço, nesta que é a sua casa, ela que tanto orgulho deu a Dourados e ao Mato Grosso do Sul brilhando nos palcos do teatro brasileiro e que deveria por lá ter ficado, mas preferiu voltar à sua terra, e para fazer o quê? Para ensinar teatro às nossas crianças!
Teatro Ayrthon Ferreira Barbosa? Sim, Braz Melo, uma merecida homenagem no apagar das luzes de um governo de intelectuais, senão pelo grande ator que Dr. Ayrthon foi no palco Tribunal do Júri, pelas grandes encenações como jornalista e principalmente pela humildade e pelo idealismo que o levava a encarnar vários personagens, como o charadista Amadeu Leite Furtado, para falar das mazelas da sociedade ou o idealista nacionalista Policarpo Quaresma, emprestado da obra de Lima Barreto para alfinetar o regime militar em tempos de censura brava que o transformava de vez em quando no “Tiririca”, este, para espinafrar técnicos e juízes do esporte bretão, como gostava de escrever, mas nenhum comparável ao “Dr. Petiscão” que o eternizou no mundo da crônica literária e que agora o faz voltar ao centro do palco. E que isso sirva de lição aos vereadores entrantes, como diria o próprio Dr. Ayrthon, seja lá o pseudônimo que estivesse usando.
Aproveito o comentário sobre a tática de dominação romana do disc-jóquei dos anos dourados, jornalista da era Zé Elias, jurista contemporâneo e historiador nas horas vagas, Isaac Duarte de Barros Jr., servido aqui no blog como um refresco às idéias dos críticos de André Puccinelli, de origem romana, para tentar entender Ari Artuzi, que, fazendo-se de desentendido, foi chorar as pitangas e reclamar do mesmo Puccinelli, nesta quarta-feira, numa entrevista ao tucano Ben Hur Ferreira, na rádio cidade.
Tadinho do prefeito. Diz que nem está mais sendo convidado para certas solenidades na capital. E olha que nem completou um mês de mandato. Ele pediu para que o governador “ponha a mão na consciência”, dizendo que “até agora nada” para Dourados.
O prefeito Ari Artuzi tem dito e repetido que pra começo de conversa fez apenas três pedidos ao governador e que faz qualquer coisa para ser atendido. “Eu quero me vender pra ele”, costuma dizer, em seu jeito simplório de ver a política, jurando fidelidade eterna àquele que até poucos dias só o chamava de animal de pêlo curto. Seus pleitos: o anel-viário, a melhora nos índices de repasse de ICMs ao município e algumas UTI’s para o Hospital de Trauma.
Seria ótimo se André Puccinelli desse uma de estadista e atendesse de imediato os pleitos que, diga-se, não são do prefeito Ari Artuzi, mas de toda a comunidade douradense. Mas, será que o prefeito pensava mesmo que André Puccinelli iria deixar barato sua saída do PMDB, ainda mais para se aliar a Londres Machado e Ary Rigo, impondo-lhe, em seguida, humilhante derrota na disputa pela prefeitura de Dourados?
Pode ser até que o governador atenda aos seus três pedidos e até vá além disso, mas não vai deixar Artuzi faturar politicamente. Isso, ah, não vai mesmo. Santa ingenuidade, né, seu prefeito!
O leitor com o pseudônimo de “amigo do Abner” (cadê você Abner Hublush?) pede minha opinião sobre o nome do futuro governador do Estado e os dos douradenses com chances no próximo pleito. Já escrevi muito sobre isso e, além do mais, meus palpites, no caso de governador, nunca deram certo, exceto na eleição passada, quando até meus companheiros de torcida do Corinthians apostavam, como eu, todas as fichas no italiano bom de briga, André Puccinelli.
Até comecei a analisar as chances de Zeca do PT, Marisa Serrano e do próprio Puccinelli, candidato à reeleição, mas, ao alinhavar o texto, bisbilhotando aqui na net, eis que surge, na tela do computador, um baita nome, de uma baita candidata. Como o leitor, bem no estilo das mais sérias pesquisas eleitorais, pergunta quem seria o candidato com mais chances “hoje”, acho que não há dúvidas: ela – a BBB Priscila Pires! Ora, ora, pois, pois!
Priscila, representante de Mato Grosso do Sul no Big Brother Brasil 9, além de uma enormidade de predicados físicos, é campo-grandense, o que ajuda uma barbaridade, jornalista, modelo fotográfica, boa de televisão, o que conta muito numa eleição de governador, já provou que é boa de paredão e, com grandes chances sair do programa global um milhão de reais no bolso, para o pontapé inicial na campanha.
Se a moça gostar da idéia, alguém se atreve a concorrer? Fala Sério!
Ah, quanto aos nomes de Dourados e suas respectivas chances para as próximas eleições, a gente escreve depois. Vamos primeiro digerir o lançamento da “Pri”.
Depois de quase 24 horas de viagem, já de madrugada, abro a janela do ônibus, na entrada de Barra do Garças, na divisa do Mato Grosso com Goiás. A primeira impressão que tenho não é das melhores, parecendo estar chegando a uma cidade sem planejamento, onde se misturam oficinas com equipamentos pesados pelas calçadas ao lado de estabelecimentos comerciais e de serviços, tudo embolado com áreas residenciais. É o suficiente para voltar no tempo, relembrando Dourados do final da década de 1970, quando o prefeito José Elias Moreira batia com a porta de seu gabinete na cara de um repórter enxerido que insistia em questionar alguns pontos da polêmica Lei do Uso do Solo, em vias de implantação como resultado do diagnóstico do já então renomado urbanista Jaime Lerner.
Zé Elias mirava no futuro, concebendo uma cidade moderna e bem planejada, enfrentando o conservadorismo de uma população – comerciantes, principalmente – até então preocupada apenas com o estreitamento de algumas de nossas espaçosas avenidas e com gabarito para a construção de prédios (pelo projeto, pré-fixado em seis andares), exatamente para ordenar o crescimento da cidade na horizontal, não só por questões de segurança como também para o melhor aproveitamento dos espaços urbanos ociosos.
Trinta e dois anos depois parece que vai começar tudo de novo, com uma encrenca – das grandes – à vista, diante do açodamento do prefeito Ari Artuzi ao tratorar a legislação ambiental, liberando geral as licenças, e, da mesma forma, “desburocratizando” a concessão de alvarás, para se fazer cumprir uma promessa de campanha e já mandando avisar, também, que seu próximo alvo é a lei maior – a do uso do solo – que regulamenta todas essas questões.
O prefeito pode até estar imbuído das melhores intenções, por conta da sintonia fina que tem com a camada mais humilde da população, incluindo aí os pequenos comerciantes, mas o que não pode, no afã de querer mostrar logo a que veio, é começar a meter os pés pelas mãos, perdendo o senso da responsabilidade que o cargo lhe confere, avacalhando com a cidade e passando por cima de leis que demandaram muitos debates e muito dinheiro, uma vez em vigor.
Alguém que tenha o mínimo de juízo precisa explicar ao prefeito, de forma bem didática, que Dourados arca com o ônus de uma enorme demanda administrativa por conta de uma estrutura física que daria para atender mais que o dobro dos atuais duzentos mil habitantes. Isso, por causa do afrouxamento desta mesma Lei do Uso do Solo, transformada numa verdadeira colcha de retalhos em conseqüência da política urbanista pusilânime dos que se sucederam a Zé Elias e se curvaram aos interesses de especuladores, principalmente os imobiliários.
Diante desta encruzilhada, fica a expectativa de que Dourados siga firme rumo ao desenvolvimento sustentável, reconquistando a liderança perdida, pois, ao contrário, volta ligeirinho aos tempos do velho coronelismo político. E o mínimo que a população espera, neste momento, é ação firme de alguém que não perca tempo brincando de bedel, fazendo demagogia com o ponto de funcionários, como se não houvesse nada de mais importante a fazer, num escárnio, particularmente, à classe médica. Dourados sonha, muito mais, com um líder que pense grande como Zé Elias, o prefeito que trouxe alguém do quilate de um Jaime Lerner para por ordem em seu crescimento, que, agora, de novo, volta a ser ameaçado pela irresponsabilidade daqueles mais vulneráveis a interesses menores e corporativistas, e, o que é pior, pela pouca noção dos grandes desafios que precisam ser encarados. Pelo andar da carruagem, não demora e a tal sociedade organizada terá que voltar às trincheiras.
Conversa mole pra boi dormir, ou, como diria o senador pernambucano Marco Maciel, “tertúlia flácida para bovino dormitar”. Assim pode ser definido o motivo – “vim ver um amigo, desejar sorte e muito sucesso” – alegado pelo deputado Londres Machado para a sua “visita surpresa” (com direito a foto no jornal O Progresso, de hoje) ao prefeito Dirceu Lanzarini. O Chinês, como é conhecido o mais longevo dos políticos com mandato do Estado, não é de ficar saindo por aí desejando boa sorte a ninguém. Seu estilo sempre foi muito claro: gabinete, gabinete e mais gabinete. Da Assembléia Legislativa, bem entendido. De preferência o maior deles, compatível com o tamanho de seu poderio, independentemente de estar ou não presidindo a casa de Leis onde entrou ainda nos tempos do velho Mato Grosso e de onde nunca mais saiu.
É claro que a visita de Londres Machado ao seu correligionário “republicano” não é só conseqüência do tédio em que tem vivido desde que seu arquirrival André Puccinelli chegou ao governo do Estado. A menos que tenha se aproveitado da relativa proximidade de sua fazenda, em Dourados, para auscultar o potencial da piscicultura de Amambai, mas tudo levando a crer que a visita tenha a ver, mesmo, é com a mexida no tabuleiro da sucessão estadual para 2010, não por coincidência, no instante em que a candidatura de José Orcírio Miranda dos Santos, o seu velho amigo Zeca do PT, começa a despontar no horizonte, fazendo aumentarem os batimentos cardíacos Puccinelli.
Por mais civilizado que seja politicamente, é evidente que Londres Machado jamais conseguiu superar as picuinhas decorrentes do jeito de fazer política na corrutela, esperando a hora certa para dar o bote naquele que, mesmo tendo emergido das águas do Rio Dourado depois dele, conseguiu chegar ao Governo do Estado, objeto de desejo ao longo de toda sua vida pública.
E isso é pragmatismo. Enquanto André diz que conversa com Lula sobre sucessão, Londres busca exatamente um dos prefeitos mais competentes e simpáticos para mostrar que não está morto e para anunciar que este é só o início de outras visitas “de cortesia” a correligionários. O italiano, pois, que ponha as barbas de molho, pois o Chinês, pelo jeito, já está colocando as manguinhas de fora.