Valfrido Silva

debate de idéias, política, economia e cultura regional

4

de
janeiro

Uma cidade sem liderança

Na sexta-feira entre o Natal e o Ano Novo, ali pelas 11h da manhã, depois de uma longa conversa com meu amigo Roberto Razuk,em sua residência, desci a João Cândido da Câmara em direção a Marcelino Pires, refletindo sobre o que acabávamos de falar. Entre um e outro cafezinho, fumando sem parar (sintoma de sua permanente inquietação com as coisas da política), o ex-deputado lembrava-se de um vaticínio por ele feito já ao final de seu segundo mandato sobre o perigo de Dourados perder sua condição de cidade pólo e de ver corredeira do rio Dourado abaixo, emboladas, suas lideranças passando pela ponte na entrada de Fátima do Sul. “Chamaram-me de louco”, disse Razuk, contrariado por constatar que, enfim, sua profecia está para se consumar.

 

Enquanto esperava por Anita, que pechinchava numa loja de bugigangas próximo à Praça Antonio João, com a coluna já chiando, sentei-me numa daquelas muretas de proteção das árvores no canteiro central, extasiado com o vai-e-vem dos carros causando um pequeno congestionamento, um sonho meu de criança, mas meio desacorçoado e tentando digerir aquela conversa. Nisso, num contraponto desta história, eis que vejo atravessando a Marcelino Pires, a pé, lépido e fagueiro, justamente uma das maiores lideranças políticas que Dourados já teve. Vestindo calça social com um vinco impecável, camisa de manga longa abotoada nos punhos, chapéu social de feltro colado, postura ereta, olhar firme, à frente, parecia até coisa do Altíssimo, Vivaldi de Oliveira, este mito da política douradense, em carne e osso, ali, desfilando diante de mim como que a mandar um recado a Razuk e a todos quantos se preocupam com o futuro desta cidade: Dourados tem, sim, competência para fabricar líderes.

 

Vivaldi de Oliveira foi vereador, prefeito e deputado, fenômeno eleitoral nas décadas de 1950 e 60. Abandonou a vida pública pela incompatibilidade da prática política com suas convicções religiosas, mas passando à história como ícone do trabalhismo estadual na era Vargas, conhecido como o prefeito “pai dos pobres”.

 

Continuei ali sentado e tentando contar nos dedos quantos líderes “de verdade” tivemos, além de Vivaldi. Como estava em frente ao local onde o português João Cândido da Câmara tocava um comércio, comecei pelo filho dele, Totó, também vereador, prefeito por dois mandatos e deputado federal. Bons tempos aqueles em que o prefeito João da Câmara “ordenava” ao todo poderoso governador Pedro Pedrossian que administrasse o Mato Grosso do Rio Brilhante pra cima, pois dali pra baixo mandava ele. Desta mesma época, também com cacoete para líder e grande promessa da política estadual, o deputado federal Weimar Torres foi abatido pela fatalidade em pleno voo para Brasília. Depois deles, veio o filho de seu Quinzito, mineiro de Poços de Caldas, José Elias Moreira, o prefeito que enxergou o futuro e fez as grandes transformações preparando Dourados para o século XXI, saindo da prefeitura antes de concluir o mandato para disputar o governo do Estado. Braz Melo chegou a dar pinta de liderança emergente do Mato Grosso do Sul, mas foi tragado pela corredeira do mesmo rio Dourado que forma uma espécie de pororoca nas imediações da famosa ilha política de Fátima do Sul.

 

Transportada para os dias atuais, a análise de Roberto Razuk (também ele, um líder por excelência) torna-se cruel. “Não temos representação”, diz ele, considerando-se, aí, para se fazer jus ao título de representante de Dourados, os votos obtidos, na cidade, pelo federal Geraldo Resende e pelo estadual Zé Teixeira, excluindo-se como deputado Ari Artuzi, o fenômeno de 2006, por ser ele agora o prefeito.           

 

Quanto a Artuzi – aí a conversa com Roberto Razuk já ficou para trás – seria a grande esperança de surgimento de uma nova grande liderança por estas bandas. Seria. É que, depois do fiasco e dos equívocos na formação de seu secretariado, e, com os primeiros passos da nova administração, já ficando evidente quem é que vai mandar, de fato, tem-se a impressão de que o eleitorado de Dourados caiu num grande conto do vigário, elegendo Artuzi que, agora, curva-se diante do poderio inexplicável de uma eminência parda, que veste saia, vinda de Campo Grande.

 

Neste caso, com Puccinelli sangrando Murilo Zauith, a esperança é que o professor Tetila, depois de recarregar as baterias com as Águas do Ribeirão dos Índios, volte a comandar o PT nas trincheiras da oposição. E, nesta condição, o PT é imbatível, podendo ressurgir daí – ou quem sabe desencantando um nome entre os vereadores – o líder que com o qual Dourados sonha há tanto tempo.

 

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1

de
janeiro

Um mau começo

“Ele vai se esborrachar”. Com esta frase um ex-prefeito douradense, que prefere ficar no anonimato, definiu, na véspera do ano novo, o futuro de Ari Artuzi, baseando-se nas últimas informações a respeito das articulações para a eleição da mesa diretora da Câmara Municipal e da nova equipe de governo. Como deu o esperado na Câmara, prevalecendo a força do grupo de oposição, e como Artuzi não surpreendeu na composição do secretariado, preferindo nomes à sua imagem e semelhança, é de se lamentar que este vaticínio tenha se tornado ainda mais nítido, nestes primeiros momentos da era Artuzi.

 

Ari Artuzi não se contentou em ter o cargo de prefeito. Ao preferir nomes, digamos, dos mais discretos, em cada categoria profissional, deixa claro que não vai abrir mão de imprimir seu jeito de governar, mandando às favas os acordos políticos e os critérios com aqueles quesitinhos básicos que sempre nortearam esse tipo de escolha.

 

Pior, ao assim proceder, Artuzi torna público sua oceânica insegurança, preferindo trabalhar, não com os mais competentes, mas com aqueles que se dispõem a se submeter ao velho conceito do “manda quem pode e obedece quem tem juízo” e, aí, mandando as favas o interesse público.

 

Não se deve menosprezar a competência de quem chega à prefeitura da mais importante cidade do interior do Estado nas condições fenomenais em que chegou este ex-caminhoneiro, em sua meteórica carreira política. Mas, como determina a lei da Física, tudo que sobe desce e, quanto maior o pulo, maior o tombo.

 

Exceto dois ou três cargos estratégicos dos quais foi obrigado a abrir mão para não entornar o caldo com os financiadores de campanha, o prefeito apostou todas as fichas no seu feeling político. É uma aposta temerária, pra quem terá uma Câmara hostil, como a que na manhã deste dia primeiro elegeu uma mesa diretora mais hostil ainda.

 

E este foi só o primeiro recado, num dia em que se tornou público, também, o rompimento político com o vice-prefeito, o bem articulado até ontem presidente da Câmara de Vereadores, Carlinhos Cantor, cujo nome desapareceu da lista dos novos secretários tão logo se ficou sabendo a nova composição da mesa da Câmara. Realmente, um mau começo.

 

O Secretariado

Darci Caldo – Secretaria de Governo
Ignez Maria Boschetti Medeiros – Secretaria de Finanças
João Azambuja – Secretaria de Receita
Tatiane Cristina da Silva Moreno – Secretaria de Administração
Edvaldo de Melo Moreira – Secretaria de Saúde
Marlene Florêncio de Miranda Vasconcelos – Secretaria de Educação
Itaciana Aparecida Pires Santiago – Secretaria de Assistência Social
Maurício Rodrigues Peralta – Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio
Carlos Ioris – Secretaria de Obras
Alziro Arnal Moreno – Procuradoria Geral do Município
Eleandro Passaia – Secretaria de Comunicação
Ironette Fátima Ferreira – Instituto Municipal do Meio Ambiente
Antônio Neres – Fundação Cultural e de Esportes (Funced)
Divaldo Machado de Menezes – Guarda Municipal
Edmilson Dias de Moraes – Chefe de Gabinete

 

 

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28

de
dezembro

Acabou a brincadeira

O anúncio do secretariado do prefeito Ari Artuzi, previsto para a manhã desta segunda-feira, está cercado de muita expectativa, pois é o último ato de um enredo até aqui cheio de emoções (pra não dizer trapalhadas), depois que o eleitorado de Dourados resolveu confiar seu destino a um simples carregador de toras de mãos calejadas. A propósito, não custa repetir, aqui e agora, o velho dito popular: “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”.

 

Ou Artuzi surpreende (será que dá tempo?), anunciando um baita secretariado, com a elite dos técnicos e políticos que tem à disposição, ou, confirmando os nomes que correm de boca em boca, de coluna em coluna, se afunda, de cara, num mar de mediocridade cujas ondas poderão acabar não só com as esperanças de seu imenso eleitorado, como também com as daqueles que não votaram nele, mas que não se agüentam mais de ansiedade pela tão prometida sacudida na cidade por ele prometida. Com raras exceções, os nomes até aqui vindos a público deixam muito a desejar, principalmente diante de tudo o que se sabe quanto ao perfil do novo prefeito.

 

Depois de tudo o que foi dito e escrito até aqui sobre a questão, seria preferível, até, mais um adiamento, mais um tempo, para que o prefeito reflita exaustivamente e consiga se livrar das amarras (e põe amarra nisso!) que o impedem de montar um grande time. Não é porque Barack Obama (que tal a comparação?), que se elegeu depois dele, já está com a equipe quase toda montada e anunciada ao mundo, que ele tem que fazer o mesmo. Como embromou até agora, que espere até a posse, que assuma com dois ou três – os essenciais – secretários, ganhando tempo para melhor conhecer a máquina que terá que conduzir pelos próximos quatro anos, para, depois, gradativamente, ir preenchendo os cargos. Erraria menos, com certeza.

 

Mas este é outro problema: ter humildade para admitir e reconhecer erros. Além do tal perfil (ou por não tê-lo, para ser prefeito) é público e notório que Ari Artuzi é de um temperamento muito difícil, até pelas limitações que a vida lhe impôs. Engana-se, por exemplo, quem se deixou levar pelo seu fortíssimo marketing pessoal, por sua simpatia contagiante e por seu jeitão espalhafatoso, sempre distribuindo abraços e tapões nas costas. O homem, segundo gente de sua cozinha, não é flor que se cheire e, pior, está se achando, depois de eleito prefeito, segundo os que o conhecem há mais tempo

 

Normal, até, observam esses que se consideram mais íntimos, que ele tenha passado a conjugar o verbo mandar com mais freqüência, mas, preocupante, é a ênfase que dá quando o faz, repetidamente, sempre na primeira pessoa do presente do indicativo, mandando às favas a hierarquia e o companheirismo políticos, a partir do instante em que o “pulo do gato”, muito mais que saber montar uma equipe, é conseguir manter esta equipe unida e coesa.

 

Entre as muitas coisas que tem dito em sua prestação de contas à população, o prefeito que sai, Laerte Tetila, tem creditado à capacidade e ao bom entrosamento de seus assessores o grande legado de sua administração. Como intelectual, homem sereno e pacificador, o professor Tetila deu uma grande aula de trabalho em equipe, administrando e deixando administrar. Que Artuzi, ensarilhando as armas da campanha, se espelhe neste professor de geografia que fez história como um dos maiores administradores que Dourados já viu. É hora de trabalhar. Acabou a brincadeira.

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21

de
dezembro

Bendito seja o fruto da sucupira

Difícil compreender como dois galhos tão próximos de uma árvore tão comum como a da família das sucupiras possam gerar frutos tão diferentes. É o que acontece com árvore genealógica (também sucupira) de sua excelência, o prefeito Ari Artuzi e de seu tio, o ex-vereador Dioclécio “Sucupira” Artuzi, falecido no exercício da vereança, cujo legado político deixado ao sobrinho, então seu assessor, fez surgir o maior fenômeno eleitoral já visto por estas bandas, no curto período de oito anos. Ari, como dizia minha mãe, é do tipo que tem o tal bicho carpinteiro: não pára quieto, refestelado e pouco dado a boas maneiras. Dioclécio, tadinho, era o recato em pessoa, fala mansa, coração do tamanho de um transatlântico.

 

Esta semana, depois que o sobrinho recebeu o canudo com o diploma de prefeito da mais importante cidade do interior do Estado o tio resolveu driblar as rígidas normas impostas no andar de cima e bater um fio para a terrinha, aproveitando-se de um celular que passou incógnito pela alfândega celeste na bagagem de um médico recém-chegado (celular, no céu? Só podia ser do doutor Joaquim Lourenço). Conhecedor dos costumes de seu pupilo, que não pára em casa, Dioclécio ligou de madrugada, depois de alguns cálculos no tocante ao fuso horário.

 

Ari, que havia tido uma quinta-feira cheia de graça, pelas muitas felicitações e comemorações, mal pegara no sono e por isso estranhou o telefone tocando no exato momento em que ele sonhava percorrer em carro aberto a nova perimetral norte, inaugurada em companhia de José Serra, presidente da República, e de Zeca do PT, retornado ao governo depois de massacrar nas urnas aquele que um dia o humilhou como um animal do pêlo curto. Pulou da cama meio grogue, sem saber de onde vinha o barulho do telefone, já imaginando tratar-se de algum doente precisando de uma vaga na nova UTI do Hospital de Traumas. Aos berros, acordou Maria Primeira, mas foi Juliane, a filha mais velha, que o socorreu com o aparelho por ele esquecido na varanda enquanto sapecava uma ponta de peito para Jorginho Dauzacker e Francisco Saraiva, numa comemoração íntima já no começo da madrugada daquele dia tão especial. Afinal, contra tudo e contra todos, eles foram os primeiros a acreditar que era possível mudar a história.

 

Esfregando os olhos, Ari estranhou aquele monte de números no visor do celular, muito mais que os de uma ligação internacional. Quando reconheceu a voz suave de tio Dioclécio, pensou tratar-se de um pesadelo, mesmo assim arriscou a indefectível pergunta: “Onde o senhor está?”. A resposta foi mais serena que nunca: “Claro que estou no céu, guri, ou tu achas que depois de tudo que fiz por ti estaria no inferno?”. Ari tentou consertar: “É só modo de falar, tio”, e, crente naquilo que parecia um milagre, estufou o peito e mandou ver: “Ajuda eu! Fala aí com Jesus, com São Pedro, vê se acha o Tonanni, também, fala com todo mundo, porque o negócio aqui tá feio, não tô conseguindo nem montar o secretariado. É muita gente querendo uma boquinha pra cupinchada; é o Londres, esse Rigo, até o Zé Teixeira, que não votou em mim, todo mundo pressionando. Já pensou depois do dia primeiro? Ainda nem sei por onde começar”.

 

Diante de tanta choradeira, mesmo com a pouca experiência da curta passagem pela Câmara de vereadores, Dioclécio sentenciou: “começa pelo começo e vai devagar, não fica aí dando uma de doido, e pega leve com a turma do PT, que continua lá, é tudo gente concursada”.

 

Quanto à dificuldade do sobrinho em montar o secretariado o tio deu uma receita caseira: “Põe gente da tua confiança, agora você tem a caneta na mão, muito cuidado com os larápios que gostam de meter a mão, e não esqueça essa lei aí (Responsabilidade Fiscal), o Harry Amorim (presídio) já tem gente demais”.

 

Ainda sobre o secretariado Dioclécio disse que havia acabado de se informar com Renê Miguel, também recém-chegado por lá, todo orgulhoso porque o genro, Maurício Peralta, pode fazer parte da nova equipe. “Parece bom piá esse Peralta, só não me faça outro papelão como aquele de convidar o menino lá da OAB (Sérgio Henrique Araújo) e depois se fazer de esquecido”. Antes que o sobrinho se justificasse ou pedisse mais algum conselho ele apelou para a velha sabedoria popular: “Tem uns tubarão (sic) aí querendo te assustar, querendo tudo só pra eles, tome cuidado com essa gente, em último caso, lembre-se, vão-se os anéis, ficam os dedos”. Ari arrepiou-se todo: “Perder meus dedos? Chega o Lula que já não tem um”.

 

Tio Dioclécio convidou o sobrinho para, juntos, fazerem uma oração por Dourados, pela família. Nem bem começou – “bendito seja…” – e a conversa foi interrompida com o fim dos créditos do celular do doutor Lourenço. Ari chegou a intuir o final da frase “bendito seja o fruto da sucupira”, mas quando percebeu que rezava sozinho, resignou-se, caindo de novo na cama para fazer sua própria oração, recomeçando com o “ajuda eu”, mas acrescentando um “Senhor” ao bordão que lhe deu tanta sorte, e tantos votos. Bendito seja!

 

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18

de
dezembro

O natimorto anel viário de Artuzi

Tudo bem que o prefeito eleito Ari Artuzi está numa ansiedade danada pra começar a mostrar serviço, mas é preciso ir devagar (ou degavar como ele disse ontem lá na ACED) com o andor, nesta questão do anel viário de Dourados. Até porque, da forma como foi apresentado o “projeto”, mesmo que saia o tal anel, já será uma obra defasada no tempo, depois de cantada em verso e prosa por todos os políticos que passaram pela prefeitura nos últimos vinte anos.

 

De novo mesmo, o que se viu ontem foi só o nome do contorno rodoviário que Dourados reivindica há anos, até agora conhecido como Perimetral Norte, uma obra para a qual até alguns recursos já foram liberados, mas que, num primeiro momento, o gato comeu, e, mais recentemente, outros, aplicados de maneira equivocada, pois que se pavimentou apenas um trecho urbano de uma via que leva do nada a lugar nenhum.

 

O anseio pela Perimetral Norte vem dos tempos em que não havia, ainda, a ligação entre Maracaju e Rio Brilhante, justificando-se, assim, a retirada, de ruas centrais de Dourados, como Presidente Vargas, Monte Alegre e Ponta Porã, de todo fluxo de trânsito proveniente da região sudoeste do Estado com destino às regiões Leste e Sul do Pais. Com a ligação entre Maracaju e Rio Brilhante e depois de pronto o trecho Maracaju-Campo Grande o traçado antigo da Perimetral Norte perdeu o sentido, já que o tráfego pesado que tantos transtornos têm causado à população urbana é de caminhões e ônibus que cortam o Brasil de Sul a Norte e não mais aquele com destino ao leste, São Paulo, principalmente.

 

Assim, segundo especialistas no assunto, a grande prioridade hoje seria uma perimetral que começasse no Jaguapiru, cortando o lado oeste da cidade, passando pelo trevo do aeroporto e Hospital Universitário, até se encontrar, na parte Sul, com a BR-163. Uma obra que, pelo traçado mais curto, ficaria mais em conta, e também por não precisar fazer as desapropriações previstas no traçado original da obra.

 

E se o prefeito Ari Artuzi quer um bom exemplo de como não se deve construir uma perimetral no centro da cidade, o que seria o caso do “projeto” atual dele, nem precisa ir muito longe, bastando para isso folhear a história recente da engenharia de tráfego de Campo Grande e de Cuiabá. Na capital morena, servia como perimetral, até bem pouco tempo, a sempre complicada Avenida Eduardo Zahran. Em Cuiabá, a Avenida Miguel Sutil. Aqui, o governador Wilson Martins construiu o macro anel viário contornando Campo Grande de Sul a Norte. Em Cuiabá, só agora o prefeito Wilson Santos está tocando um projeto que vai desafogar o trânsito da Avenida Miguel Sutil, uma perimetral cujos projetistas não foram tão otimistas com o crescimento da velha capital mato-grossense.

 

Se o movimento de ontem na Associação Comercial de Dourados foi apenas uma encenação para que o prefeito Ari Artuzi fique como o pai de uma obra que o governador André Puccinelli já anunciou que vai fazer, tudo bem. Agora, se é sério aquilo que eles mostraram como projeto, aí é pra começar a se preocupar antes da hora. Neste caso, o “anel viário”, ou Perimetral Norte, continuará como uma obra natimorta.

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16

de
dezembro

André pede a cabeça de Murilo ao DEM nacional

Em suas andanças por Brasília, nos intervalos entre uma e outra audiência na busca de recursos para o Mato Grosso do Sul, o governador André Puccinelli vai alinhavando seu projeto político para 2010 na tentativa de assegurar mais quatro anos de mandato, independentemente das diversas possibilidades que se vislumbram com a decantada reforma política, entre as quais, a de prorrogação dos atuais mandatos, com o fim da reeleição. A última pedra mexida neste tabuleiro teria sido no sentido de defenestrar seu vice-governador, Murilo Zauith, do comando do partido Democratas, em Mato Grosso do Sul, para pôr lá o deputado Zé Teixeira, a quem caberia a responsabilidade de viabilizar a candidatura de seu afiliado político, Edson Giroto, à Câmara Federal.

O maquiavélico projeto político de André Puccinelli, na tentativa de se perpetuar no poder, começou com o lançamento de Murilo Zauith como “boi de piranha” nas eleições municipais de Dourados deste ano. Com Murilo fora do jogo político a partir de agora, Puccinelli fica livre para escolher entre seus aliados os que melhor se encaixam nos cargos que se abrirão a partir das próximas eleições.

Que o governador não vai com a cara de seu vice todo mundo sabe, mas se alguma dúvida existia, basta que se analise o refestelamento de André para os lados de Artuzi, a quem até o pleito ele só chamava de animal de pêlo curto. Hoje, além de se referir ao prefeito eleito de Dourados como “doutor Artuzi”, André é só mesuras com o pedetista, chegando a confessar publicamente, mas bem longe daqui - lá em Coxim - na presença do Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que passou uma vergonha danada em Dourados, referindo-se ao fiasco da derrota de seu vice, Murilo Zauith.

Quanto a Edson Giroto, não é segredo de ninguém, também, que este é o nome que Puccinelli prepara como seu herdeiro político, tanto que fez das tripas coração para emplacá-lo como candidato à sua própria sucessão na prefeitura de Campo Grande, só não atingindo seu objetivo porque encontrou forte resistência não só junto ao eleitorado, como também em setores do empresariado e da imprensa, como, por exemplo, o poderoso grupo Correio do Estado.

Murilo Zauith não está nos planos de Puccinelli nem mesmo como eventual futuro representante de Dourados na Assembléia Legislativa, Câmara dos Deputados, muito menos no Senado Federal, que é para onde o atual vice gostaria de ir.

Quieto em seu canto, na Unigran ou nas esporádicas idas a Campo Grande, onde continua, por enquanto, à sombra do “Chico Magro”, sempre que procurado para falar sobre o assunto o vice -governador desconversa e diz que é cedo para falar do futuro, da mesma forma como sempre protelou o lançamento de sua candidatura à prefeitura, neste ano, deixando tudo para o governador resolver.

Além de emplacar Edson Giroto como deputado federal e Valdemir Moka como senador, Puccinelli quer ficar livre para apoiar o senador Delcídio do Amaral para a segunda vaga a ser preenchida no Senado, em 2010, desde que consolidada a aliança que alijaria, de vez, o ex-governador Zeca do PT do processo sucessório. Nem que para isso ele tenha que encher Dourados de obras para agradar seu desafeto Ari Artuzi. E, neste caso, realmente, não tem como ter Murilo Zauith por perto.

 

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14

de
dezembro

Não haverá secretarias de “porteira fechada”, diz Artuzi

A provável futura secretária de Educação, Marlene Vasconcelos, aproveita evento da OAB para se inteirar da pasta que vai receber, do atual titular, Leopoldo Van Suypiene

A provável futura secretária de Educação, Marlene Vasconcelos, aproveita evento da OAB para se inteirar da pasta que vai receber, do atual titular, Leopoldo Van Suypiene

Nomes confirmados, com as respectivas pastas definidas, até agora, só mesmo os de Itaciana Santiago, para a Assistência Social e Antonio Neres, para a Funced. Foi o que deixou entender ontem à noite o prefeito eleito Ari Artuzi, durante a festa de casamento de sua fiel escudeira Maria Luna, com o agrônomo Marcos Ulrich, dos quais foi padrinho.

 

 

 

Artuzi garantiu ao blog que não entregará secretarias de “porteira fechada” a nenhum aliado, dando a entender que vai cuidar pessoalmente do preenchimento de todos os cargos. Ele até já pediu ao prefeito Laerte Tetila para que a secretaria de gestão cancele todos os pedidos de férias para janeiro, exceto os dos professores.

 

Entre um e outro vanerão, dançando sempre com a esposa (bailão é com ele mesmo, como bem lembrou Murilo Zauith, no último debate na TV), Artuzi parava em diferentes rodinhas para falar de política. Em meio aos convidados vários dos possíveis candidatos ao secretariado, como Maurício Peralta, classificado por ele como curinga, que desempenharia bem a função em qualquer pasta, como a de gestão, “uma secretaria importante”, no conceito do futuro prefeito; Sérgio Henrique Araújo e Eleandro Passaia, que, ao lado de Peralta, foram os primeiros nomes confirmados como secretários; Carlos Ioris, da Infraestrutura; Áureo Garcia Ribeiro Filho, da Procuradoria Jurídica; Inês Boschetti, das Finanças, além da própria Itaciana e de Eleandro Passaia, da Comunicão, que não desgruda de Artuzi.

 

“Os nomes estão todos aqui na minha cabeça, mas não sei ainda quem vou nomear”. Artuzi admitiu as pressões políticas, mas garantiu que não vai se curvar a elas, citando o exemplo de uma “prensa” que recebeu há poucos dias de dois conhecidos caciques políticos que tentaram cobrar a fatura das eleições. Diante da pressão, ele mandou um aliado seu se filiar ao partido dos tais caciques, informando-lhes que este será o indicado “na cota” deles.

 

Artuzi disse que não abre mão de escolher ele próprio não só os secretários como todos os integrantes dos demais escalões. Sobre cota que caberá a cada aliado disse que vai levar em conta o desempenho que cada um teve na eleição e que só vai nomear “depois de olhar bem dentro do olho do sujeito”. Isso segundo ele, “por causa das coisas que aconteceram durante a campanha”, como o “sumiço” da ata do registro de sua candidatura depois da convenção do PDT.

 

Quanto às muitas listas de prováveis secretários que circulam na imprensa ele desconversa, dizendo que não tem nada definido e que apenas está pedindo a alguns de seus correligionários para ajudá-lo em algumas tarefas, como cuidar da transição e representá-lo em eventos ,mas que isso não significa que o sujeito vá ser secretário. “Os nomes, mesmo, só no dia da posse”, garantiu.

 

10

de
dezembro

Brincando de Sherlock Holmes

Os caras do Ministério Público põem a maior banca. A Polícia Federal faz o seu carnaval, prende, algema, expõe um monte de gente diante das lentes de fotógrafos e de cinegrafistas; são empresários, pais de famílias, que acabam curtindo uma cana legal. E o Brasil inteiro conhece uma nova turma que teria assaltado os já combalidos cofres públicos do Mato Groso do Sul. Pra quê? Para o Tribunal de Justiça chegar agora e informar que foi tudo uma brincadeirinha, que os guris do Ministério Público estavam apenas dando uma de Scherlock Holmes, talvez por falta de coisa mais importante pra fazer na vida.

Pelo menos é o que se deduz da decisão tomada esta semana pelo Tribunal de Justiça do Mato Groso do Sul, com o arquivamento do rumoroso “caso Campina Verde” – crime de sonegação de impostos – envolvendo gente grossa da sociedade douradense, como todo o clã da família Rocha, pai, filhos, funcionários e agregados da Cerealista localizada na Cabeceira Alegre. Sim, pois a alegação do TJ é que o trancamento da ação aconteceu porque as investigações foram feitas pelos promotores e não pela polícia, pois só ela teria atribuições para investigar esse tipo de maracutaia.

Vejam bem, a decisão dos desembargadores do TJ foi por 3 votos a 2, favorável ao habeas corpus impetrado pelo advogado da família Rocha, João Arnar Ribeiro. Também não vamos generalizar a coisa, mas o que importa é o resultado final daquela Corte de Justiça.

Agora, raciocinemos juntos. Vai que esse negócio continue evoluindo nesse ritmo lá pelo Supremo Tribunal Federal. Os caras são absolvidos, o que, não entrando no mérito, deve acontecer, pela capacidade do criminalista João Arnar, quem paga essa conta? Sim, a conta dessa trabalheira toda que teve o MP com a investigação e, mais importante, os prejuízos pelo ressarcimento por danos morais que, certamente, os Rocha e Cia vão alegar.

Menos mal para a família Rocha, que tenha sido investigada pelo Ministério Público. Já imaginaram se fosse pela polícia de André Puccinelli, o governador que manda atirar primeiro (no peito, pra matar) em quem tem culpa em cartório, pra depois perguntar?

6

de
dezembro

Pucinelli afronta, de novo, os Direitos Humanos

A quatro dia das comemorações dos sessenta anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948, o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, afronta mais uma vez um dos mais elementares direitos do cidadão, o de defesa, ao afirmar que sua tropa está autorizada a “atirar, no peito, para matar” qualquer cidadão que tenha passagem pela polícia. Com isso, contraria também frontalmente o artigo primeiro da mesma Carta, que diz: “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”.

 

Ora, senhor governador, em pleno período natalino, quando o espírito de fraternidade aflora ainda mais, principalmente em quem tem algum tipo de sentimento no coração, vem o senhor, de novo, com essa conversa de atirar para matar?

O instinto assassino de André Puccinelli é de dar medo, principalmente porque a declaração de agora é uma reincidência. Em fevereiro, ele já havia mandado a polícia “atirar para matar”, logo após um episódio da fuga de internos de uma colônia penal em Campo Grande. Pior, agora ele reforça, mandando atirar “no peito” para matar bandidos, segundo notícia veiculada no site midiamax deste sábado. “Os policiais estão autorizados a atirar no peito de quem tem passagem (pela polícia)". Palavras do governador.

O artigo terceiro da mesma Declaração Universal dos Direitos Humanos, senhor governador, diz o seguinte: “toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”. Todas, senhor André Puccinelli, mesmo aquelas que tenham tido passagem pela polícia, seja lá qual tenha sido o motivo.

Não seria o caso de dizer que André Puccinelli não tem conhecimento da Declaração dos Direitos Humanos, até porque, na mesma cerimônia em que autoriza sua polícia a sair por aí atirando a torto e à direito, segundo o site Campograndenews, ele diz que “não é preciso cumprir 100% dos dizeres dos Direitos Humanos”. Quer dizer, pior a emenda que o soneto.

 

Com a palavra a Comissão dos Direitos Humanos da OAB.

6

de
dezembro

Prefeito eleito de Prudente visita Zé Elias

O ex-prefeito e ex-deputado federal constituinte José Elias Moreira foi surpreendido, na noite desta sexta-feira, quando recepcionava, em sua residência, os formandos da turma 2008 do curso de agronomia, da qual ele é o patrono, com a visita o prefeito eleito de Presidente Prudente (SP), engenheiro Milton Melo, o “Tupã”, que veio a Dourados visitar familiares. Acompanhado de seu assessor de imprensa, o jornalista Hélio Carreiro, Milton disse que não poderia passar por Dourados sem dar um abraço no seu amigo guru político, Zé Elias, que ele faz questão de chamar só de “deputado”.

Por indicação de Zé Elias, Milton Melo trabalhou como engenheiro na prefeitura de Dourados, na administração de Luiz Antônio Gonçalves e depois na Sanesul, durante o governo de Pedro Pedrossian. Daí, também indicado pelo ex-prefeito, foi trabalhar com o prefeito de Presidente Prudente, Agripino Lima Filho, colega de Zé Elias dos tempos de Constituinte.

Milton Melo, que saiu de Dourados há treze anos, foi secretário de obras da administração de Agripino Lima durante os dois últimos mandatos, acabando por ele indicado como candidato, pelo PTB. Disputou a eleição com outros dois candidatos, um deles deputado estadual e venceu com três mil votos de diferença, num colégio eleitoral de 150 mil eleitores.

Ao blog, Milton Melo diz que faz questão de receber “sempre de braços abertos” os douradenses que visitam a capital da Alta Sorocabana. “Agora muito mais, meu gabinete vai estar sempre à disposição dos amigos do Mato Grosso do Sul”, disse o prefeito, enfatizando o grande número de negócios e interesses comuns entre os dois Estados, e, particularmente, entre Presidente Prudente e Dourados.

Agronomia

Aos mais de 50 formandos do curso de agronomia de 2008 José Elias Moreira fez um discurso emocionado, lembrando a luta pela instalação do curso, há mais de trinta anos, quando ele era prefeito, e falando da responsabilidade de seus futuros colegas agrônomos na produção de alimentos, no momento em que o mundo é sacudido por uma das maiores crises de todos os tempos.

                                                                          Anita Tetslaff

Murilo Melo, Tarso Rosa, Milton Melo, Zé Elias, Valfrido Silva 

e Hélio Carreiro

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