Valfrido Silva

debate de idéias, política, economia e cultura regional

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Terra Blog

04.06.08

Murilo vai para o sacrifício contra Artuzi

Ninguém ouviu, ainda, da boca dele, que é candidato, mas tudo indica que o vice-governador Murilo Zauith vai, mesmo, para a disputa eleitoral, em sua segunda tentativa de disputar a cadeira de prefeito de Dourados. Na primeira vez, em 2000, foi derrotado pelo atual prefeito, Laerte Tetila, depois da desastrada estratégia de recusar apoio de lideranças consideradas “do passado” por seus marketeiros, como os ex-vice-governadores Braz Melo e George Takimoto e os ex-deputados Valdenir Machado, Humberto Teixeira e José Elias Moreira, alguns destes, hoje, na linha de frente de sua pré-campanha.

Muito mais que disputar uma eleição, Murilo sabe que esta é a cartada decisiva de sua trajetória política. Sabe também – e confessou isso a mais de um amigo – que se perder mais uma vez vai para casa, sepultando o sonho dourado de ser o primeiro senador da cidade, para encerrar a carreira como coadjuvante de luxo de Puccinelli.

O governador, por sua vez, cirurgião médico que se destacou como o grande administrador público, consolida-se, assim, como o grande arquiteto da política, pois com Murilo candidato a prefeito, fica livre dele para as amarrações visando 2010, quando pretende concorrer à reeleição tendo como companheiro de chapa o deputado Waldemir Moka concorrendo ao Senado e ainda tendo a vaga de vice-governador para barganhar com os partidos da base aliada. Murilo prefeito, bom para André, que teria o apoio do prefeito da segunda maior cidade do Estado. Com Murilo derrotado, não seria tão ruim assim, pois o atual vice estaria sem forças para tentar levar a frente o projeto do Senado e sem condições até mesmo para continuar vice, levando-se em conta a “disposição” que ele vem demonstrando para disputas eleitorais.

A relutância de Murilo em anunciar a candidatura revela a angústia que vem vivendo desde a posse de André no governo. Sempre tido como candidato natural, colocou-se o tempo todo à disposição do projeto político do governador, mas sem a devida inserção na mídia, como vice. Sumido e sem essa alavanca que lhe daria maior visibilidade junto ao eleitorado, limitando-se a contemplar a paisagem debaixo de um pé de “Chico Magro” que faz sombra ao prédio onde fica a vice-governadoria, no Parque dos Poderes, Zauith viu o deputado Ari Artuzi disparar nas pesquisas, com a providencial ajuda verbal do próprio Puccinelli.

A mais de um amigo também Murilo tem confidenciado que é consciente dos riscos que corre, mas que prefere isso a comprar uma briga agora com Puccinelli, de quem se diz, ainda, um grande admirador. Assim, depois das rodadas de bobó de galinha interrompidas pela justiça eleitoral, o negócio é aguardar pela próxima grande tacada de marketing dos democratas, restando saber se as obras do PAC podem trazer de volta o fôlego que ele tanto necessita, recuperando o tempo perdido até agora.




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