Valfrido Silva

debate de idéias, política, economia e cultura regional

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Terra Blog

08.06.08

O nó gordio da sucessão municipal

O ex-vereador Archimedes (Ferrinho) Lemes Soares, além de guru, é uma espécie de arauto da pré-candidatura do vice-governador Murilo Zauith à prefeitura de Dourados. Nos pontos de café por onde passa sempre bem cedinho deixa um rastro de incertezas quanto à candidatura do líder das pesquisas, Ari Artuzi, que chega a embaralhar as idéias até do mais fanático seguidor do deputado pedetista, tanta a convicção com que espalha o que garante serem as mais quentes informações sempre vindas do Parque dos Poderes ou da cozinha de Zauith, onde, vangloria-se, toma café em companhia do todo poderoso da Unigran e de sua esposa, dona Cecília, a quem chama de madrinha.

 
Vereador e por duas vezes e presidente da Câmara Municipal, Ferrinho sempre operou com muita competência nos bastidores da política douradense. Em 1976, nas eleições entre Lauro Machado de Souza e José Elias Moreira, teria chegado ao cúmulo de sair fardado de policial pela colônia espalhando a falsa notícia de que Lauro havia sido preso e de que corria o mesmo risco quem votasse nele, por causa de uma denúncia, também forjada, de que o candidato apoiado pelo então prefeito João da Câmara havia mandado clonar títulos eleitorais.

 
Agora, quando a determinação de Ari Artuzi vai se cristalizando, com a aproximação do prazo para a realização das convenções partidárias, Ferrinho aumenta o tom de voz, talvez por acreditar na famosa premissa do ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goelbbes, para quem “uma mentira muitas vezes repetida, torna-se verdade”.

 
A verdade é que nem Ferrinho, nem Murilo, nem os poderosos de plantão, poderiam esperar que Ari Artuzi, o caminhoneiro que virou vereador e depois deputado com a maior votação já vista na história de Dourados poderia peitar o todo poderoso André Puccinelli, com toda sua truculência verbal. Ao correr o risco de perder o mandato, trocando PMDB, onde sabia que não teria legenda, pelo PDT de João Leite Schimidt, cujo discurso sempre foi o de que partido que não disputa eleição não é partido, Artuzi mostrou destemor, mesmo assim, não foi levado a sério, tornando-se o nó górdio da atual corrida sucessória e colocando Murilo cada vez mais perto do canto do ringue.

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