Valfrido Silva

debate de idéias, política, economia e cultura regional

28

de
janeiro

Priscila governadora

Priscila, 26 aninhos, governador e por que não?

Priscila, 26 aninhos, governador e por que não?

 

O leitor com o pseudônimo de “amigo do Abner” (cadê você Abner Hublush?) pede minha opinião sobre o nome do futuro governador do Estado e os dos douradenses com chances no próximo pleito. Já escrevi muito sobre isso e, além do mais, meus palpites, no caso de governador, nunca deram certo, exceto na eleição passada, quando até meus companheiros de torcida do Corinthians apostavam, como eu, todas as fichas no italiano bom de briga, André Puccinelli.

Até comecei a analisar as chances de Zeca do PT, Marisa Serrano e do próprio Puccinelli, candidato à reeleição, mas, ao alinhavar o texto, bisbilhotando aqui na net, eis que surge, na tela do computador, um baita nome, de uma baita candidata. Como o leitor, bem no estilo das mais sérias pesquisas eleitorais, pergunta quem seria o candidato com mais chances “hoje”, acho que não há dúvidas: ela – a BBB Priscila Pires! Ora, ora, pois, pois!

Priscila, representante de Mato Grosso do Sul no Big Brother Brasil 9, além de uma enormidade de predicados físicos, é campo-grandense, o que ajuda uma barbaridade, jornalista, modelo fotográfica, boa de televisão, o que conta muito numa eleição de governador, já provou que é boa de paredão e, com grandes chances sair do programa global um milhão de reais no bolso, para o pontapé inicial na campanha.

Se a moça gostar da idéia, alguém se atreve a concorrer? Fala Sério!

Ah, quanto aos nomes de Dourados e suas respectivas chances para as próximas eleições, a gente escreve depois. Vamos primeiro digerir o lançamento da “Pri”.

 

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25

de
janeiro

Encrenca à vista

Depois de quase 24 horas de viagem, já de madrugada, abro a janela do ônibus, na entrada de Barra do Garças, na divisa do Mato Grosso com Goiás. A primeira impressão que tenho não é das melhores, parecendo estar chegando a uma cidade sem planejamento, onde se misturam oficinas com equipamentos pesados pelas calçadas ao lado de estabelecimentos comerciais e de serviços, tudo embolado com áreas residenciais. É o suficiente para voltar no tempo, relembrando Dourados do final da década de 1970, quando o prefeito José Elias Moreira batia com a porta de seu gabinete na cara de um repórter enxerido que insistia em questionar alguns pontos da polêmica Lei do Uso do Solo, em vias de implantação como resultado do diagnóstico do já então renomado urbanista Jaime Lerner.

 

Zé Elias mirava no futuro, concebendo uma cidade moderna e bem planejada, enfrentando o conservadorismo de uma população – comerciantes, principalmente – até então preocupada apenas com o estreitamento de algumas de nossas espaçosas avenidas e com gabarito para a construção de prédios (pelo projeto, pré-fixado em seis andares), exatamente para ordenar o crescimento da cidade na horizontal, não só por questões de segurança como também para o melhor aproveitamento dos espaços urbanos ociosos.

 

Trinta e dois anos depois parece que vai começar tudo de novo, com uma encrenca – das grandes – à vista, diante do açodamento do prefeito Ari Artuzi ao tratorar a legislação ambiental, liberando geral as licenças, e, da mesma forma, “desburocratizando” a concessão de alvarás, para se fazer cumprir uma promessa de campanha e já mandando avisar, também, que seu próximo alvo é a lei maior – a do uso do solo – que regulamenta todas essas questões.

 

O prefeito pode até estar imbuído das melhores intenções, por conta da sintonia fina que tem com a camada mais humilde da população, incluindo aí os pequenos comerciantes, mas o que não pode, no afã de querer mostrar logo a que veio, é começar a meter os pés pelas mãos, perdendo o senso da responsabilidade que o cargo lhe confere, avacalhando com a cidade e passando por cima de leis que demandaram muitos debates e muito dinheiro, uma vez em vigor.

 

Alguém que tenha o mínimo de juízo precisa explicar ao prefeito, de forma bem didática, que Dourados arca com o ônus de uma enorme demanda administrativa por conta de uma estrutura física que daria para atender mais que o dobro dos atuais duzentos mil habitantes. Isso, por causa do afrouxamento desta mesma Lei do Uso do Solo, transformada numa verdadeira colcha de retalhos em conseqüência da política urbanista pusilânime dos que se sucederam a Zé Elias e se curvaram aos interesses de especuladores, principalmente os imobiliários.

 

Diante desta encruzilhada, fica a expectativa de que Dourados siga firme rumo ao desenvolvimento sustentável, reconquistando a liderança perdida, pois, ao contrário, volta ligeirinho aos tempos do velho coronelismo político. E o mínimo que a população espera, neste momento, é ação firme de alguém que não perca tempo brincando de bedel, fazendo demagogia com o ponto de funcionários, como se não houvesse nada de mais importante a fazer, num escárnio, particularmente, à classe médica. Dourados sonha, muito mais, com um líder que pense grande como Zé Elias, o prefeito que trouxe alguém do quilate de um Jaime Lerner para por ordem em seu crescimento, que, agora, de novo, volta a ser ameaçado pela irresponsabilidade daqueles mais vulneráveis a interesses menores e corporativistas, e, o que é pior, pela pouca noção dos grandes desafios que precisam ser encarados. Pelo andar da carruagem, não demora e a tal sociedade organizada terá que voltar às trincheiras.

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23

de
janeiro

O Chinês põe as mangas de fora

Conversa mole pra boi dormir, ou, como diria o senador pernambucano Marco Maciel, “tertúlia flácida para bovino dormitar”. Assim pode ser definido o motivo – “vim ver um amigo, desejar sorte e muito sucesso” – alegado pelo deputado Londres Machado para a sua “visita surpresa” (com direito a foto no jornal O Progresso, de hoje) ao prefeito Dirceu Lanzarini. O Chinês, como é conhecido o mais longevo dos políticos com mandato do Estado, não é de ficar saindo por aí desejando boa sorte a ninguém. Seu estilo sempre foi muito claro: gabinete, gabinete e mais gabinete. Da Assembléia Legislativa, bem entendido. De preferência o maior deles, compatível com o tamanho de seu poderio, independentemente de estar ou não presidindo a casa de Leis onde entrou ainda nos tempos do velho Mato Grosso e de onde nunca mais saiu.

 

É claro que a visita de Londres Machado ao seu correligionário “republicano” não é só conseqüência do tédio em que tem vivido desde que seu arquirrival André Puccinelli chegou ao governo do Estado. A menos que tenha se aproveitado da relativa proximidade de sua fazenda, em Dourados, para auscultar o potencial da piscicultura de Amambai, mas tudo levando a crer que a visita tenha a ver, mesmo, é com a mexida no tabuleiro da sucessão estadual para 2010, não por coincidência, no instante em que a candidatura de José Orcírio Miranda dos Santos, o seu velho amigo Zeca do PT, começa a despontar no horizonte, fazendo aumentarem os batimentos cardíacos Puccinelli.

 

Por mais civilizado que seja politicamente, é evidente que Londres Machado jamais conseguiu superar as picuinhas decorrentes do jeito de fazer política na corrutela, esperando a hora certa para dar o bote naquele que, mesmo tendo emergido das águas do Rio Dourado depois dele, conseguiu chegar ao Governo do Estado, objeto de desejo ao longo de toda sua vida pública.

 

E isso é pragmatismo. Enquanto André diz que conversa com Lula sobre sucessão, Londres busca exatamente um dos prefeitos mais competentes e simpáticos para mostrar que não está morto e para anunciar que este é só o início de outras visitas “de cortesia” a correligionários. O italiano, pois, que ponha as barbas de molho, pois o Chinês, pelo jeito, já está colocando as manguinhas de fora.

 

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20

de
janeiro

Obama, o Brasil e Artuzi

A foto de Barack Obama pintando a parede de um abrigo para sem-teto em Washington, na véspera de sua posse, numa grande jogada de marketing, mostra um Obama “mais negro e mais humilde”, como destacou a mídia internacional. No seu discurso de posse, agora à tarde, ele disse que os Estados Unidos escolheram a esperança sobre o medo, numa referência à gravidade da crise econômica mundial. E, para fechar o dia, dez bailes para comemorar a chegada do primeiro negro à Casa Branca.

 

O que isso tem a ver com a gente aqui do lado de baixo da linha do Equador? Antes de tudo, como em todo o mundo, esperanças renovadas, com o fim – é o que esperamos – do belicismo da era Bush. A semelhança com o Brasil, por enquanto, apenas o discurso do novo presidente, na citação da opção feita pelos americanos, na questão da esperança. Alguém se lembra de quem disso isso por aqui? Claro, ele, o grande Lula, também no discurso de posse.

 

Mas e o prefeito Ari Artuzi, o que tem a ver com isso tudo? Ah, pelo jeito o presidente Obama também é chegado num bailão. Se Artuzi foi criticado por Murilo Zauith, durante o último debate na TV, às vésperas da eleição, só porque deixava de comparecer às sessões da Assembleia Legislativa para bailar pela periferia de Dourados, Obama, neste dia histórico, vai dançar em pelo menos dez bailes.

 

E as semelhanças entre Obama e Artuzi não param por aí. Para quem achou um fiasco a posse de Artuzi, só porque ele se atrapalhou ao ler o juramento de posse, que prestem a atenção ao juramento de Obama, que, certamente, vai estar em todos os telejornais noturnos. Ele também se atrapalhou, tadinho.

 

Mais interessante nisso tudo, entretanto, seria se Ari Artuzi prestasse bem atenção ao gesto de humildade de Obama pintando a parede dos sem-teto na capital americana. Até aqui, antes e depois da posse, não se viu nenhum um gesto de Artuzi que faça lembrar a origem humilde que o transformou em fenômeno eleitoral. Muito pelo contrário.

 

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19

de
janeiro

Uma história para ser esquecida

Arrogante e pretensioso. É o mínimo que se pode dizer do filme institucional veiculado nas emissoras de TV do Mato Grosso do Sul pela Assembleia Legislativa, “informando” que a história do Estado começou a ser escrita no dia primeiro de janeiro de 1979, data de sua instalação, com a posse dos deputados constituintes e do governador Harry Amorim Costa. E os cem anos da luta divisionista liderada por Vespasiano Martins e tantos outros, como Valdomiro de Souza, que chegou a dar ao filho (advogado douradense, hoje morando em Curitiba) o nome de Matogrossense do Sul Brandão de Souza, vai tudo para a lata de lixo?

 

Não sei se estou caducando, mas tenho a impressão de que estive em Brasília, numa bonita cerimônia no salão Leste do Palácio do Planalto, às 11h da manhã de 11 de outubro de 1977, na presença de um monte de lideranças políticas, quando o presidente Ernesto Geisel assinou a lei complementar número 31, criando o Estado do Mato Grosso do Sul. Isso não é história? Se não me falha a memória a assinatura daquele ato histórico deu-se com uma caneta de ouro, com os ministros Armando Falcão, da Justiça e Maurício Rangel Reis, do Interior, este considerado o “pai da divisão”, também assinando o documento que conferia emancipação política e administrativa à parte Sul do Velho Mato Grosso, seccionado no sentido leste-oeste um pouco acima do ponto onde é hoje a cidade de Sonora, tendo como linhas demarcatórias alguns rios, como o Cuiabá, o Itiquira e o Correntes, este, o mais conhecido, pois é o que corta a BR 163, de ligação entre os dois Estados.

 

Se a história do Mato Grosso do Sul começa com a instalação da Assembleia Constituinte, em primeiro de janeiro de 1979, como diz o filme com o qual se gasta agora uma babilônia na televisão, então nem a própria Constituinte poderia ter sido instalada, uma vez que os deputados que a compunham foram eleitos em 1978, não só eles como também os primeiros federais e o primeiro senador eleito pelo voto direto em Mato Grosso do Sul, Pedro Pedrossian. A propósito, pela visão equivocada da atual mesa diretora da Assembléia Legislativa, não se trata de história a ferrenha batalha de bastidores que abalou as estruturas da cúpula emborcada do Congresso Nacional, com o senador Mendes Canale obrigando o regime militar a desistir de indicar o mesmo Pedro Pedrossian como o primeiro governador? E a briga intestina entre os outros dois senadores remanescentes do Mato Grosso, os cunhados Italívio Coelho e Rachid Dérzi, pela vaga de senador biônico, em 1978? Também não é história?    

 

Ao confundir a estória da Assembleia com a história do Mato Grosso do Sul, os roteiristas deste filminho perderam a oportunidade de se aprofundar nos mistérios da impressionante longevidade política de um dos mais ilustres integrantes daquela casa, o deputado Londres Machado, deixando de trazer a público os segredos e a forma mágica da atuação do homem que ali implantou uma espécie de Universidade dos grandes conchavos, fazendo reféns todos os governadores que se instalaram num prédio um pouco mais adiante, antes de André Puccinelli.

 

Bem provável também, pelo alinhamento político finalmente estabelecido entre Assembleia e Governo, que os produtores deste filme sejam os mesmos daquele outro, também veiculado a peso de ouro, na TV, para, ao anunciar as “realizações” do governador André Puccinelli em Dourados, também vender o peixe do deputado Geraldo Resende, mesmo que para isso, sem nenhum pudor, peguem carona nas imagens de arquivo das obras dos prefeitos Braz Melo, Humberto Teixeira, Laerte Tetila e até da catedral Imaculada Conceição.

 

Não só os eleitores são afrontados, mas também a justiça, tão ciosa quando se trata de campanhas políticas fora de época, e o Ministério Público, que tanto se gaba, também na mídia eletrônica, como guardião da Constituição da República, a mesma que proíbe esse tipo de farra com o dinheiro público.

 

Se for assim que a Assembleia Legislativa escreve a história do Mato Grosso do Sul, é bom que se vire logo esta página, pois esta é uma história para ser esquecida.

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15

de
janeiro

O coaxar do velho cururu

Eis o que se pode chamar de uma “bela recaída” jornalística, a do colega Cícero Faria, voltando ao seu velho e bom estilo de matar a cobra e mostrar o pau, num tempo em que o eufemismo trouxe para as colunas políticas uns tais passarinhos, alguns até depenados, que insistem em esconder a notícia debaixo de suas asas. Agora, está explicado o porquê do tom policialesco adotado pelo neoempresário de comunicação Alfredo Barbara em sua coluna “De Olho”, no Diário MS, quando o assunto é a gorda conta publicitária da prefeitura de Dourados.

 

Descartado para a Secretaria de Governo, que ele queria comandar juntamente com a de Comunicação de seu amigo e correligionário Ari Artuzi, Barbara deve ter pensado melhor, preferindo agir como empresário, talvez imaginando faturar mais apenas na condição de amigo do rei. E assim, o jornalista passou a palpitar sobre questões da publicidade, mandando recadinhos enciumados em sua coluna sobre o assédio que o secretário Maurício Peralta estaria sofrendo do dono de “uma pequena agência” de publicidade.

 

Tudo bem que Barbara é (ou foi), apenas professor de uma cadeira no curso de jornalismo, mas, por estar na área, deveria ter conhecimentos mínimos da questão burocrática oficial e entender que esse negócio de contratação de agência para serviços de criação e divulgação em órgãos públicos passa por um rigoroso processo de licitação, onde deve prevalecer o princípio da isonomia. Não se esquecendo também que Dourados hoje conta com várias agências de publicidade e até um sindicato que fiscaliza as questões éticas às quais são submetidos os profissionais da área.

 

Cícero Faria adiantou em sua coluna que Barbara estaria metendo o bedelho na criação do novo logotipo e também no conceito (slogan) da nova administração. Barbara desmentiu por vias tortas, mandando, como sempre, seus já manjados recadinhos. Hoje, em O Progresso, Faria estampa não só a tal logomarca e o conceito, como a comprovação de quem é o responsável pelo feito. Batom na cueca!

 

Agora, deixando de lado o furo jornalístico de Cícero Faria e as questões burocráticas que o secretário de Comunicação Eleandro Passaia terá que explicar ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público, na hora certa, vamos ao mérito da obra prima: “Dourados, trabalho que gera crescimento”, o slogan, seguido de uns rabiscos dos mais primários. Quanta falta de criatividade! Quantos neurônios queimados para o óbvio ululante! E, pior e mais grave: quanto será que a prefeitura vai jogar de dinheiro na lata de lixo pelo descomunal esforço criativo de Barbara?

 

Sem dúvida que a chuva fez bem ao velho cururu, que voltou a coaxar bonito.

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13

de
janeiro

Geraldo Resende e seus milhões

Talvez a psicanálise explique: ele foi um menino pobre, sonhador, idealista e muito trabalhador – engraxate, jornaleiro, enfim, aquela história que todo mundo conhece. Formado médico, virou político – vereador, deputado estadual, secretário de saúde do Estado, deputado federal. Sonha ser prefeito de Dourados, mas faltam-lhe votos na cidade que o acolheu há mais de quarenta anos. Talvez por isso, insista tanto em manchetar os jornais, todo santo dia!, com milhões e milhões de reais que arranca em Brasília (mesmo com o Congresso em recesso) para obras e mais obras em Dourados e em todo o Mato Grosso do Sul. Seu nome: Geraldo Resende Pereira.

 

Interessante é que os textos ditados aos seus assessores jornalistas são sempre na mesma direção: milhões e mais milhões, no título, não importando a abrangência ou a importância da obra. Aos mais desatentos, dá a impressão, até, de notícia requentada, pois desde antes das eleições é a mesma coisa: “Geraldo Resende consegue tantos milhões…”, e lá vem aquela infinidade de números e rubricas.

 

Até pouco tempo achava que essa obsessão de Geraldo Resende pela mídia impressa se devesse ao fato de, na adolescência, ter trabalhado na Folha de Dourados, nos bons tempos de Theodorico Luiz Viegas. Mas, não! De uns tempos para cá desembestou a ocupar todos os espaços de outdoors, no rádio (pagando até cachê de artistas!) e, agora, na TV para divulgar seus feitos, alguns questionáveis quanto ao mérito, já que muitas das obras por ele citadas são conquistas coletivas, fruto de muito esforço das duas bancadas no Congresso, de lobby de governadores e de prefeitos, como, por exemplo, a implantação da UFGD.

 

Em sua última investiga o deputado deve ter pentelhado tanto o governador André Puccinelli que até a Constituição Federal foi desrespeitada, pois que seu nome é citado num vídeo para a TV como o autor das emendas que resultaram na liberação de alguns dos milhões de reais que estão sendo investidos em Dourados.  E a lei maior, que ele, como deputado, deveria ser o primeiro a respeitar, é muito clara quando trata da administração pública, nas disposições gerais, capítulo VII, seção I, Artigo 37, item XXII, parágrafo primeiro (atenção Eleandro Passaia!): “a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”.

 

O interessante nisso tudo é que nem a surra dada por Ari Artuzi nas urnas faz essa gente mudar o comportamento. A menos que a insistência nestas manchetes, com tantas cifras, seja para refrescar a memória de outros que não os eleitores.

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11

de
janeiro

Um líder chapeludo

Minha grande expectativa em relação ao time escalado pelo povo para defender as cores do velho Jaguaribe na difícil peleia contra os descamisados do Canaã I, no campeonato oficial que começaria em fevereiro, era muito mais para os detalhes de adereços do que propriamente do uniforme de seus craques, não restando dúvida quanto à predominância do amarelo e do azul da bandeira da terra de Antonio João. Como, a pedido do técnico adversário, sob forte influência da cartolagem – sempre de olho na bilheteria –, o início do campeonato foi antecipado para a semana passada, fiquei aliviado quando vi aquele que naturalmente se colocou como capitão do time entrando em campo sem chapéu.

 

Maravilha. Se Gino Ferreira consegue agir e pensar sem usar chapéu, já é um grande começo. As regras futebolísticas não recomendam que atacantes, principalmente um centroavante, como parece ser o caso, ocupem a função de capitão do time. De chapéu, então, nem pensar! Imagine, por exemplo, o capitão com aquele chapelão, na boca do gol, num cruzamento de Zézinho da Farmácia.

 

Metáforas à parte a verdade é que Gino Ferreira surge como uma das grandes promessas desta nova Câmara. Sua firme posição à frente do famoso G-9, deixando Ari Artuzi em cólicas a ponto de quase não poder tomar posse e emparedando grandes articuladores como Ari Rigo e Londres Machado o credencia como liderança natural deste time e, quem sabe, o nome que faltava para fazer frente às futuras demandas do eleitorado depois da carnificina eleitoral provocada pelo maquiavelismo de André Puccinelli nas últimas eleições.

 

Um dia antes da eleição da nova mesa diretora da Câmara cruzei com ele, por acaso, na porta de um hospital, e o provoquei, repassando a informação de um adversário dele de que o jogo estaria empatado. Sua resposta foi das mais convictas quanto à lealdade do tal G-9, mas, como quem aprendeu rápido as regras do jogo político, passou a nominar gente que tinha tudo para fazer história na política e que deu com os burros n’água porque não resistiu ao canto da sereia, a maioria, ao chegar, justamente, ao Palácio Jaguaribe.

 

Não importa o que aconteceu nesta primeira sessão extraordinária convocada pelo prefeito Ari Artuzi. Todos apelaram para o discurso padrão, com aquele blablablá de que estão votando com Dourados. Mas que não se iludam Artuzi e sua turma, pois a lógica da política, pela composição que se tem hoje no legislativo, diz que vem chumbo grosso por aí.

 

E antes que alguém comece a dizer que vereador é tudo igual, que acaba sempre embolsado, literalmente, pelo prefeito, é bom que se atente para o perfil de uns poucos, como Gino Ferreira, e que se volte no tempo, não precisando nem muito esforço de memória, bastando apenas a lembrança recente do que aconteceu com a última legislatura, e de quantos lá continuam.

 

Gino Ferreira parece levar jeito para a coisa. Já fez bonito como presidente da entidade que representa sua classe – dos produtores rurais – falando grosso e encarando questões polêmicas como as dos sem-terra, dos índios e dos quilombolas, não dando mostras de que vá tremer diante de um Ari Artuzi. Não parece ser daqueles que se pelam de medo com as trombetas do Apocalipse ou que se deixam levar pelas vantagens sempre oferecidas pelo executivo, a maioria delas em forma de sinecuras a apaniguados ou parentes ou, pior, dos já famosos “purfas”, mesmo que em forma de jetons extraordinários, como os primeiros concedidos pelo prefeito à nova Câmara, em pleno período de férias legislativas.

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8

de
janeiro

Quanta inveja, Vila Brasil!

Quando escrevo que Dourados é uma cidade sem liderança, muito mais que pegar no pé do nosso novo burgomestre, tento alertar para os prejuízos que isso representa a médio e longo prazo. Já imaginaram como seria Dourados hoje se José Elias Moreira ou Braz Melo tivessem sido governadores do Estado? Será que estaríamos ainda mendigando um anelzinho viário enquanto os prefeitos de Campo Grande não sabem mais aonde enfiar tanto asfalto?

 

Convido os amigos blogueiros a uma reflexão depois de ter circulado por Fátima do Sul nestes primeiros dias de 2009, constatando o quanto a cidade Favo de Mel é bem policiada, não precisando descer a detalhes dos milhões de reais que a prefeita Ilda Machado está enfiando no brejo à beira do Rio Dourados, para implantar uma grande área de lazer.

 

Pode ser até que, proporcionalmente, Fátima não esteja tão bem servida de PMs quanto Dourados, mas como a cidade é pequena o efeito visual é grande, e, em cada esquina, lá está uma dupla dos famosos “Cosme e Damião”, afugentando a bandidagem. Não se tem notícia, por exemplo, de que na terra de Londres Machado e de André Puccinelli se assalte padarias ou farmácias, no centro da cidade, à luz do dia, ou de um sem número de assassinatos, a todo instante, principalmente de jovens.

 

Enquanto Dourados não consegue atender a demanda da saúde, precisando a prefeitura pedir arrego ao Hospital Evangélico, que até bem pouco tempo “internava” doentes do SUS em cadeiras de fios pelos corredores, Fátima do Sul tem um baita hospital público praticamente às moscas, muita sinecura e pouca serventia.

 

Depois da urna biométrica que deu mídia nacional, por ter sido testada em Fátima do Sul e apenas mais dois municípios brasileiros, agora o vice-governador Murilo Zauith anuncia que vai promover lá, também, um encontro com grandes nomes da política nacional. Por que lá e não aqui?

 

É que Fátima do Sul tem seu governador, André Puccinelli, e Londres Machado, que manda mais que todos os governadores juntos.

 

Não se assustem se, daqui uns dias, caso Artuzi não dê conta do recado (já trouxeram Dilson Deguti, de Fátima do Sul, pra cuidar de nossa saúde), esses bravos nordestinos façam um movimento pedindo a anexação de Dourados ao território que um dia foi nosso. Eita Vila Brasil arretada! Quanta inveja!

 

 

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7

de
janeiro

De novo, o Estado do Pantanal

Na expectativa para conhecer os novos candidatos a astros da TV que entram no programa Big Brother, que estréia no próximo dia 13, vi num site qualquer aí do eixo Rio-São Paulo que entre os novos integrantes da casa mais vigiada do Brasil havia gente do Mato Grosso. Logo veio a curiosidade: alguém que conheci em minhas andanças por lá? Algum companheiro de noitada de Cuiabá? Melhor ainda: algum conhecido ou quem sabe um companheiro de campanha política de Água Boa, minha mais recente investida mato-grossense? Agora cedo, quando sai a relação dos novos BBBs, para minha surpresa, dois campo-grandenses, entre os selecionados, e nenhum mato-grossense! Como diz sempre meu sogro, Mané Torquato, aí que surge o problema!

 

Pode parecer besteira, mas enche o saco a gente ver toda hora a mídia nacional misturando alhos com bugalhos, confundindo o nome dos dois Estados. É um tal de “informar” Campo Grande ou Dourados, como cidades do Mato Grosso ou Cuiabá, como capital de Mato Grosso do Sul, enfim, uma lambança geográfica e histórica total, depois de 30 anos de divisão dos dois Estados.

 

Menos mal que as chances de Zeca do PT voltar ao governo do Estado já não são tão remotas como se imaginava quando o italiano “bom de gatilho” e de gogó André Puccinelli ascendeu ao poder dois anos atrás. Quem sabe voltando titio Zeca ao governo, como apontam as primeiras pesquisas, renasçam as esperanças do Estado do Pantanal entrar definitivamente nos mapas do Brasil e do mundo, acabando-se de vez com essa zorra total. Enquanto isso não acontece, vamos torcer pelos dois campo-grandenses no BBB.

 

 

 

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