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Tarde de sexta-feira, 4 de julho, data memorável para os americanos do Norte, depois de um breve período de inatividade, aqui, por força das circunstâncias políticas, de muitos solavancos, de punhaladas pelas costas e de algumas decepções; depois de uma noite infernal, pelo susto com o acidente de moto que tirou momentaneamente de combate meu bravo caçulinha, o soldado Torquato, cá estou, a refletir sobre os últimos acontecimentos, às vésperas do início desta que promete ser uma das mais renhidas disputas eleitorais dos últimos tempos em Dourados.
Daqui do alto da torre Adelina Rigotti contemplo a imensidão do verde que some no horizonte em direção ao Sul, de onde, exatos cem anos atrás, meu bisavô José Luiz da Silva (seu Urbano) enfileirou doze piás, fazendo-os subir num carro de boi, catou a véia e partiu em direção à terra prometida, a mesma terra que mais tarde chamaria a atenção do presidente Getúlio Vargas para nela instalar uma Colônia Agrícola Nacional, o que proporcionaria a descida dos primeiros pau-de-arara lotados de nordestinos igualmente esperançosos de aqui encontrarem terra boa e fartura para uma vida melhor.
Nestes tempos de eleições, de novas promessas e de compromissos políticos, nada melhor do que reverenciar um Getúlio, o maior presidente da história do Brasil, embora alguns novatos, desinformados e maledicentes entendam que falar daquele que foi verdadeiramente o pai dos pobres é pieguice, daí não entenderem a relação entre Vargas e os que hoje tentam manter vivos seus ideais.
Nestes mesmos tempos em que se afloram as discussões sobre conceitos éticos nada melhor do que reverenciar um José Luiz da Silva. Não conheci meu bisavô, mas a julgar pela índole e pelo caráter de um de seus doze filhos, João Evangelista Luiz da Silva, meu avô, o velho Gelista, fazendeirão do Guaçu, e, depois, no fim da vida, um humilde carroceiro da Cabeceira Alegre, sinto que, se nesta eleição, o povo votar por valores morais mais arraigados, já terá valido a pena, tudo.
Aos que usam a política apenas para se locupletarem, pensando em ganhar dinheiro fácil, atropelando a tudo e a todos, estes, sim, traidores de causas maiores, que percam um minuto só e parem ali na esquina da presidente Vargas com Joaquim Teixeira Alves, que leiam e meditem sobre as sábias palavras do próprio Vargas em sua carta testamento à Nação. Nunca é tarde para rever conceitos.
Por uma questão de ética, por estar envolvido na disputa, como coordenador de comunicação e marketing de um dos candidatos, nestes próximos noventa dias vou me abster de entrar no mérito da disputa política local, mas continuarei aqui, firme e forte para falar de Dourados, de sua gente, do Brasil e do mundo.
criado por valfridosilva
18:05:57